Recessão é o risco mais temido pelas empresas

Por Denise Bueno em 08/07/2009

42-21523245Recessão, insegurança jurídica, responsabilidade civil e danos físicos. Estes são os riscos mais temidos pelos executivos da América Latina entrevistados pelo grupo Aon na edição do Estudo Global de Gerenciamento de Riscos 2009, divulgado há poucos dias no Brasil. No mundo, os riscos que mais preocupam os 551 executivos de empresas com faturamento acima de US$ 1 bilhão espalhados em 40 países é recessão, mudanças regulatórias e interrupção dos negócios.

O estudo revela, de certa forma, a modernidade trazida com o crescimento. As empresas temem hoje lidar com consumidores mais conscientes de seus direitos. Tanto que a responsabilidade civil ficou em segundo lugar no ranking da América Latina, juntamente com insegurança jurídica. No ranking geral, responsabilidade civil nem aparece, pois já é um risco mitigado pelas empresas, seja através de uma atuação onde o direito do consumidor é respeitado, seja pela compra de apólices de seguros para cobrir riscos improváveis.

O aumento da competição é o quarto risco que mais preocupa os empresários no ranking geral e quinto na América Latina, onde o temos de danos materiais aparece na terceira posição. Fluxo de caixa, falha na distribuição, confiabilidade de terceiros e dificuldade de manter ou atrair talentos para trabalhar no grupo são outros riscos que podem afetar o bom desempenho das organizações, segundo informaram os executivos entrevistados na pesquisa da Aon.

 

 

Cresce interesse mundial por fusões e aquisições

Por Denise Bueno em 23/06/2009

42-21523608A Deloitte consultoria divulgou ontem um estudo sobre a tendência do aumento de fusões e aquisições na indústria de seguros, tanto no segmento de vida e previdência como em ramos elementares. As perdas com investimentos causadas pelas turbulências dos mercados acionários, uma regulamentação mais rígida em curso pelos órgãos reguladores, aumento do volume de indenizações pagas e redução da poupança individual são alguns dos fatores que estimulam a consolidação do setor.

Segundo o estudo, os investidores chineses e japoneses estão entre os que mais buscam oportunidades entre as seguradoras, principalmente aquelas localizadas em Bermudas e Europa, que precisam de capital para continuar a operar de forma saudável e também necessitam levantar capital para cumprir normas de solvência e manter uma boa classificação de riscos das agências. “The 2009 Insurance M&A Outlook, Opportunity in an Uncertain Environment,” pode ser acessado no site www.deloitte.com/us/insurance.

 

 

Agências de rating têm novas regras na Europa

Por Denise Bueno em 28/04/2009

42-16389461As agências de classificação de riscos poderão recuperar um pouco da credibilidade com as novas medidas aprovadas na semana passada, dia 23, pelo Parlamento Europeu. O comitê dos 27 países membros aprovou novas medidas que pretendem melhorar a transparência e independência das agências de classificação de riscos. As empresas que quiserem atuar na União Européia terão de cumprir as determinações de registro da normativa aprovada por 569 votos a favor, 47 contras e quatro abstenções. As normas passarão a valer 20 dias após a publicação oficial e as empresas terão um prazo de seis meses para se adaptar.

As principais empresas afetadas com o novo posicionamento dos órgãos reguladores são Moody’s, Standard & Poor’s e Fitch. Também são as mais penalizadas pela opinião pública pela gravidade da crise financeira global. Até mesmo economistas agraciados com prêmio Nobel declararam que as empresas deveriam ter previsto com mais antecedência a fragilidade financeira de grupos como AIG, por exemplo, que tinha o mais elevado rating entre seguradoras mesmo poucos dias antes de ser socorrida pelo Banco Central dos Estados Unidos (Fed), em setembro.

Entre as discussões do novo normativo estão a rotatividade de analistas, a supervisão das empresas, a obrigatoriedade de registro para operar na União Européia, prazo de cinco anos para que um analista responda por uma mesma empresa, a fim de assegurar a independência da classificação, evitando conflitos de interesse. As agências também precisarão contar com dois membros independentes e os critérios utilizados para a formação do rating deverão ser divulgados com clareza.

As medidas não afetam outros países, mas é sempre um exemplo a ser seguido quando o assunto é trazer mais segurança e transparência para acionistas, investidores e governos. Da mesma forma quando explodiu os casos das empresas Enron e Parmalat, colocando em jogo a reputação das empresas de consultoria e de rating, novas normas foram criadas trazendo impactos globais.

No Brasil, o uso de rating começa a ganhar força, principalmente na indústria de seguros que passou, com a abertura do resseguro, a participar mais fortemente do cenário internacional. O rating é o instrumento mais usado pelas empresas para definir se aceitam ou não uma seguradora ou resseguradora em contratos de seguros. Obviamente, que desde setembro, pior período da crise financeira, além do rating as empresas buscam outras garantias.

Em uma recente palestra no Brasil, durante seminário de resseguro promovido pela Revista britânica Reactions, no Rio de Janeiro, Roger Sellek, diretor de gestão da A. M. Best, que cobre 4 mil empresas em 65 países, defendeu a atuação das agências argumentando que nem mesmo a própria direção da AIG sabia das operações de alto risco realizadas pelos funcionários. Ele destacou que as agências levam em conta as informações passadas pelas empresas e também notas públicas.

Segundo Sellek, a deficiência de reservas foi responsável por mais de 38% de todos os casos de insolvência registrados entre 1969 e 2007 no mercado de seguros de ramos elementares. A estatística mostra que o crescimento rápido de uma companhia vem em segundo lugar. Mudança significativa de negócios ficou com 7,5%; perdas com catástrofes com 4,2%; insolvência do ressegurador com 3,5%; e fraudes com 6,9%.

 

 

Regulação será mais rígida, diz pesquisa*

Por Denise Bueno em 24/04/2009

images31A indústria de seguros mundial ficará mais regulada. Esta é a conclusão de uma pesquisa feita pela Geneva Association (Associação de Genebra), entidade que reúne cerca de 80 CEOs da indústria de seguros mundial. A pesquisa foi realizada durante encontro que reuniu cerca de 70 especialistas para comemorar o 25º aniversário do grupo de estudo de em regulação, supervisão e questões legais. Entre os profissionais estiveram presentes Peter Braumüller, presidente da International Association of Insurance Supervisors (IAIS) e Roger Sivegny, presidente da National Association of Insurance Commissioners (NAIC), responsável pela fiscalização das seguradoras nos Estados Unidos.

Cerca de 80% dos profissionais acreditam que a crise vai elevar a carga regulatória no futuro; 71% apostam em um comportamento mais protecionista dos países, que afetará os negócios internacionais de seguros; e 57% consideram que as perspectivas de futuro para a venda de seguro por meio de agências bancárias – bancassurance – sejam afetadas pela crise financeira mundial, informa o comunicado da entidade, da qual Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica, e Osvaldo do Nascimento, da Itaú Unibanco, participam.

Segundo secretário geral e diretor da Geneva Association, Patrick Liedtke, o estudo revela que o excesso de regulação é uma ameaça real para a indústria de seguros. Segundo os entrevistados, o padrão contábil é o que mais necessita de revisão. Alguns argumentam que é preciso rever alguns padrões contábeis em razão da crise financeira e outros justificam que é necessária uma mudança para que a real situação da companhia seja mais fidedigna, tornando a leitura do balanço mais realista aos analistas.

Para José Rubens Alonso, da KPMG, o segmento de seguro foi o menos afetado pela crise entre as instituições financeiras. As companhias que sofreram foram as que tinham um perfil de investimento mais agressivo. No Brasil, a regulamentação mais severa, o conservadorismo e as atraentes taxas de juros de títulos de renda fixa blindaram as seguradoras nesta crise. “No Brasil, as seguradoras não aproveitam de todos os limites que têm para aplicar em ativos de maior risco. Por isso, a tendência de aumento de regulamentação é menor no Brasil comparada a expectativa demonstrada na pesquisa da Geneva Association”, diz Alonso.

Outro ponto levantado na pequisa da Geneva Association é se o seguro perderá competitividade para outros tipos de produtos financeiros. Para Alonso não. Pelo contrário. “A transferência de risco por meio de produtos financeiros sofisticados mostrou-se ineficiente e arriscada. Acredito que o seguro ganhe mais espaço como um instrumento de transferência de risco.”

Para o sócio da KPMG, o grande desafio contábil é fazer com que a regra contábil não seja um alimentador de crises em períodos de turbulências. Isso porque as normas determinam que os ativos sejam contabilizados pelo valor justo, que tem como parâmetro o valor de mercado. “No entanto, o valor justo não foi concebido para período de alta volatilidade como o verificado nesta crise”, diz. O mundo ideal é que a regra contábil seja neutra e não alimente a deteriozação dos ativos num ciclo vicioso como o que tem sido observado nesta crise. Um desafio e tanto.

Mais detalhes da pesquisa podem ser consultados no link http://www.genevaassociation.org/PDF/Progres/Questionnaire.pdf

*Matéria produzida com exclusividade para o site www.fenaseg.org.br

 

 

Protecionismo inibe globalização do setor*

Por Denise Bueno em 21/01/2008

images31Restrições para os investimentos estrangeiros, para a venda direta de produtos e a falta de liberdade para a compra de resseguro são os principais problemas citados no estudo “Barreiras nas operações globais de seguros nos mercados emergentes”, divulgado na semana passada pela Geneva Association, entidade que reúne cerca de 80 CEOs das seguradoras mais importantes do mundo. Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica, Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente da Bradesco Seguros e Previdência, e Osvaldo do Nascimento, responsável pelas operações de seguros, previdência e capitalização do Itaú, fazem parte do conselho da associação.

O estudo, de mais de 250 páginas, analisou a regulamentação de seguros dos países que compõem o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), além do México, levando em conta as exigências determinadas durante negociações de acordos internacionais que envolvem General Agreement on Trade in Services (GAT) e World Trade Organisation (WTO).

Segundo a autora Julian Arkell, um sistema de regulamentação moderno nos mercados emergentes é um pré-requisito indispensável para a prosperidade da economia local. Isso é válido particularmente para China e Índia pela exposição que ambas têm a catástrofes naturais.

As vendas mundiais de seguros somaram US$ 3,7 trilhões em 2006, expansão real de 5% em relação a 2005. Os mercados emergentes representaram, em 2006, 5,1% das vendas mundiais de seguros de ramos elementares e 4,7% das apólices de vida e previdência.

A baixa penetração de seguro – seja pela oferta restrita de produtos e preço elevado, características de mercados sem competitividade -, gerou um volume insignificante de indenizações para as seguradoras mesmo sendo China e Índia os campeões em mortes causadas por catástrofes naturais no ano passado. “As seguradoras exercerão um papel fundamental no crescimento da economia local protegendo pessoas, empresas e governos de perdas, principalmente com catástrofes”, escreve ela no dossiê.

Alguns dados do estudo estão desatualizados em razão do prazo necessário para a edição de um dossiê de tal abrangência num momento em que os países emergentes são pressionados por órgãos reguladores dos países desenvolvidos por mudanças urgentes na área de seguros como uma forma de pulverizar os riscos a que estão expostos.

No caso do Brasil, por exemplo, o monopólio de resseguros é citado na lista de barreiras, bem como o de seguro de acidentes do trabalho. A partir de janeiro deste ano, resseguros está aberto aos estrangeiros, com reserva de 60% da cessão dos contratos aos locais nos três primeiros anos. Acidentes do trabalho ainda é operado só pelo governo.

Na China e na Índia, o principal obstáculo à entrada de grupos estrangeiros no setor de seguros está na limitação da participação acionária nas companhias. Sem deter o controle, o investimento estrangeiro se torna restrito. Na China, por exemplo, a participação estrangeira não ultrapassa 1,1% do market share em ramos elementares e 6% em vida, sendo os grupos HSBC, Zurich e AXA os mais representativos. No Brasil, os estrangeiros passaram a ter acesso ao controle das seguradoras em 1996, com o interesse da AIG em associar-se ao Unibanco.

Uma regulamentação mais moderna, transparente e que traga segurança jurídica aos acionistas e aos consumidores é vital para que as seguradoras possam oferecer serviços globais. A autora do estudo acredita que a definição do papel dos grupos estrangeiros é essencial para a criação de mercados fortes, uma vez que a decisão de investimento do acionista será tomada com base no retorno financeiro da operação, que depende de fatores de risco como segurança jurídica, operacional, comercial e financeiro. “A capacidade limitada ao acesso a seguros, a reforma nos planos de aposentadoria e as privatizações apresentam desafios formidáveis para as autoridades reguladoras”, aposta a autora do estudo, disponível no site da entidade (www.genevaassociation.org).

*matéria publicada no jornal Gazeta Mercantil

 

 

Seguro entra na rota da lavagem

Por Denise Bueno em 26/06/2007

Apesar do cerco, o mercado de seguros, previdência e capitalização entrou de vez na rota da lavagem de dinheiro. Até maio deste ano, a Superintendência de Seguros Privados (Susep) catalogou 2.662 casos suspeitos de irregularidades. O número de cinco meses equivale a cerca de 85% do total no ano passado (3.101); 7,5% acima de 2005 (2.476) ou mais do que o dobro dos registros acumulados de 2001 a 2003 (1.256).

Fraudadores procuram dar aparência idônea a ganhos ilícitos por meio da compra de seguros. Como não pode dormir no colchão, o dinheiro ilegal tenta ser incluído na economia por caminhos formais.

Como as vendas de seguros, planos de previdência e de capitalização sobem tradicionalmente no segundo semestre, a perspectiva é de que as comunicações passíveis de irregularidades dêem um salto até o fim do ano e alcancem níveis históricos no Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O órgão é responsável por acolher as denúncias, avaliá-las e, se confirmar as suspeitas, solicitar investigações da Polícia Federal e do Ministério Público.

O titular da Susep, Renê Garcia, porém, atribui o aumento das comunicações ao Coaf ao aperfeiçoamento da legislação da autarquia. Uma mudança, a circular 327 do ano passado, ampliou as situações que devem ser enquadradas pelo mercado e notificadas ao Coaf.

Essa circular melhorou os controles internos das empresas, aprimorando o cerco às eventuais tentativas de lavagem no mercado de seguros, previdência e capitalização. O Coaf recebeu, no período de 1998 até maio deste ano, 10.590 ocorrências relacionadas a seguros, previdência e capitalização. Mas, desse total, os agentes identificaram indícios de irregularidades em 289 – 278 envolvendo seguros e previdência e 11 de capitalização.

Os casos suspeitos de lavagem de dinheiro já sobem ano a ano na Susep. Em 2001, foram apenas sete casos, pulando para 379 no ano seguinte. Foram outras 870 comunicações em 2003, mais 1.166 em 2004.

Técnicos do Coaf admitem que as áreas de seguros, previdência e capitalização são sabidamente utilizadas para lavagem de dinheiro no mundo inteiro. Daí por que esperam um crescimento no número de comunicações ao órgão, acompanhando a expansão do mercado.

Léo Maranhão, chefe do Departamento Econômico da Susep, explica que, entre outras obrigações, as empresas de seguros, previdência e capitalização têm de dar ciência ao Coaf de compra de apólices ou de planos de previdência a partir de R$ 1 milhão por pessoa física; de aporte único igual ou superior a R$ 100 mil para o PGBL, plano que permite deduzir o Imposto de Renda, ou VGBL, que não inclui essa opção. Também a compra de seguros incompatíveis com a capacidade financeira e ocupação profissional do segurado deve ser informada ao Coaf.

Foi assim que o órgão comunicou às autoridades as movimentações de uma pessoa presa em flagrante em 2004, quando tentava impedir que o resgate de seu plano de previdência não transitasse em sua conta bancária. Foram identificadas compras suspeitas de seguros por uma empresa investigada em um esquema de compra e venda de licenças para construção em áreas de preservação ambiental.

A luz amarela do mercado agora é acesa para transações feitas por clientes não residentes no país. Também o Coaf deve ser informado de sinistralidade anormal ocorrida com clientes, sobre planos de previdência contratados em nome de fantasma ou falecido, de propostas discrepantes das condições normais do mercado. Também resgates antecipados no valor igual ou acima de R$ 50 mil batem à porta do Coaf atualmente, bem como os pagamentos de prêmios de seguros de R$ 50 mil ou mais, feito por pessoa física.

Até a sorte dos donos de títulos de capitalização está sujeita à investigação, se eles forem premiados duas ou mais vezes, recebendo pelo menos R$ 10 mil num período mínimo de 12 meses. O Coaf também vistoria as operações de compra de seguros, previdência ou capitalização com somas elevadas beneficiando a terceiros.

 

 

Mercado dobrará de tamanho, prevê estudo da S&P

Por Denise Bueno em 01/06/2007

A indústria de seguros, que hoje detém uma participação de 2,6% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, deverá dobrar sua participação no médio prazo. Esse é o cenário previsto pela Standard & Poor’s no estudo “Brazil’s Top 20 Insurance Companies”, que inclui seu primeiro ranking das 20 maiores empresas de seguros no Brasil.

Tamara Berenholc, analista de crédito da Standard & Poor’s e co-autora do estudo, vê 2007 como o ano da virada para a indústria de seguros. Para ela, a abertura do resseguro e a implementação das regras de solvência farão surgir novos investimentos, produtos, um acirramento da competição e uma maior consolidação do setor.

De acordo com o estudo, entre os pontos positivos da indústria de seguros estão o potencial de crescimento no longo prazo, a limitada exposição do País a catástrofes naturais, uma política conservadora de investimento, melhora da disciplina de subscrição de risco e mudanças no arcabouço regulatório que levam o padrão brasileiro ao praticado pelos países desenvolvidos.

Entre os aspectos negativos, a S&P cita a pequena participação de seguros no PIB, a forte competição, a fraca demanda por seguro e a necessidade de grande parte das companhias por capital adicional para se adaptarem às regras de solvência.

Paralelamente a divulgação do estudo, a S&P promoveu ontem no Rio um evento para debater os desafios desta indústria com as novas regras de capital baseado em risco, abertura do mercado de resseguro e cenário de queda das taxas de juros, de onde hoje as seguradoras tiram a lucratividade da operação.

Segundo Samuel Monteiro, diretor geral da Bradesco Seguros e Previdência, um dos palestrantes do evento, realmente há um grande potencial de crescimento com a abertura, a exemplo do que tem acontecido com a China e Índia. “Isso exigirá uma especialização maior de profissionais na área”, disse.

Para ele, as seguradoras terão de investir em atuários. “A área atuarial terá de ter uma integração com a área financeira da companhia de seguro, pois a tendência é que seguros de longo prazo vão ganhar mais destaque. Com isso, as seguradoras vão precisar procurar investimento de longo prazo, que terão de ser criados pelo mercado financeiro”, disse.

Monteiro também citou a necessidade de especialização das agências de classificação de risco. “Elas terão de ter profissionais mais especializados no mercado de seguros para que possam emitir corretamente seus ratings, que passarão a ser necessários para a contratação de resseguro.

Marcus Clementino, presidente da comissão de resseguros da Federação das Seguradoras (Fenaseg) e diretor da SulAmérica, que também proferiu uma palestra no evento, alertou os executivos presentes sobre a necessidade de uma regulamentação flexível na área de resseguros, que está a cargo da Susep. “Se as exigências forem muito elevadas, com certeza os resseguradores estrangeiros ficarão de fora. Precisamos de regra flexível para atrair resseguradoras locais e ter competitividade no setor”, disse Clementino. Ele disse que o preço do resseguro pode não cair num primeiro momento. “As taxas podem até subir, pois poucos têm informações das empresas brasileiras além do IRB.”

Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil em 01/06/2007

 

 

Sem pressa para a abertura do resseguro

Por Denise Bueno em 14/05/2007

Nem tão depressa que pareça fuga, nem tão devagar que pareça provocação. Usando a célebre frase do senador Pinheiro Machado, dita em 1915 ao cocheiro da carruagem para escapar de um atentado, Renê Garcia, titular da Superintendência de Seguros Privados (Susep), responde a duas questões que têm gerado muita ansiedade nos executivos do mercado de seguros: a normatização da abertura do resseguro determinada pela Lei 126, sancionada em 15 de janeiro; e mudanças nas regras de solvência, especialmente na ampliação do prazo para adaptação.

“As normas de resseguros serão colocados em audiência pública nacional e internacional. Sem pressa. Nossa prioridade é garantir a sustentabilidade do setor”, disse Garcia. Segundo ele, a preocupação dos técnicos é normatizar a fase de transição, para depois esboçar uma norma definitiva. Antes de abrir o mercado de resseguros, Garcia defende que precisa ter seguradoras mais capitalizadas para atuar num mercado aberto de resseguros.

Para isso, em dezembro passado foram divulgadas resoluções criando um novo modelo de cálculo de margem de solvência das seguradoras que operam com ramos elementares. Numa explicação grosseira, seria dizer que as companhias podem vender até três vezes o seu patrimônio. Porém, cada risco terá um valor. Seguro transporte, por exemplo, terá um peso maior do que o seguro residencial, pois a incidência de risco é muito maior.

A expectativa é de que a grande maioria das seguradoras terá de aportar capital. “As que operam com todos os produtos em todas as regiões do Brasil provavelmente terão mais necessidade de capital do que as que operam regionalmente ou em nichos específicos”, disse. Só das estrangeiras, Garcia prevê um aporte de US$ 1,2 bilhão. “Elas operam com um capital pequeno no Brasil, fazendo reservas na matriz, e com as novas normas terão de trazer o capital de lá para cá”, disse. O capital mínimo exigido subiu de R$ 7,2 milhões para R$ 15 milhões a partir de 2008. Há outras duas hipóteses. Podem reduzir a atuação regional ou operar em nichos, o que conseqüentemente reduzirá o faturamento, bem como contratar resseguro, que libera o capital comprometido com o risco.

O mercado aguardava a audiência pública das normas, prometida por Garcia dois meses antes. No entanto, a divulgação foi sem aviso prévio e no último dia útil do ano. “O assunto foi exaustivamente debatido com seguradoras, estrangeiras e nacionais. Trata-se de um tema que não pode ser colocado em audiência pública pelo seu teor”. A Susep tem adotado essa prática em relação a várias regulamentações importantes, apesar de não ser obrigada, explica José Rubens Alonso, sócio da KPMG. “Ainda que fosse realizada audiência, não havia garantia de que alterações seriam feitas”.

De janeiro para cá, as seguradoras se desdobram para saber qual a melhor estratégia a ser adotada para se adequar. Houve até segurador ameaçando entrar com ação no Cade, alegando concentração de mercado. Alguns acreditam que médias e pequenas seguradoras podem ter dificuldades de aportar recursos. Há quem diga também que as normas visam criar uma grande necessidade de resseguro por parte das seguradoras, o que aumentaria o apetite dos resseguradores em se instalar no País.

Os principais executivos do setor concordam que as normas são necessárias, importantes e elevam o padrão normativo do Brasil ao de países de primeiro mundo. “As medidas aumentam a credibilidade do setor para o mercado internacional”, disse Max Thimernan, presidente da AGF. “Essas medidas eram muito esperadas por todos”, disse Luis Maurette, presidente da Liberty.

Porém, o prazo de adaptação concedido, de três anos contados a partir de 2008, e a fórmula que calcula o volume de capital adicional que será requerido são questionados. “Países de primeiro mundo terão um prazo de dez anos para adequação”, dispara Cláudio Afif, vice-presidente da Indiana Seguros. Patrick Larragoiti, presidente da SulAmérica, compartilha da mesma opinião. “São normas que exigem mudanças nas estratégias das companhias e isso requer tempo hábil para que tudo possa ser feito de forma adequada”.

Até mesmo quem entende muito do assunto, defende um debate mais amplo da “fórmula”. “O arcabouço regulatório é coerente e bem elaborado. Porém, entendo que as tabelas anexas à resolução 158 e que levam aos valores de capital adicional requerido mereceriam um debate mais amplo e que as experiências específicas de cada seguradora deveriam ser levadas em consideração”, disse Alonso, da KPMG.

Passados cinco meses e meio da divulgação das normas e muitas reuniões para tentar alterá-las, nada mudou na mente de Garcia. “Não há discussão para aumentarmos o prazo ou mudarmos a fórmula. Estamos abertos a discussões, explicações. Quem tiver problemas, que nos procure”.

Este é só o começo. Os próximos riscos da lista são: crédito, legal, operacional e riscos de mercado. “Novos requerimentos de capital serão exigidos para cobrir outros fatores de risco ainda não regulamentados”, lembrou Alonso.

*Matéria da autora publicada na Gazeta Mercantil

 

 

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