Marcos Lima, o guardião do grupo Odebrecht*

332811Gerenciar riscos é uma cultura arraigada no conglomerado Odebrecht. Começou com o fundador. Doutor Norberto Odebrecht, como ainda é conhecido por todos. Ele tinha apenas um caminhão em 1945, comprado financiado no auge da crise, para transportar material e pessoas. Certo dia, este veículo foi para a oficina para ter a carroçaria ampliada. Foi quando doutor Norberto percebeu que seu negócio corria um sério risco por depender de apenas um veículo, que nem pago ainda estava. Decidiu então fazer um seguro. No dia seguinte, a oficina pegou fogo.

Ainda bem que doutor Norberto estava segurado. Hoje o grupo emprega mais de 82 mil integrantes no Brasil e no exterior. Em seguros, o grupo investe anualmente mais de US$ 100 milhões. Boa parte dos negócios envolve a proteção do patrimônio dos acionistas e de terceiros e também o seguro garantia, um instrumento que permitiu o avanço internacional do conglomerado. “Nos EUA você não bate um martelo sem apresentar uma garantia”, explica Marcos Lima, diretor da OCS Administradora e Corretora de Seguros, corretora cativa do grupo Odebrecht, que completou 30 anos. Veja a seguir os principais trechos da entrevista concedida por Marcos Lima à Revista Gerencia em Seguros.

Por que o grupo decidiu criar uma corretora?
Inicialmente, o grupo tinha apenas uma divisão de seguros, que tinha como estratégia contratar várias corretoras. O fundador passou a perceber que ter uma divisão não era mais o suficiente. Queria concentrar a história do seguro das obras em um só local. Também tínhamos em mente estabelecer um relacionamento de longo prazo com as seguradoras e ter estatísticas para saber quais os principais riscos e incidências para poder criar mecanismos de prevenção e cláusulas que gerassem menos polêmicas na hora da indenização.

Foi quando a OCS nasceu?
A corretora, única atividade centralizada do grupo, nasceu em 1978 com o nome Fundação Emílio Odebrecht (FEO) e a partir de 1995 passou a chamar OCS. Ela nos ajudou a criar parcerias de longo prazo na internacionalização do grupo com o desenvolvimento do seguro garantia. As pessoas sempre acham que nada vai acontecer, principalmente se acham o seguro caro. Nosso foco é fazer um programa de seguro para proteger o patrimônio de riscos imprevisíveis.

Quanto o grupo Odebrecht investe em seguros anualmente?
Acima de US$ 100 milhões, sendo a principal apólice a dos complexos petroquímicos.

Como se tornou o guardião do patrimônio do grupo?
Em 1979, o doutor Norberto Odebrecht solicitou que preparasse uma “Política de Seguros” para ser discutida e negociada com os acionistas. Naquele momento eu nem sabia o que era uma apólice de seguros. Minha formação era em Finanças, Auditoria e Desenvolvimento Organizacional, com pós-graduação nessas áreas. Naquele mesmo dia lendo num jornal a realização do primeiro curso de corretor de seguros em Salvador, resolvi participar do curso para atender à solicitação, buscando entender tudo e aprofundar-me o máximo possível em conversas e questionamentos com os professores. Quando apresentei ao Conselho de Administração uma proposta para a Política de Seguros para a Organização Odebrecht, o doutor Norberto perguntou-me se eu aceitava assumir a liderança da corretora. Topei na hora.

O seguro garantia para viabilizar operações estruturadas, que se tornou um modelo para outras empresas, tem grande fatia dos negócios da corretora, não?
Sim. São mais de US$ 16 bilhões em garantias nos últimos 18 anos sem nunca ter executado um pedido de indenização.

Qual a primeira apólice de garantia (surety) que fechou?
O grupo começou a atuar nos EUA em 1991. Lá não se bate um prego sem ter seguro. Passamos a conhecer e entender um seguro que sequer existia no Brasil. Em 1992 tivemos uma prova de fogo. Encontrei os empresários Fernando Barbosa e Roberto Benjamin no escritório do Rio. Eles estavam felizes de ter conquistado o contrato para a construção da plataforma marítima Petrobras 18. Estavam as voltas para fechar o financiamento do projeto. Em razão do elevado valor, a fiança bancária tinha limites. Foi quando sugeri o seguro garantia, explicando que era uma espécie de aval que se a Odebrecht não concluísse a obra, a seguradora garantiria o término. Em pouco tempo, um pool de seguradoras estrangeiras emitiu uma garantia de US$ 272 milhões e a P-18 ainda opera na Bacia de Campos, no Rio, com capacidade de 100 mil barris diários de petróleo.

Foi então um grande marco para a vida da corretora!
A partir de então o seguro passou a ser um instrumento não só de proteção do patrimônio, como também vital para dar sustentabilidade aos projetos. Uma operação estruturada de financiamento, usando o seguro viabilizou a formação da Braskem,a empresa petroquímica da Odebrecht, em 2002.

Qual o principal negócio já fechado pela OCS nestes 30 anos?
Sem dúvida foi o recente seguro de garantia contratado para o Projeto Santo Antonio Energia – Madeira, considerada a maior apólice do mundo, num momento em que as seguradoras estavam fortemente atingidas pelo tsunami provocado pela crise financeira global.

E o contrato mais difícil?
Foi fechar os seguros de Property para as plantas química e petroquímica do grupo Odebrecht, após os atentados terroristas de 11 de setembro de 2000. Nossa renovação estava agendada para 28 de novembro. Tivemos de enfrentar um cenário complicado, com dificuldades para obter as capacidades necessárias para proteger a empresa e o custo estava elevadíssimo.

Qual o pior sinistro já gerenciado pela OCS?
O sinistro do Túnel Airton Senna, que caiu, enquanto discutíamos a apólice de Risco de Engenharia para o projeto. Embora só tivéssemos o pedido de cobertura feito à seguradora, não tínhamos a apólice de seguro emitida. Após longos sete meses de debates e negociações, foi acordado que tínhamos uma cobertura de seguro baseada apenas no nosso pedido. A regulação do sinistro deu-se de acordo com o clausulado usado normalmente em nossas apólices anteriores, resultando no recebimento de uma indenização de aproximadamente US$ 9 milhões. Este fato veio demonstrar e comprovar a boa fé que embasa as relações de seguro. O mercado segurador honrou o pagamento de importante sinistro baseado apenas na manifestação do segurado quanto à sua intenção comprovada de contratação do seguro.

Conte um sinistro que ajudou a mudar procedimentos e aperfeiçoar o gerenciamento de risco?
O sinistro acima é um exemplo. A partir desse sinistro fizemos uma revisão em todo o nosso processo de encaminhamento do pedido de seguro e também no processo de gestão para viabilizar a apólice.

O projeto do Rio Madeira foi o maior programa de seguros fechado nesta crise. Como foi encontrar capacidade?
Sim, foi o maior programa de seguros fechado nesta crise. A capacidade foi alcançada pelo fato de termos uma filosofia clara de relação de longo prazo com os seguradores e resseguradores, onde privilegiamos nossas parcerias, sempre buscando uma relação que seja boa para as partes, e que o cliente, no caso a Odebrecht, receba o melhor serviço, ao preço adequado e no prazo acordado.

Qual o argumento mais usado para tranquilizar os subscritores e conseguir a cobertura desejada?
O Track Record (histórico de desempenho) da Odebrecht e a qualidade dos players envolvidos nos projetos que investem em seguro.

Tiveram de fazer mudanças no projeto para atrair um número maior de resseguradores?
Nenhuma mudança foi necessária.

A OCS tem muitos negócios com a AIG. Qual a primeira reação dos executivos do grupo quando a então maior seguradora do mundo foi socorrida pelo governo dos EUA?
Nós que estamos muito próximo da AIG sempre fomos informados de tudo a tempo e hora. A posição foi de parceiro. Ligamos imediatamente para Hamilton da Silva, o COO da AIG, e dissemos a ele que contasse conosco no que fosse preciso. Afirmamos que nossa relação não mudaria em nada e que continuaríamos fazendo negócios. É isto que esperamos de um parceiro, estar sempre junto.

De que forma os problemas da AIG afetaram os negócios da OCS?
Não afetaram em nada. Pelo contrário. As relações hoje são ainda mais fortes.

Neste episódio, qual a estratégia adotada para gerenciar o risco financeiro?
Avaliamos juntamente com o executivo da AIG a saúde da seguradora responsável por nossas apólices e concluímos que além do rating “A” mantido pela S&P, as atitudes e postura da AIG na nossa relação nos deixaram plenamente confortáveis. Não vejo risco financeiro.

Qual o maior desafio do gerente de risco diante desta crise financeira global?
Existem aqueles que sempre estão comprando cobertura e, conseqüentemente, estão colocando as seguradoras em leilão. Estes estão tendo e terão dificuldades para fechar seus programas de seguro. Aqueles que tem como filosofia vender seu risco, buscando, identificando e encontrando parceiros que estejam dispostos a comprar esses riscos, têm uma situação de certa maneira confortável. O desafio é como estabelecer esta parceria porque há momentos bons, com riscos bons, sem sinistros, e momentos ruins, onde a sinistralidade é alta e danosa. É preciso ter um balanço desta convivência pelo menos a cada três anos para poder auferir o nível de relação de parceria.

Como vê o desenvolvimento do Brasil na área de infraestrutura?
O programa do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) é uma realidade. Os recursos disponíveis tornam o programa factível.

Como a indústria de seguros pode ajudar os investidores em projetos de infra-estrutura?
Temos que buscar criar uma mentalidade de Project Finance e, neste sentido, o seguro e as garantias por seguro são vitais para conclusão de projeto. Esta estrutura ajudou o grupo Odebrecht ser o que é hoje.
Como conciliar crescimento e sustentabilidade social e ambiental?
Já existe uma consciência nas grandes empresas sobre a necessidade desta conciliação. O processo é demorado, mas aos poucos está se tornando uma realidade.

De que forma a indústria de seguros pode ajudar no crescimento sustentável?
Introduzindo produtos como o seguro ambiental, por exemplo. No Brasil, por exemplo, poucas operam com esta apólice. Também participando ativamente nos grupos de estudo em apoio ao governo e introduzindo novos produtos no mercado brasileiro que permitam uma redução dos custos com seguro e a sua conseqüente massificação.

Há muitos projetos e obras embargados por questionamentos judiciais. Como gerenciar obras nesta situação, uma vez que o ressegurador comprometeu capital em contratos que estão suspensos?
Na realidade o segurador e o ressegurador recebem na frente o prêmio de seguro para fazer face a um provável sinistro num futuro incerto. Estas suspensões, de um modo geral, não geram problemas à industria de seguros e sim à sociedade.

Como avalia este primeiro ano da abertura do resseguro no Brasil?
Excelente. O trabalho da Superintendência de Seguros Privados (Susep) tem sido excelente. Com uma postura pró-ativa, a Susep tem ajudado o mercado a superar as dificuldades naturais de abertura, após quase 70 anos de monopólio, e que ainda coincidiu com a explosão da pior crise financeira mundial depois do crash da Bolsa, em 1929.

O que acha que precisa ser aprimorado no resseguro brasileiro para facilitar o dia a dia dos gerentes de risco?
Um maior envolvimento interativo. É preciso sair da postura de esperar e aguardar a decisão do ressegurador. Em suma, empresariar o negócio seguro.

Que tipo de coberturas as seguradoras precisam desenvolver junto aos resseguradores para proteger os investidores interessados em projetos de infra-estrutura?
Sinto falta de mais dinamismo e novidades nas coberturas de riscos de engenharia, transporte, Allop, Delay in Start Up e Garantias Contratuais.

O que você mais valoriza quando escolhe corretores, seguradoras e resseguradores?
São seis fatores básicos. O primeiro deles é a capacidade econômico-financeira. Este item sempre foi importante e ficou ainda mais com a crise financeira desencadeada pelas hipotecas de alto risco (subprime) nos Estados Unidos e que se alastrou pelo mundo a partir de junho de 2007. A capacidade dos seguradores e dos resseguradores tem de ser compatível com o valor dos riscos assumidos. Temos como referencial uma avaliação equivalente ao Rating “A” ou acima desse, atribuído por empresa avaliadora com reputação reconhecida no mercado segurador. A competência técnica, estrutura e disposição da seguradora para servir globalmente, visando atender as necessidades especificas de avaliação e cobertura dos riscos preponderantes para cada caso é também fundamental.

É preciso ser parceiro?
Sim. Levamos em conta também a parceria estratégica de longo prazo em nível global com atendimento local nos países de atuação da organização; a rapidez e flexibilidade na regulação de sinistros; o cumprimento de obrigações pactuadas; a criatividade e coragem de mudar, demonstradas pelo efetivo interesse no estudo e na solução de novas condições; e o limite de crédito em Surety Bonds (Seguro-Garantia).

A OCS tem quantos funcionários?
Atualmente temos 45 pessoas trabalhando conosco, baseados em diversas localidades. Também contamos com o apoio de corretoras internacionais como AON e Marsh.

Qual o principal conselho aos gerentes de risco que querem se tornar o guardião do patrimônio dos acionistas?
Disposição em servir e avaliar os riscos com acuidade, de modo a poder vendê-los com propriedade ao mercado segurador. Sair da postura de comprador de cobertura para vendedor de risco. Também é preciso ter capacidade de disseminar a visão do desenvolvimento sustentável nas dimensões sócio econômicas, ambientais e culturais nas ações da empresa. O gerente de risco tem um grande poder em suas mãos hoje. Para isso é preciso desenvolver uma competência empreendedora que consiga romper o conhecido, ousando, viabilizando a concepção de inteligência de risco. Não basta somente ser um técnico muito bom, pois fatalmente terá seu momento de obsolescência. Precisa ser alguém que vai deixar sua marca.

*Matéria produzida com exclusividade para a revista Gerência de Riscos e Seguros, do Grupo Mapfre, número 102, 1º quadrimestre de 2009

Cresce interesse mundial por fusões e aquisições

42-21523608A Deloitte consultoria divulgou ontem um estudo sobre a tendência do aumento de fusões e aquisições na indústria de seguros, tanto no segmento de vida e previdência como em ramos elementares. As perdas com investimentos causadas pelas turbulências dos mercados acionários, uma regulamentação mais rígida em curso pelos órgãos reguladores, aumento do volume de indenizações pagas e redução da poupança individual são alguns dos fatores que estimulam a consolidação do setor.

Segundo o estudo, os investidores chineses e japoneses estão entre os que mais buscam oportunidades entre as seguradoras, principalmente aquelas localizadas em Bermudas e Europa, que precisam de capital para continuar a operar de forma saudável e também necessitam levantar capital para cumprir normas de solvência e manter uma boa classificação de riscos das agências. “The 2009 Insurance M&A Outlook, Opportunity in an Uncertain Environment,” pode ser acessado no site www.deloitte.com/us/insurance.

Indenizações de D&O podem custar US$ 6 bilhões

42-20909502A Towers Perrin e Cornerstone divulgaram ontem um alerta de que os custos com o pagamento de indenizações de D&O podem custar mais de US$ 6 bilhões para as seguradoras, segundo informou uma reportagem do jornal britânico Financial Times, tendo a Advisen como fonte. Até agora foram 210 processos em 2008, 17% acima do volume registrado em 2007. Praticamente metade deles se refere a instituições financeiras.

Além de um volume maior, o custo das indenizações determinadas pela Justiça tem aumentado consideravelmente. O resultado disso, diz a reportagem, é o aumento do custo e condições de coberturas mais restritas para instituições financeiras, além da recusa em fazer o seguro para aquelas mais expostas a perdas do subprime.

O temor das seguradoras é ter um ano como no início do século 21. As maiores perdas em D&O foram iniciadas com a quebra da Enron, que gerou acordos com acionistas de US$ 7,1 bilhões. A WorldCom é a vice líder em indenizações, com US$ 6,1 bilhões. A Cedant gerou indenizações de US$ 3,5 bilhões.

O caso da fraude do Société Générale e do escândalo Madoff pioraram ainda mais o cenário de crise. No Brasil, os principais casos que correm na Justiça são o da Sadia e da Aracruz, onde acionistas questionam a exposição das em empresas em derivativos, que causou milhões de reais em prejuízo.

Este segmento tem apresentado um dos maiores crescimentos entre os produtos vendidos pelas seguradoras brasileiras. As empresas que mais contratam o seguro de D&O são aquelas que negociam seus papéis no mercado acionário. Nos Estados Unidos, 98% das empresas já compram este produto para proteger o patrimônio de seus executivos. Na Europa, 80%. As empresas latinas que negociam ADR na bolsa de valores americana são outro grande nicho de disputa para a venda de D&O.

O Brasil conta ainda com um pequeno número de contratos, em torno de 1,2 mil. Mas tem crescido rapidamente. No primeiro quadrimestre deste ano, o ramo acumula prêmios de R$ 40 milhões, bem acima dos R$ 27 milhões do mesmo período do ano anterior. a Itaú Unibanco é a maior do Brasil, com prêmios de R$ 15,2 milhões, incluindo a Unibanco, a Itaú e a Itaú XL. A SulAmérica é a segunda maior, com R$ 6,1 milhões, seguida pela Zurich, com R$ 5,4 milhões, Chubb, com R$ 4 milhões e ACE, com R$ 3,5 milhões.

A Liberty é a mais nova estreia neste segmento. “A Liberty vai atuar fortemente no Brasil. Mundialmente, é uma das cinco maiores na subscrição de D&O. Tem expertise local e internacional para oferecer coberturas e serviços que realmente protejam o profissional e a empresa”, diz Luís Maurette, presidente do Grupo Liberty no Brasil.

Para comandar a área, a sua divisão de linhas especiais, Liberty International Underwriters (LIU), contratou Renato Rodrigues, 33 anos, um dos melhores profissionais de D&O na indústria de seguros. O executivo tem mais de dez anos de experiência em responsabilidade civil de executivos e ocupou posições importantes em empresas nos EUA.

”As oportunidades no Brasil são enormes, pois as empresas estão contratando o seguro pela primeira vez, diferentemente dos EUA, país em que 90% das empresas já têm apólices contratadas”, afirma Rodrigues.

Chubb cria benefícios no seguro de automóvel

images13A Chubb do Brasil tem apostado em serviços para crescer no segmento de automóveis, um dos mais concorridos entre as seguradoras brasileiras. O seguro de carro registrou vendas de R$ 5 bilhões no primeiro quadrimestre no Brasil, alta de 10% comparado ao mesmo período de 2008, representando mais de 40% das vendas de seguros patrimoniais no País. Trata-se de um seguro demandado pela população e vendido basicamente através do corretor de seguros. As dez maiores seguradoras detém mais de 90% do faturamento total.

A Chubb não está na lista das dez maiores, porém foi premiada neste ano pela revista Conjuntura Econômica, uma publicação da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), na categoria autos. O seguro automóvel representa 27% do faturamento da Chubb no Brasil e o cenário mundial favorece a companhia no Brasil, uma vez que as importações de veículos estão superando as exportações. “Os importados sempre foram um segmento destacado dentro da Chubb”, diz Priscilla Tamura Magni, Superintendente de Linhas Pessoais da Chubb.

Para a executiva da Chubb, o crescimento no volume de prêmios de seguro de carro no primeiro quadrimestre deste ano está relacionado a evolução das vendas de automóveis. “A redução do IPI é o fator mais importante para o crescimento na venda de automóveis e por consequência, na venda de seguros”, diz.

A política monetária de incentivar o consumo, tanto via redução de impostos como pressão de taxas de juros mais baixas para os financiamentos, principalmente nos bancos oficiais como Banco do Brasil e Caixa, ajudou as seguradoras a compensarem a redução do faturamento na carteira de automóvel causada pela desvalorização dos veículos usados.

Entre os serviços extras há inclusões sem custo e também a opção de elevar a cobertura mediante o pagamento de uma diferença no prêmio. Uma das novidades é a cobertura de Despesas de Locomoção dentro do item das Despesas Extraordinárias. Segundo a Chubb, o segurado dispõe de uma verba para utilizar em despesas como aluguel de veículo ou pagamento de táxi durante o período de reparo do automóvel. Essa quantia, equivalente a um por cento da cotação do veículo, é oferecida sem qualquer custo adicional ao cliente que pode também aumentar o valor contratado, mediante pagamento de prêmio. Para as apólices contratadas a partir de 16 de junho de 2009, a cobertura de Despesas Extraordinárias se destinará a cobrir despesas adicionais em conseqüência da indenização integral do veículo, como licenciamento, IPVA, entre outros.

Hoje o cliente do Auto Quality Protection Platinum já conta com a cobertura de vidros sem custo adicional, mas se ele desejar, também pode adquirir a Cláusula Adicional de Vidros Platinum. Essa cobertura especial garante a substituição ou reparo para teto panorâmico ou teto solar, faróis (principais, auxiliares e de neblina), lanternas e retrovisores em caso de quebra ou trinca, possibilitando ao proprietário escolher livremente o local no qual efetuará, após aprovação da seguradora, o reparo de seu automóvel.

O futuro chegou para o Brasil*

O futuro finalmente chegou para o Brasil. Pergunte a qualquer estrangeiro em visita de negócios. A resposta certamente será: o Brasil está num patamar diferente. Entrevistei vários executivos nos últimos meses. Segundo eles, o Brasil é o lugar para estar investido nos próximos anos. Principalmente pelos fundos de aposentadoria americanos e europeus, que precisam buscar investimentos de maior risco que trazem uma chance maior de retorno superior as baixas taxas de juros de seus países.

Os fundos de previdência fechados, que ainda tem em carteira planos de beneficio definido, ou seja, com rentabilidade garantida, acumulam enormes déficits. A crise agravou ainda mais a situação. A perda dos fundos previdenciários em todo o mundo é calculada em mais de US$ 4 trilhões, quase 30% de todo o patrimônio mundial. Calcula-se que as pessoas vão ter de trabalhar entre 2 e 15 anos a mais para compensar as perdas em suas poupanças previdenciárias e aposentar-se como valor previsto.

Porém, apenas quem ousar em investir em renda variável é que tem a chance de abreviar a recuperação do valor, uma vez que até mesmo o Brasil, líder por anos seguidos do ranking das maiores taxas de juros do mundo, está firme em sua política econômica de queda estrutural das taxas, segundo tem dito Henrique Meirelles, presidente do Banco Central, repetidas vezes em todos os eventos que participa, seja no Brasil ou no exterior.

Os fundamentos econômicos do Brasil trouxeram o tão esperado grau de investimento, dados por duas das maiores agências de rating do mundo, há mais de um ano. E os efeitos começam a aparecer após um ano. Os gestores de fundos que captam recursos externos para investimentos no País estão sendo pressionados pelos investidores.

Willian Lander, diretor do fundo BlackRock, um dos maiores dedicado à América Latina com US$ 4,5 bilhões em renda variável, sendo 70% em ativos no Brasil, a governança adotada pelas empresas, os fundamentos macroeconômicos consistentes e as normas de proteção ao investidor minoritário fazem do Brasil um país de gente grande. “Tudo isto tem atraído o investidor internacional. Mas tenho ouvido falar que o Brasil ficou caro”, diz Lander. Ele argumenta que o prêmio médio cobrado para investir no Brasil está dentro da média. “Com risco mais baixo, não tem porque negociar no patamar do passado.”

Lander afirma que o Brasil esta em linha com outros mercados emergentes, com exceção da Rússia, que está barata porque tem motivos para isso. “Um investidor que queira apostar em petróleo, a Petrobras é a melhor opção e não a Rússia”, comenta o gestor. A China negocia a um múltiplo mais alto porque tem um crescimento econômico maior. Porém, a qualidade de informações e a participação do governo chinês nas companhias têm um impacto negativo na hora do investidor optar.

A estabilidade da divida do Brasil, valor que está caindo pela primeira vez em muitos anos, também conta pontos positivos na decisão do investidor. “A Rússia queimou quase metade das reservas sem grande sucesso”, afirma. “E o Brasil tem o BC controlando a moeda. Isso mostra que o país está mais preparado e com mais proteção para lidar com a crise.”

O potencial de crescimento do Brasil, impulsionado por uma forte demanda de consumo reprimida, conta pontos para quem quer investir no longo prazo. O volume de crédito é relativamente baixo em comparação aos países desenvolvidos. Principalmente em hipotecas, segmento que tem despertado muito interesse nos investidores tanto pela demanda como pelo programa habitacional “Minha Casa Minha Vida” lançado pelo governo recentemente.

“Vimos isso acontecer no México, com um programa parecido com o do Brasil. Hoje se vende 600 mil casas por ano para as famílias de menor renda. É um nicho que tem grande impacto por desenvolver outros nichos, criando oportunidades de crescimento para a economia”.

Outro exemplo para enfatizar a demanda reprimida brasileira. O governo baixou o IPI para carros novos e o resultado foi um aumento instantâneo nas vendas, voltando ao patamar pré-crise. Diferente do que aconteceu nos EUA. Mesmo com juro zero e longo prazo, não se consegue vender. Isso mostra claramente a confiança do consumidor brasileiro e das instituições, que voltam a baixar o custo dos financiamentos e a alongar o prazo.

Mas tudo isso não quer dizer que estamos no melhor dos mundos. Todos são unânimes em dizer que é preciso avançar muito em transparência das informações e educação. E era aqui que queria chegar. Por mais que as seguradoras e empresas de previdência invistam para ter produtos bons e acessíveis, pouco acontecerá se a população não tiver informações e cultura de prevenção de risco.

Os corretores têm um papel fundamental em ajudar as famílias a se desenvolverem com sustentabilidade neste tão incerto mundo. Uma nova realidade foi criada. Um mundo sem Lehnam Brothers, sem General Motors, sem Gazeta Mercantil. Um mundo em crise, desafiador e com oportunidades para todos, principalmente para o Brasil e para a indústria de seguros, a “bola da vez”.

*Artigo escrito para a revista Apólice, edição de junho de 2009

Indústria precisa lançar produtos “verdes”, diz Aon

42-17660158As seguradoras, resseguradoras e corretoras precisam repensar a importância de criar produtos que tragam recompensas e estimulem as empresas a adotar atitudes sustentáveis. O apelo foi feito por Andrew Tunnicliffe, COO da Aon Global Risk Consulting, em sua palestra durante a Association of Insurance and Risk Manager’s – AIRMIC (semelhante a brasileira Associação Brasileira de Gerenciamento de Risco-ABGR), realizada em Bournemouth, Inglaterra, na semana passada.

Entre os produtos que podem ser criados, o executivo cita apólices com desconto ou com serviços adicionais para carros híbridos, edifícios construídos dentro dos padrões ecologicamente corretos, para corporações que usam energia renovável e benefícios para as pessoas que cuidam da saúde.

Durante sua palestra, foi realizada uma pesquisa com aproximadamente de 100 gestores de riscos dos maiores grupos econômicos da Inglaterra que estavam no evento para saber o que eles pensam do assunto. Cerca de 82% deles acreditam que a indústria de seguros tem de mudar de atitude em relação à responsabilidade social das empresas. Pouco mais de 97% dos gestores de risco informaram que a sua organização está empenhada em se tornar socialmente responsável, enquanto 71% reconhecem que esta política terá um custo inicial para o acionista, cujo retorno virá no futuro em termos de imagem.

“Nós, empresas globais, temos de incorporar esta responsabilidade em nosso dia a dia, olhando onde podemos reduzir prêmios para incentivar mais adeptos ao desenvolvimento sustentável”.

HSBC: O futuro da Aposentadoria

http://www2.hsbc.com.br/hs/campanhas/for4/index.html?WT.ac=HBBR_PWS003.7.4&rnd=1474

Uma tempestade ameaça a aposentadoria mundial

42-21521821Há uma grande tempestade sobre a aposentadoria mundial. Se nada for feito, os efeitos serão devastadores no futuro. Esta é uma das conclusões da pesquisa “O Futuro da Aposentadoria, Tempo de se Planejar”, divulgada pelo HSBC. Segundo Clive Bannister, diretor mundial de seguros do HSBC, esta tempestade vem se formando nos últimos anos e foi agravada pela crise financeira.

“A mudança demográfica, com o aumento da expectativa de vida e queda nas taxas de natalidade, a redução dos benefícios por parte de governos e de empresas, a queda nos rendimentos dos fundos dificultando o acréscimo do patrimônio acumulado, a interrupção dos depósitos por parte de empresas e indivíduos na poupança previdenciária em razão dos efeitos da crise são fatores que certamente podem comprometer o futuro da sociedade”, diz o executivo em mensagem gravada em vídeo e apresentada no lançamento da quinta edição do estudo.

“A sociedade vai ser melhor se criar o hábito de poupar”, reforça Fernando Moreira, presidente da HSBC no Brasil, durante o evento. “E poupar não é um fato conjuntural, ter ou não dinheiro. É cultural”, afirma, citando o exemplo dos chineses, que poupam, independentemente da faixa salarial, uma média de 30% da renda mensal. Já os americanos não poupam. Os europeus estão na média de 20% e os brasileiros por volta de 7%.

Segundo ele, o grande desafio para as empresas de previdência e governo é o investimento em educação financeira. Qual a idade de se aposentar com o efeito da longevidade? Quanto de reservas as empresas, os governos e as pessoas precisam fazer para ter uma sociedade saudável? E ao fazer a poupança previdenciária, onde aplicá-la, de forma a ter recursos para viver uma vida saudável na melhor idade?

A quinta edição do estudo, que ouviu 14 mil pessoas de 15 países, de 30 a 70 anos, sendo 1 mil pessoas entrevistadas no Brasil, relatou que, apesar do envelhecimento mundial da população, há uma imensa falta de preparação das pessoas em relação ao seu futuro, em muitos casos, como no Brasil, observado principalmente como conseqüência do baixo nível de compreensão de suas finanças atuais e de como estas poderão vir a ser no futuro. Um dado alarmante: 94% não estão preparados para o futuro. Apenas 6% dos brasileiros acreditam estar bem preparados para aposentadoria, enquanto são 13% no mundo.

Cerca de 35% dos brasileiros acreditam entender bem suas finanças de curto prazo, contra o dado mundial de 45%. Dois terços dos brasileiros (63%) nunca tiveram nenhuma forma de consultoria financeira profissional, acima da média mundial de 47%.

A crise econômica trouxe riscos para o futuro em termos de aposentadoria. Segundo a pesquisa, a turbulência afetou as finanças de 92% dos entrevistados, seja pela perda de emprego, por prejuízos em investimentos ou mesmo para pagamento antecipado de dívidas por não saber se perderá a renda com a nova modelagem mundial desenhada com a desaceleração da economia. Isso faz com que 19% afirmem que não vão se aposentar com a renda que pretendiam e outros 10% estão certos de que terão de trabalhar mais tempo para repor os recursos necessários no fundo para arcar com os custos necessários na aposentadoria.

Especialmente no Brasil, a queda da taxa básica de juros da economia requer uma revisão das taxas cobradas em fundos de acumulação de recursos, que hoje perdem para a mais tradicional das aplicações, a caderneta de poupança. Nos primeiros sete dias úteis de junho, a poupança somou R$ 2 bilhões em novos depósitos, já descontados os saques, segundo o Banco Central. O volume é maior que toda a captação líquida de maio, quando os depósitos somaram R$ 1,8 bilhão.

Com retorno menor, os fundos DI perderam R$ 2,2 bilhões, e os de renda fixa, R$ 1,7 bilhão nos primeiros sete dias úteis do mês, segundo a Anbid. “Há uma agenda de negociações com o governo para que as instituições adequarem seus custos a nova realidade de taxas de juros de um dígito e também de estímulos fiscais para quem quer poupar”, diz Moreira.

O incentivo fiscal é um pedido de boa parte dos entrevistados, como estímulo para organizarem suas poupanças individuais, uma vez que governos e empresas reduzem os benefícios concedidos. Cerca de 40% dos brasileiros são favoráveis ao encorajamento de poupança privada por meio de isenções fiscais, contra o dado global de 31%. Apenas 3% são a favor de aumento de impostos para pagar por melhores aposentadorias/ pensões sociais, bem menor que a média global de 13%. Pouco mais de 9% dos brasileiros são a favor de aumentar a idade limite da aposentadoria e apoiar as pessoas a trabalhar por mais tempo, quase metade da média global de 16%.

Quando o tema é a crise financeira, os brasileiros se mostram mais otimistas e os japoneses revelam o lado conservador de sua cultura. Embora o FMI espere que o Brasil permaneça em recessão durante 2009 e meados de 2010, 45% dos brasileiros esperam que a desaceleração deverá durar menos de 12 meses. Globalmente este percentual cai para 29%. No Japão, o índice dos que acreditam que a crise dura mais do que 12 meses supera 50%.

Muitos consideraram, no entanto, que a desaceleração deverá continuar a afetar-lhes por um tempo, mesmo depois de ter acabado, refletindo suas conseqüências no mercado de trabalho, no rendimento das poupanças e investimentos. Neste cenário, as famílias estão reduzindo despesas com grandes e pequenas compras e também pagando suas dívidas. Inclusive, a questão das dívidas é um tema forte para os brasileiros. 23% dos entrevistados a escolheram como um potencial obstáculo para economizar (em comparação com 18% a nível mundial). Outros 22% dizem que gostariam de procurar aconselhamento financeiro para ajudá-los a fazer escolhas melhores.

“A longevidade é um fato, o que resulta numa grande necessidade de incentivar a educação financeira na vida do brasileiro desde cedo. Somente com informação e planejamento, as pessoas poderão ter qualidade de vida na aposentadoria”, diz o presidente da HSBC Seguros. Segundo Moreira, o Brasil se defronta com uma sociedade em envelhecimento. “Neste cenário, vemos os indivíduos adquirindo mais necessidade de se responsabilizar pelo financiamento de sua aposentadoria, dado que a confiança de que os governos são capazes de cumprir com essa obrigação é baixa”.

A pesquisa conclui que como estratégia de sobrevivência à crise econômica, as pessoas focaram em reduzir suas despesas e dívidas. Como forma de solucionar a questão, o primeiro passo é a necessidade imediata de revisão das finanças pessoais e, principalmente, do aumento do acesso à educação financeira e ao aconselhamento profissional. “Cabe às instituições financeiras e ao governo estimular que as pessoas poupem para que tenhamos uma sociedade saudável no futuro”, finaliza Fernando Moreira.

Aon divulga alta de 20% na receita até abril

images7O otimismo das empresas brasileiras talvez seja o principal ingrediente para o Brasil amenizar os efeitos da crise mundial. O grupo Aon no Brasil é prova disso. Apesar da segunda queda consecutiva no PIB brasileiro, com o recuo de 0,8% no primeiro trimestre deste ano, a Aon informou que bateu recordes no País no primeiro quadrimestre de 2009, com receita 20% maior do que em 2008 no mesmo período.

Na cidade de São Paulo, maior fonte de faturamento das seguradoras, a receita da Aon cresceu 22%, enquanto as 11 filiais acumularam alta de 31% em comparação ao ano anterior. A área que mais cresce é a de benefícios, com evolução de 28%, seguida por ramos elementares, com 18%.

Segundo Marcelo Homburger, vice-presidente da unidade Aon Risk Services, o crescimento do grupo neste ano está fundamentado nos investimentos realizados na empresa através de produtos e serviços diferenciados, atendendo assim uma maior gama de segmentos.

Mesmo com a piora prevista pelos bancos, como mostra o aumento do spread bancário para empresas, a Aon aposta que o mercado de seguros continuará crescendo, devido ao espaço que ainda existe em produtos que estão sendo ofertados para empresas e para pessoas. A sinistralidade é um assunto que preocupa, principalmente em seguros patrimoniais e transportes.

Os produtos que tiveram melhor desempenho nas vendas do quadrimestre estão os de riscos de engenharia, garantia, gestão de saúde, previdência e gerenciamento de riscos. O ano também deverá trazer um estímulo a mais nas vendas em razão da definição das 12 cidades que sediaram os jogos da Copa de 2014. “Vemos oportunidades nos riscos de engenharia, garantias e em todos os investimentos necessários em infraestrutura que demandarão seguros”.

O objetivo da Aon é crescer 17% este ano em receita. A estratégia, informa, é continuar investindo na força comercial buscando novos negócios, foco na retenção de clientes, manutenção do time e buscar novas aquisições”. A próxima deverá ser anunciada em breve, disse José Felipe, presidente da Aon Risk, em nota.