Nove em cada dez entrevistas que faço, os CEOS respondem que não dá para a concorrência ficar mais acirrada na indústria de seguros, principalmente na área de automóvel, um segmento já consolidado no setor. Hoje, com a declaração de Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco ao Valor Econômico, a frase mais dita é “eu era feliz e não sabia”. Segundo o Valor, o Itaú Unibanco vai redobrar os esforços na venda de produtos, inclusive de seguros, para compensar o crescimento menor da carteira de crédito. “O esforço será mais acentuado em serviços e seguros”, afirmou Setubal.
Isso signfica um forte aumento da concorrência, principalmente em automóvel, residência, vida, seguro de garantia estendida, além de grandes riscos, com apólices estruturadas para corporações que precisam garantir o patrimônio mesmo num cenário de risco como o previsto para 2012. Se pensarmos que seguro participa só com 3,4% no PIB brasileiro, enquanto a média mundial é de 7%, e que a penetração de seguros na base dos bancos brasileiros não chega a 10%, o empenho do Itaú vai ajudar a indústria de seguros dobrar a participação do PIB rapidamente.
A frase de Setubal pode parecer corriqueira para quem não acompanha a área de seguros. Mas é um fato inédito. Setubal nunca estimulou a venda de seguros pois não acreditava que o banco estava preparado para prestar um bom atendimento ao cliente. Ele tinha receio de perder um cliente do banco, com investimentos e tomador de crédito pelas linhas tradicionais como financiamentos e cartões, altamente rentáveis, por ter ficado insatisfeito com seguros, uma operação até pouco tempo atrás ineficiente e com qualidade de prestação de serviços precária. Porém, a crise mudou muita coisa. Trouxe regras mais transparentes, governança e a necessidade dos bancos recuperarem a lucratividade reduzida com operações de crédito, derivativos e fee com operações de IPO, fusões e aquisições, além da redução de taxas cobradas em fundos de investimentos.
A crise também evidenciou o risco da sociedade moderna, aumentando a procura por seguros. Hoje, todo mundo tem medos, o que estimula a indústria de seguros a lançar uma gama enorme de produtos, que vai de seguro garantia para tenis até seguro de fraudes financeiras. Hoje, um pai de família aceita com facilidade o seguro de vida ofertado na tomada de crédito no varejo para quitar a divida do financiamento e assim evitar que o bem seja tomado em caso de desemprego, morte ou invalidez. Só a venda do microsseguros sinaliza potencial de 100 milhões de consumidores.
Governos e empresas exigem seguros que garantam a gestão dos riscos e assim tragam maior garantia de que as obras que preparam o país para os mundiais esportivos ficarão prontas mesmo com imprevistos. Se acreditarmos nas contas do governo, que estima invetimentos de R$ 1 trilhão em obras de infraestruturas, podemos imaginar quantos seguros serão contratados.
Diante desse cenário de demanda maior, Itaú se associou a Porto Seguro em 2010 em automóvel e residência, com perspectivas de ampliar a abrangência de produtos do acordo inicial com o tempo. A parceria esta cada dia está mais madura tanto em produtos modernos com preços acessiveis, como em retorno ao acionista. Também está no radar do Itaú uma parceria em grandes riscos para substituir a que tinha com a XL.
Assim como o Itaú, BB e Santander consolidam a integração das parcerias realizadas, sendo as principais BB e Mapfre e Santander com Zurich em vida e previdência. Falta o Santander ter um parceiro em seguros gerais. O HSBC também quer lucrar com seguros. Colocou a operação mundial à venda e acredita que terá um bom ganho extra com isso em breve.
O Bradesco, único que ainda não fez uma parceria por ter seguro como uma atividade prioritária há tempos, também vem aprimorando o atendimento, os produtos e a margem obtida com os produtos de seguros gerais, uma vez que a maior lucratividade ainda vem do segmento de previdência. Há uma grande fila de seguradoras independentes, sem canal bancário, interessadas em negociar com o Bradesco. Mas a negociação sempre esbarra na consolidação dos dados e controle acionário. A gestão não seria um problema, bem como o dinheiro envolvido em termos de participação acionária.
O impasse está no ranking de faturamento. O terceiro maior banco do Brasil precisa consolidar os dados para voltar a ser o primeiro de vários segmentos, o que atrapalha a vida do candidato a uma fusão com o Bradesco. Boa parte deles tem ações negociadas em bolsas estrangeiras e não pode correr o risco de ser mal avaliado por analistas ao não mostrar crescimento no faturamento, principal variável considerada na análise fundamentalista para calcular o preco justo de uma acão.
Com Itaú, BB Mapfre, Bradesco e Santander Zurich lutando pela liderança, as seguradoras independentes terão de se reinventar para manter market share e rentabilidade. A equipe econômica do Itaú trabalha com uma projeção de crescimento do PIB brasileiro de 3,5% em 2012. A perspectiva quanto à taxa Selic é de que ela encerre o próximo ano em 9%. Com a queda da Selic, poucas terão margem para baixar preço num cenário tão adverso como o que se desenha. Há rumores de que negociações estão em andamento envolvendo as gigantes brasileiras.
Realmente, o que se vê é um setor que se descobre diante da forte demanda da sociedade por proteção e um órgão regulador que busca regulamentar esse crescimento para que não viva, no médio prazo, as consequências que vimos nos Estados Unidos com a desregulamentação excessiva do mercado financeiro, principalmente no uso de derivativos.
“A atuação irregular de uma empresa representa o índice máximo de gravidade para a Susep”, afirma Luciano SantaAnna, titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Com isso, o xerife do setor quer dizer que o governo colocou em primeiro plano assegurar os direitos dos consumidores. Fica o alerta para quem colocou mais clientes para dentro de casa do que podia para conquistar market share a qualquer preço.
Quem fez isso terá de refazer as contas, para que as mudanças de projeções de taxas de crescimento das vendas em razão da reviravolta externa não coloque em risco o pagamento futuro de indenizações e tire o apetite do acionista por aportar mais dinheiro no negócio. “Criamos grupos especializados para fiscalizar e priorizamos as regras de governança e monitoramento online da aplicação de ativos”, explica. Segundo ele, o setor esbanja solvência. “Temos todos os controles para manter o patamar de segurança das empresas”, afirma o ex-procurador chefe da Procuradoria Federal, que assumiu em junho deste ano o comando da Susep.
Que bom!


















A Sulamerica está “fora” desta concorrência???