Tem coisa que a gente nunca esquece

Tem coisas que a gente nunca esquece. Ela fica lá guardada e de repente aparece. Quando faço esporte, não sei porque, lembro de cada coisa; Ai uma vai puxando outra e dai parece que tudo se liga numa única conexão. Começamos o Tour de France na Gustavo Borges. Um campeonato igual ao que acontece na França, com centenas de ciclistas, os melhores do mundo, percorrendo 3.380 km em 21 dias.

Durante as provas fico pensando em várias coisas. Essa semana minha mente estava ocupada com a principal “fofoca” do mês: a possível saída de Thomaz Menezes do comando da SulAmérica. Notícia desmentida por executivos do grupo, que alegaram a saída do CFO Sérgio Borrielo como informação original, e que acabou por despertar rumores sobre Thomaz. No entanto, o assunto corre de boca em boca nos bastidores da indústria de seguros.

Lembro bem o que Thomaz Menezes disse aos amigos em sua festa de 40 anos. “Pode escrever ai. Vou trabalhar muito e aos 50 anos vou ter dinheiro suficiente para reduzir o ritmo de trabalho”. Na época, ele era CEO da Marsh Brasil, subsidiária de uma das maiores corretoras de seguros do mundo, na qual trabalhou 23 anos. De 2004 a 2010 foi CEO para a América Latina. Pelo que dizem, os acionistas da Marsh colocaram tantas metas, algumas praticamente impossíveis, que em 2010 Thomaz preferiu fazer o seu pé de meia na SulAmérica, seduzido por um cachê irrecusável e um desafio prá lá de interessante do ponto de vista de um gestor.

Contam que sua missão é fazer a transição da centenária seguradora de forma tranquila para um novo sócio, uma vez que o ING decidiu desde a crise financeira de 2008 que venderia as operações de seguros para fazer caixa e se levantar. A SulAmérica é uma das maiores seguradoras do setor, tem uma das principais marcas da América Latina, é negociada em bolsa e as negociações em andamento envolvem empresas estrangeiras, de diversas nacionalidades. Isso trará um peso e tanto para a carreira profissional de Thomaz, que já tinha um histórico e tanto. Inclusive, de permanecer no cargo após a consolidação do que venha a ser definido nas próximas semanas. Ou meses.

Boa parte das operações do ING já foi vendida e também anunciado o comprador. No Brasil, o assunto ainda é um mistério. Todos querem entrar no Brasil ou aumentar a participação nesse país que é a bola da vez no cenário internacional. Falam da francesa Axa, da italiana Generali e da inglesa RSA. As três tem uma posição insignificante no Brasil há décadas, considerando-se que são as maiores em seus países nos ramos em que atuam.

A Axa chegou a ir embora. Vendeu parte para a Porto Seguro. Mas voltou em 2009, ao fazer um acordo de grandes riscos com a SulAmérica, que passou a atender os clientes franceses no Brasil. Desde o início deste ano, comenta-se que headhunters selecionam profissionais para a seguradora francesa. O presidente da Generali, Frederico Baroglio, acaba de voltar para a Itália, deixando o CEO da América Latina acumulando a função. RSA está com caixa suficiente para fazer aquisições de grande porte.

Pelo andar da carruagem, em breve os dois vão poder relaxar depois de tantos meses de uma dura e estressante rotina de negociações. Patrick Larragoiti, principal herdeiro e acionista da SulAmérica, estará mais livre para assistir o Le Tour de France de 2012, quem sabe velejando pela costa francesa. E Thomaz, com 45 anos, curtindo a vida ao lado da família, realizando o sonho de cruzar os Estados Unidos de leste a oeste em cima de uma moto com seus dois filhos, até encarar outro desafio, com sua aposentadoria robusta como planejou na festa dos 40 anos. Quem sabe na própria SulAmérica, onde vem fazendo um trabalho e tanto.

E eu continuarei por aqui, para contar um pouco mais da história desse setor. E claro, o desfecho dessa interessante história. O que já é um desafio e tanto. Para ter energia, estou no Le Tour de France indoor promovido pela academia Gustavo Borges. Na primeira edição completei o circuito. Na segunda, sucumbi ao cansaço. Nesta edição vou me empenhar. O que já é um bom começo! Afinal, são 3.380 quilômetros em 21 dias. Tempo para rememorar os melhores momentos do setor!

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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