E onde está o entusiamo?*

*artigo publicado na revista Apólice deste mês

Uma pesquisa feita durante um evento da KPMG em Nova York em setembro deste ano revelou um dado interessante se comparado ao Brasil. Entre os 271 executivos de seguradoras americanas pesquisados, apenas 9% colocam a indústria em uma forte posição nos próximos anos. Ou seja, um desânimo total.

Desanimo lá, entusiasmo aqui. Será mesmo? Aparentemente parece ser, mesmo com a falta de notícias de negociação de apólices. Mas temos discursos interessantes. Mais de 60 resseguradoras no primeiro ano de abertura do resseguro, executivos de bancos dizendo que o setor oferece um enorme potencial de ganho, vários projetos de infraestrutura que necessitam de apólices. Até mesmo o presidente Lula fala do potencial do crescimento de seguros. Quer até criar uma seguradora estatal.

Peraí. O governo, que tem o controle do mercado de grandes riscos através do IRB Brasil Re, liderou um monopolio por 69 anos, quer ampliar sua atuação no setor? Bem, isso só pode estar acontecendo para resolver uma situação problemática. Como a de Barack Obama. Ele quer mudar o sistema de saúde dos Estados Unidos porque o que existe hoje é inviável: caro e não atende às necessidades do consumidor e nem do governo.

Será que o mesmo está acontecendo no Brasil? As empresas privadas passaram anos lutando pela abertura do mercado de resseguro sem ter se preparado? E as resseguradoras, que tanto queriam a abertura, por que agora não ofertam capacidade?

É uma verdadeira catástrofe estar passando por este cenário. Sim, pois ter CSN sem seguro, Celesc sem seguro e Petrobras sem conseguir a cobertura necessária para proteger seu patrimônio é assustador. Se a explosão de uma fábrica de fogos em Santo André, São Paulo, é capaz de tirar vidas e deixar várias famílias sem sustento, imagine um acidente em maiores proporções.

E não são só riscos considerados “vultosos” que estão sem seguro. Corretores presentes em uma discussão sobre resseguro realizada em meados de setembro pela APTS em São Paulo informaram que até mesmo bons clientes, como médias empresas, estão sem cobertura pela falta de apetite das seguradoras, que por sua vez culpam os resseguradores. Estes repassam o problema para a crise mundial. Daí, como ninguém resolve, o governo decide intervir.

Um executivo de resseguradora, daqueles mais ferrenhos na briga pela abertura do setor, em recente conversa sobre este cenário, assumiu que acredita que o mercado de seguros brasileiro realmente não estava preparado para a abertura e que um comentário que se tornou comum é “éramos felizes com o IRB e não sabíamos”.

A minha memória rapidamente resgatou a estatização do seguro de acidente de trabalho ocorrido na década de 60. Imagine o governo resolver, em vez de abrir uma estatal, voltar a estatizar o resseguro? A única reação que tive foi dizer “Cruz credo!”, o que fez com que mudássemos de assunto.

Depois parei para refletir e fiquei com inveja dos americanos em ter um presidente decidido a resolver problemas pequenos, médios e grandes. Ele disse: “Não sou o primeiro presidente a tentar melhorar o sistema de saúde americano. Mas serei o último”.

Acredito que ele realmente conseguirá, mesmo com todo o lobby que as seguradoras têm feito no congresso americano. Ele avança na reforma com determinação em ter um sistema de saúde equilibrado. Como atua com ética, transparência e flexibilidade, aposto que sairá vencedor desta luta, que inicialmente lhe custou uma queda de ibope, já quase totalmente recuperada em menos de dois meses de atitudes coerentes e muita dedicação em esclarecer a sociedade sobre sua proposta.

Imagine se os corretores dissessem: “não sou o primeiro a tentar fazer o mercado de seguros crescer. Mas serei o último da minha geração a ver esta participação tão ínfima do setor no PIB de um país que está entre as dez maiores economias do mundo”. Ajudaria bastante.

O corretor é um agente que tem o poder de fazer a seguradora aceitar o risco e melhorar o produto. O problema é que muitos corretores não conseguem mostrar para as se/resseguradoras se o cliente é bom ou ruim em razão da falta de levantamento de dados.

Na dúvida, a desculpa da falta de capital gerada pela crise serve como escudo para a ineficiência. Se o risco é ruim, o segurado deve ser orientado sobre o que deve ser feito para mitigá-lo.

Em massificados, os corretores também têm grande poder de ajudar a mudar o setor, que ainda vende seguro de roubo para armário embutido, contou o promotor da Cidadania e do Consumidor de Jacareí (SP), José Luiz Bednarski, em sua palestra no seminário de Ética e Transparência realizado em setembro, em São Paulo. Podem exigir das seguradoras mudanças nos produtos “defeituosos” e mostrar ao consumidor a importância de ter sua vida e patrimônios protegidos.

E se levarmos em conta o atual momento, o corretor é a bola da vez. Roberto Setubal, do Itaú Unibanco, e Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil, disseram que o corretor é um importante canal de vendas. Jayme Garfinkel, Patrick Larragoiti, Acácio Queiroz, Antonio Cássio dos Santos, Luis Maurette, Max Thiermam também afirmam isto há tempos. Ainda mais agora diante de tanta competição.

Sendo assim, este é um momento ideal de conseguir boas negociações para os consumidores e evitar que eles fiquem insatisfeitos e o governo tenha de intervir. E podem usar outra frase de impacto, como a dita por Trabuco durante entrevista ao jornal Valor Econômico se alguém vier com aquele papo de que você é pequeno ou só vende automóvel: “A gente tem que respeitar as diferenças. E olha, cá entre nós, respeitar as diferenças é um negócio ultramoderno! É a tal da diversidade”.

Para manter o entusiasmo verdadeiro — não só da boca para fora — de todos com a indústria de seguros brasileira é preciso investir em atitudes sustentáveis: respeito por si mesmo, pelo próximo e pelo planeta.

BB vai comprar participação do governo no IRB

Veja a íntegra do Banco do Brasil propondo a compra da participação do governo no IRB Brasil Re divulgada hoje:

Em conformidade com o § 4º, do artigo 157, da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e com a Instrução CVM nº 358, de 03 de janeiro de 2002, o Banco do Brasil S.A. (“BB”) comunica que:

1. Dando prosseguimento ao processo de reorganização de sua área de seguros, conforme explicitado no item 1 do Fato Relevante de 06/10/2009, e no intuito de buscar complementaridade nas operações das suas seguradoras, o BB propôs, e a União Federal, por intermédio do Ministério da Fazenda, aceitou iniciar tratativas sem efeito vinculante, visando à aquisição de participação acionária no IRB–Brasil Re S.A. (“IRB”), observadas a regulamentação vigente e as condições inerentes às operações dessa natureza, notadamente a obtenção das autorizações prévias necessárias.

2. O IRB-Brasil Re é o maior grupo ressegurador da América Latina, com R$ 10,4 bilhões em ativos, R$ 1,8 bilhão em prêmios emitidos e R$ 940 milhões em prêmios retidos, posição de julho de 2009. A União Federal possui 100% das ações ordinárias do IRB e 50% do capital total.

3. Com 571 funcionários, a resseguradora contabilizou, em julho de 2009, patrimônio líquido R$ 1,9 bilhão, provisões técnicas líquidas de R$ 3,3 bilhões, sinistros retidos de R$ 834 milhões e lucro por ação de R$ 81,96. Mais detalhes podem ser encontrados no site da resseguradora (www.irb.gov.br).

4. Fatos adicionais, julgados relevantes, serão divulgados ao mercado de acordo com a evolução das tratativas.

Brasília, 15 de outubro de 2009.

Ivan de Souza Monteiro
Vice-presidente de Finanças, Mercado de Capitais e Relações com Investidores

Plano de previdência requer atenção*

1176463035xi0asd1*artigo escrito para a Revista Apólice

Quem poderia imaginar uma taxa de juros de um dígito no Brasil. Pois é. Poucos acreditavam que isto um dia aconteceria. Por isso, quase ninguém se dá conta do impacto da redução dos juros no plano de previdência. E aqui está uma grande oportunidade do corretor dar uma orientação relevante para o seu cliente.

Uma conta simples que todos podem fazer em site de corretoras, seguradoras, bancos ou de consultores financeiros é a simulação do impacto da taxa de juros no rendimento de longo prazo. Vamos imaginar que uma pessoa de 30 anos resolva poupar para a previdência. Com esta idade, poderá contribuir por 30 anos. Levando-se em conta a expectativa de vida, receberá seu benefício por 23 anos.

Se a disponibilidade deste cliente for de depósitos mensais de R$ 500, ele teria uma renda mensal de R$ 3,5 mil a partir dos 60 anos no ano passado, quando a taxa real de juro ainda era de 10% ao ano, época de vendas recordes de VGBL. Hoje, com a taxa Selic em 8,75% e juro real de 4,5% (descontada a inflação), a renda mensal desde mesmo plano cai para R$ 1,3 mil.

Isso aconteceu pois o principal item da simulação feita naquela época – a taxa de juro – mudou significamente. Há apenas dois anos, os juros estavam em 12,50% e há quatro, em 19,75%. Isso faz uma enorme diferença no planejamento da aposentadoria. Um impacto e tanto para a realização dos sonhos futuros. De deixar qualquer cliente preocupado e grato por ter sido alertado.

Há algumas saídas. Aumentar o valor do depósito mensal, ter um objetivo que exija menos recursos financeiros ou arriscar a aumentar o retorno financeiro do fundo correndo mais risco. Foi exatamente esta última alternativa que fez surgir nos Estados Unidos os fundos “life time” ou “life cycle funds”, lançados no Brasil em 2006 como fundos ciclos de vida pela BrasilPrev, Icatu e MetLife, ou fases da vida, como batizou o Itaú.

Esses fundos foram lançados para clientes com pouca experiência no mercado financeiro. Além de ter um forte coração para lidar com o sobe e desce das bolsas, o consumidor precisa entender um pouco de fundamentos econômicos para saber escolher ações de companhias promissoras, o momento mais oportuno de comprar e vender os papéis e ter tempo para cumprir a burocracia de negociar a carteira no dia a dia para atualizá-la. Pode também encontrar um home-broker ou optar pelos fundos “ciclo de vida”, onde os gestores de recursos fazem todo aquele trabalho citado anteriormente.

O objetivo desses planos é buscar um equilíbrio entre o tempo que o cliente tem para fazer a sua poupança e os riscos que pode correr nos diferentes períodos da vida. O cliente determina qual o valor que necessitará no futuro e quando precisará do dinheiro. Os gestores ficam com a responsabilidade de otimizar o retorno financeiro e proporcionar maior tranqüilidade no momento de utilização do patrimônio acumulado, calibrando as apostas em renda fixa e renda variável.

Quanto mais jovem, maior será a alocação dos recursos em ações. Na medida em que a data de realização do projeto de vida se aproxima, menor será o investimento em renda variável, com os ativos aplicados em um porto mais seguro, como os títulos de renda fixa públicos ou privados. Na Brasilprev, a recomendação é que se o resgate estiver programado para 2020, o percentual de ativos aplicados em ações passará, ao longo dos anos, de 20% para 30%. Se o limite for o ano de 2030, o percentual cresce de 34% para 42%, e, no último caso, para a data final de 2040, a migração é de 45% para 49%.

Apesar da aparente facilidade, é preciso acompanhar de perto o rendimento desses fundos, as notícias do mercado financeiro e se ele realmente está adequado à realidade do cliente. Afinal, a recente crise financeira adiou o sonho de milhares de americanos que no passado ficaram empolgados com as apostas no mercado acionário e mesmo estando perto da idade de se aposentar, tinham 90% do portfólio em ações, o que não é recomendado. Agora, o tempo de trabalho aumentou em média cinco anos para recuperar as perdas geradas com a crise e poder se aposentar com o que haviam planejado quando ingressaram no plano.

É necessário que fique claro para o consumidor o que ele está levando para casa, pois na maioria das vezes ele não é capaz de perceber isso sozinho. Muitos já estão atentos à necessidade de correr mais riscos. Em janeiro de 2008, cerca de 25% do dinheiro dos investidores estava em fundos de previdência com ações e 75%, nos de renda fixa. Atualmente, a relação mudou para 20% e 80%, respectivamente.

Como a bolsa praticamente recuperou as perdas do último trimestre de 2008 no primeiro semestre de 2009, os ansiosos que sacaram os recursos perderam. Por isso, é preciso ficar de olho na rentabilidade e nas taxas cobradas pelos fundos, principalmente neste período de ajustes de custos promovido pelas empresas de previdência. Afinal, um ponto percentual faz uma grande diferença em uma aplicação de longo prazo.

Santander lança produtos para crianças

images13O grupo Santander Brasil, que reúne os bancos Santander e Real, aproveita o Dia das Crianças para lançar o plano de previdência Prev Educar e os títulos de capitalização Din Din da Alegria, que têm parte da renda revertida para a ONG Doutores da Alegria. Trata-se de plano de previdência especialmente desenvolvido para apoiar os pais no planejamento do futuro da família, por meio de uma reserva financeira que contribuirá pagar a faculdade, a pós-graduação ou as primeiras iniciativas profissionais dos seus filhos.

“Este plano pode ser contratado também por tios, avós, padrinhos, enfim, por todos aqueles preocupados com a tranqüilidade financeira das crianças”, afirma Edson Franco, superintendente executivo de Previdência e Capitalização do Grupo Santander Brasil, em nota distribuída à imprensa.

O produto, vendido nas agências do Santander e do Banco Real, tem depósito mínimo de R$ 50 por mês e acumula os recursos, que são rentabilizados mensalmente. O próprio cliente define a data em que o beneficiário passará a receber uma renda mensal pelo período de cinco anos ou em que resgatará o valor total. “Durante o período de acumulação, recomendamos que o contratante faça aportes esporádicos ou atualize o valor da contribuição mensal, o que pode aumentar o valor da reserva financeira final quando for resgatada”, observa Franco.

Segundo o executivo, garantir um futuro estável e promover uma educação de qualidade para os filhos são preocupações constantes na vida dos pais. Tanto é assim que a contratação dos planos de previdência para menores cresceu 18% em julho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, superando os R$ 250 milhões, segundo dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi).

Canadá proibirá bancos de vender seguro na web

1102890390q81y8d11Os bancos do Canadá enfrentam um sério problema. O Canadá pretende proibir os grandes bancos de comercializar produtos de seguro em seus sites, segundo divulgaram hoje as agências internacionais. O ministro das Finanças do país, Jim Flaherty, informou que a alteração na regra será feita no início do próximo ano, segundo carta divulgada aos bancos. O mercado de seguros do Canadá movimenta US$ 108 bilhões.

Entre os maiores bancos do Canadá estão nomes como Royal Bank of Canada , Toronto Dominion Bank, Bank of Nova Scotia , Bank of Montreal e Canadian Imperial Bank of Commerce. Todos eles têm como objetivo aumentar as vendas de seguros, assim como no Brasil.

Trata-se de uma batalha liderada pelos corretores há muitos anos, pois com o avanço dos bancos na área de seguros os profissionais de vendas vem perdendo mercado nos últimos anos. A lei do Canadá proíbe a venda direta de seguros em filiais. Recentemente, no entanto, os bancos conseguiram autorização para vender seguro pela internet, segundo parecer de advogados dizendo que o site do banco não é considerado agência.

Os bancos se mostraram chocados com o anúncio do ministro da fazendo do Canadá e pretendem recorrer da medida, principalmente porque o negócio seguro se tornou importante fonte de rentabilidade para as instituições.

Tufão no Japão pode causar perdas de US$ 1,5 bi

images3As perdas para a indústria de seguros do tufão Melor ocorrido no Japão estão estimadas entre US$ 850 milhões e US$ 1,5 bilhão, segundo a AIR, empresa americana especializada em riscos de catástrofes.

Segundo as agências, pelo menos duas pessoas morreram e outras 32 ficaram feridas no tufão que obrigou mais de 11 mil pessoas a deixar as suas casas na ilha de Honshu, a maior do Japão. Os pedidos de indenização virão de perdas de segurados com destelhamento de imóveis e perda de conteúdo, em infraestrutura, com a destruição de pontes, e lucro cessante, com a paralisação de atividades consequente do corte de energia.

No Japão, as construções são adaptadas as catástrofes naturais freqüentes no país, o que ajuda a reduzir os estragos gerados com tufões e terremotos.

Parceria BB Mapfre visa a internacionalização

images11A parceria entre o Banco do Brasil e a Mapfre, anunciada hoje, vai além das áreas de ramos elementares, onde estão incluídos os seguros de carro, residência e empresas. Contempla também o seguro rural, o microsseguros, grandes riscos, seguro habitacional e o seguro de vida, incluindo o prestamista, que tradicionalmente garante o pagamento de dívidas de empréstimos em caso de morte, invalidez e desemprego. Vale lembrar que a carteira de crédito do BB é a maior do País, com mais de R$ 250 bilhões em junho destes ano.

Em pouco tempo o BB quer estender a parceria com o grupo espanhol para a América Latina, África, Estados Unidos e Europa. “A nova área de seguros acompanhará o banco em seu processo de internacionalização”, o presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine (foto), durante a coletiva de imprensa realizada em São Paulo.

Segundo o executivo do BB, o objetivo é ter menos sócios na área de seguros para assim poder avançar na conquista de 25% do mercado total de seguros em 2012, diante dos 10% que alega deter hoje, considerando seguros gerais, vida, saúde, previdência e capitalização. Por enquanto, efetivamente as ações tomadas são na oferta para comprar a participação da SulAmérica na Brasilveículos e na assinatura do protocolo de intenções com a Mapfre.

As parcerias nas áreas de saúde, capitalização e previdência ainda estão sendo discutidas. O BB e a Mapfre serão os controladores da holding BB Seguros, criada em setembro, que absorverá também a holdidng Aliança do Brasil, que em 2008 se tornou 100% controlada pelo BB. A BB Seguros, por sua vez, controlará a Brasilprev, a Brasilveículos, a Brasilcap, Brasilsaúde e Mapfre Nossa Caixa.

De acordo com Bendine, em 60 dias o processo de estruturação da nova companhia estará finalizado, devendo o BB ter uma participação minoritária, como algo nos moldes de 49% e 51%. “Não seremos sócios de parceiros que concorram com o BB”, afirmou Bendine. A Principal, atual parceira do BB em previdência, abriu uma asset no Brasil em 2007. A Icatu tem parceria com outros bancos em capitalização. A SulAmérica opera com outros 20 bancos. Fica a impressão que todos os sócios serão alterados e a saúde, um problema mundial que desagrada governos, empresas e consumidores, será um caso a parte para ser resolvido.

Segundo ele, a escolha da Mapfre se deu pela similaridade da cultura das organizações e também pela estratégia internacional de ambas. “Estamos em processo de espera da aprovação para a abertura de um banco de varejo nos Estados Unidos e temos mais de 150 mil clientes no Japão”, reforçou Bendine. A Mapfre, por sua vez, tem apresentado um crescimento acelerado nas operações internacionais. Nos EUA, por exemplo, comprou recentemente uma operação de seguro de carro.

“Nosso objetivo é atender a todas as necessidades dos brasileiros em seguros”, disse Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre no Brasil, que tem grande participação na implementação do microsseguros no Brasil. “Queremos levar proteção para todas as camadas da população, principalmente para a camada de menor renda.

Outro ponto destacado na coletiva de imprensa foi o seguro rural. “O agronegócio está na essência do Banco do Brasil e esta parceria visa ampliar ainda mais a atuação do banco neste segmento”, comentou Bendine. Cássio dos Santos reforçou: “A Aliança do Brasil (seguradora do BB) é a maior em vendas de seguro rural e a Mapfre a segunda maior, o que nos dará grande poder de competição neste ramo, principalmente porque a origem do grupo espanhol Mapfre vem da área agrícola”.

BB Mapfre passa a ser a segunda maior em auto

1173996187i0343l1A nova empresa que será formada pelo Banco do Brasil (BB) e pela Mapfre assumirá a liderança no ranking de faturamento nos segmentos de ramos elementares e vida caso a parceria anunciada seja aprovada pelos órgãos reguladores. Sem nome ainda definido – BB Mapfre é bom para o Brasil, mas na parceria internacional o nome Mapfre é mais conhecido –, o grupo BB Mapfre totaliza prêmios de R$ 4,9 bilhões entre janeiro e agosto deste ano sem considerar previdência e saúde, de acordo com dados apresentados durante a coletiva de imprensa em São Paulo.

Em segundo lugar neste mesmo ranking vem a Porto Seguro Itaú Unibanco Participações (Psiupar), cuja operação está prevista para ser aprovada somente em 2010, com prêmios de R$ 4,1 bilhões. O Bradesco vem em terceiro, com R$ 3,7 bilhões.

No ramo de automóvel, a Psiupar, controlada pela Porto Seguro, mantém a liderança absoluta, com prêmios de R$ 3,6 bilhões no acumulado do ano até agosto. BB Mapfre vem em seguida com R$ 1,8 bilhão. Bradesco passa a ser a terceira, com R$ 1,75 bilhão e SulAmérica a quarta, com R$ 1 bilhão.

Em seguro de vida, a BB Mapfre também mantém a liderança, com R$ 1,8 bilhão, seguida pela Itaú Unibanco com R$ 1,4 bilhão, e Bradesco, com R$ 1,4 bilhão. Em seguro rural a nova empresa detém a liderança disparada, com R$ 369 milhões dos R$ 526 milhões em prêmios gerados no setor até agosto.

Mapfre, a cartada certeira

images12O Brasil se tornou um porto seguro para os investidores estrangeiros neste período que já é chamado de pós-crise. Principalmente para os espanhóis, que enfrentam desemprego na casa dos 20% e retração do PIB estimada em 3,2% para este ano. Um cenário devastador para a indústria de seguros local. Tanto que as operações internacionais puxaram a rentabilidade do grupo. Enquanto no primeiro semestre do ano o lucro proveniente da Espanha caiu 10%, para US$ 530 milhões, as operações internacionais cresceram 32%, para US$ 273 milhões.

Ciente disto, o grupo Mapfre, o maior grupo de seguros da Espanha, com US$ 26 bilhões em faturamento nos 45 países onde atua, corre para aumentar suas fichas na América Latina e outros países emergentes. Se a negociação com o Banco do Brasil anunciada hoje for aprovada pelos órgãos reguladores, alterará de forma significativamente a indútria brasileira.

Segundo dados apresentados pelas empresas em coletiva de imprensa, com a aliança estratégica será criada a seguradora líder no segmento vida, com R$ 1,806 bilhão em prêmios, e a segunda maior seguradora de risco do país, com 16% de participação do mercado, envolvendo R$ 4 bilhões de prêmios ganhos nos sete primeiros meses de 2009.

Em automóvel, a nova empresa é superada agora apenas pela Porto, considerando a associação com o Itaú Unibanco. Porto fica com R$ 3,6 bilhões em prêmios e Mapfre BB com R$ 1,8 bilhão em prêmios no acumulado do ano até agosto.

A grande cartada foi em 2005, quando associou-se à Nossa Caixa. Um contrato de 20 anos. Na época, seus concorrentes acreditavam ser loucura pagar ágio de 46,6% no leilão, desembolsando R$ 225 milhões ao banco paulista, uma vez que era certa a consolidação do mercado bancário brasileiro. A maioria acreditava que a parceria seria rompida quando alguém engolisse o banco oficial paulista. Assim como aconteceu com a Tokio, quando a Real foi comprada pelo Santander ou outros tantas negociações com este mesmo fim.

Mas esta compra foi um dos mais certeiros de Antonio Cássio dos Santos (foto), presidente da Mapfre. Por fazer um contrato bem estruturado, amarrou a Mapfre a Nossa Caixa ou a um eventual comprador. A senha de saída é uma mala com milhões de dólares – algo estimado em R$ 5 bilhões para ficar com 51% da Mapfre Nossa Caixa, acertados com o governo paulista. Um valor difícil para um banco oficial conseguir levantar com rapidez. Para sua sorte, a Nossa Caixa foi parar nas mãos do maior banco do País, o Banco do Brasil, com um canal de distribuição com 12,5 mil pontos de atendimento, sendo 3.155 agências.

Não bastasse a força de vendas, a Mapfre tem ainda o apetite do banco oficial para ser o maior do segmento de seguros. A Itaú, por exemplo, por anos teve uma participação mediocre no mercado de seguros porque os controladores do banco não deixavam a seguradora explorar com eficiência a base de clientes. Ou seja, de nada adianta ter o canal e não poder usá-lo.

O que no caso BB e Mapfre está descartado. Pelo contrário. A parceria visa até mesmo romper as fronteiras, segundo disse o presidente do Banco do Brasil na coletiva. “A parceria com a Mapfre acompanhará o processo de internacionalização do Banco na África, Estados Unidos e também Europa”.

Eis a parceria perfeita. O que todos querem ver é a operacionalização. A Mapfre ainda concilia seus programas operacionais, dizem os concorrentes. O que eles desconhecem é que mundialmente o grupo investiu pesado em tecnologia e já é dono de um know how de primeira linha em venda cruzada.

O Banco do Brasil, como todo banco estatal, tem suas deficiências no que se refere a agilidade de tomar uma atitude como investimento e compras de equipamentos. Ainda mais agora, com o processo de consolidação da Nossa Caixa. No entanto, foi bem assessorado e aconselhado a manter o controle da nova empresa de forma privada e assim garantir agilidade em processos decisivos, sem precisar de licitações ou outras pesadas burocracias.

Podemos enfrentar um período de turbulência inicial, típico de uma negociação de tamanho porte. Ainda mais tendo o Banco do Brasil a antipatia dos corretores de seguros. Mas isto trará uma mudança enorme para o mercado de seguros, não só no Brasil como na América Latina, onde a Mapfre está presente há 25 anos.

Veja fato relevante da SulAmérica

Veja a seguir a integra do fato relevante da SulAmérica enviado hoje à CVM.

Em atendimento ao disposto no artigo 157, §4º, da Lei nº 6.404/76, e na Instrução CVM nº 358/02, a Sul América S.A. (“Companhia ou SulAmérica”) comunica aos seus acionistas e ao mercado em geral que, nesta data, recebeu carta do Banco do Brasil S.A. (em conjunto com sua controlada BB – Banco de Investimento S.A., “Banco do Brasil”), em que este manifesta interesse em adquirir a totalidade da participação detida por controlada da Companhia na Brasilveículos Companhia de Seguros (“Brasilveículos”), representativa de 60% do capital social votante e 30% do capital social total.

Caso as tratativas evoluam, eventual negócio envolvendo a Brasilveículos será oportunamente submetido aos competentes órgãos de administração da SulAmérica, sendo que qualquer acordo depende ainda de negociações entre as partes e das aprovações societárias e regulatórias pertinentes, não havendo, por enquanto, qualquer proposta de preço, pré-contrato, compromisso ou garantia quanto à sua realização.

A Brasilveículos representou, em 2008, 13,5% da receita consolidada da SulAmérica e 3,7% de seu lucro líquido recorrente, considerada a participação acionária da controlada da Companhia. O eventual término da associação da SulAmérica com o Banco do Brasil no segmento de seguro de automóveis em nada modificará os demais negócios e atividades da Companhia e de suas controladas, seja no próprio segmento de seguros de automóveis, seja nos demais ramos elementares em que atua, ou, ainda, nos negócios de seguro saúde, seguro de vida, previdência e gestão de ativos.

Com respeito à Brasilsaúde Companhia de Seguros, na qual a SulAmérica, por meio de sociedade controlada, detém participação de 50,05% do capital total e votante, SulAmérica e Banco do Brasil manifestaram interesse recíproco em rever o seu modelo de negócios e a sua estrutura acionária.

Por fim, a Companhia esclarece que, nos termos da Instrução CVM nº 358/02, informará os seus acionistas e o mercado em geral caso venha a ocorrer qualquer ato ou fato relevante em seus negócios em decorrência das informações aqui divulgadas.

Rio de Janeiro, 06 de outubro de 2009.
Arthur Farme d’Amoed Neto
Diretor de Relações com Investidores