Nestes oito anos após o fatídico 11 de setembro, dada marcada pelos atentados terroristas contra os Estados Unidos, a indústria de seguros contabilizam pagamento de US$ 39,5 bilhões em indenizações que ajudara a reconstruir a destruição causada pelo atentado que causou a morte de quase 3 mil pessoas. Este é o segundo mais caro evento coberto pela indústria de seguros nesta década, superado apenas pelos furacões de 2005, com indenizações de US$ 40 bilhões.
Segundo estatísticas do Insurance Information Institute (III), as indenizações por interrupção de negócios consumiram a maior parte do total pago pelas perdas em 11 de setembro, com 33% do total. Danos a propriedades representaram 19% do valor, seguido por responsabilidade civil com 12%, as torres gêmeas com US$ 4,3 bilhões (ou 11% do total), compensações trabalhistas com 6%, seguro de vida com 3%, cancelamento de eventos com 3% e indenizações pelo casco dos aviões com 2%.
O preço do seguro de responsabilidade civil de executivos, conhecido como Directors & Officer, continuou apresentando queda de 5% para as empresas comerciais no segundo trimestre do ano, revela pesquisa divulgada na última sexta-feira pela corretora de seguros Willis, a terceira maior do mundo. E a tendência é de que o preço continue caindo no terceiro trimestre deste ano, em boa parte pelo resultado do julgamento das ações. Muitas das ações tem julgado que houve fraude do administrador, o que está excluído do pagamento de seguro.
O preço do seguro para as instituições financeiras continua elevado, pois elas ainda são vistas como um segmento muito arriscado pelas seguradoras em razão do volumoso número de processos de acionistas contra executivos financeiros por perdas com a crise financeira global.
As empresas comerciais estão sendo beneficiadas em parte pela disputa na renovação dos contratos de resseguro, onde a média de preços ficou 6% menor, e também pela entrada de novos competidores no segmento. Porém a severidade na subscrição de riscos permanece para todos os setores.
Para o Brasil, esta é uma boa notícia. Além da redução de preço mundial, a disputa no mercado brasileiro está cada dia mais acirrada com a entrada de novos participantes dispostos a conquistar um mercado ainda pouco explorado e com regulamentações e punições que se tornam realidade. Segundo matéria publicada pelo Jornal Valor Econômico na última semana, a justiça já penhorou mais de R$ 42 bilhões desde a criação da penhora online.
As punições da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também estão mais severas. Entre os vários casos solucionados pelo órgão fiscalizador na semana passada, está o do presidente da CSN, Beijamin Steinbruch, que concordou em pagar R$ 350 mil para encerrar um caso onde foi acusado de não divulgar fato relevante sobre a negociação com a Corus.
O estudo da Willis pode ser acessado no www.willis.com/Documents
A ACE Seguradora fechou um contrato que permite a colocação de proteções específicas para passageiros em viagens nacionais e internacionais. Os produtos de seguro serão comercializados em cerca de 10 mil agências de turismo distribuídas em mais de 50 países, por meio dos serviços da Travel Ace Assistance.
Segundo nota divulgada pelo grupo, o contrato, fechado em parceria com a corretora Interface, inclui cobertura de responsabilidade civil profissional, que concede proteção contra eventuais falhas profissionais dos agentes e operadores de turismo que trabalham em parceria com a Travel Ace, atraso ou extravio de bagagem, cancelamento de viagem, morte acidental ou invalidez permanente total por acidente, dentre diversas outras proteções assessórias e adicionais.
A seguradora holandesa Fortis anunciou hoje que fechou um acordo milionário para vender seguro de carro e residência com o braço financeiro do grupo Tesco, maior rede de supermercados do Reino Unido. Segundo as agências internacionais, as vendas anuais de seguros aos clientes do Tesco chegam a US$ 800 milhões.
Com a criação de uma nova empresa, com investimentos de US$ 330 milhões, da qual a Fortis é majoritária com 51% do controle, a perspectiva é de que as vendas com a nova parceria deverão crescer ainda mais. A boa notícia para o Reino Unido, que exibe um elevado índice de desemprego, é a criação de 1,5 mil postos de trabalho.
A comercialização de seguro por meio de canais alternativos de venda tem sido um alvo das seguaradoras em todo o mundo como uma forma de aumentar as vendas e reduzir custos. Após a crise, esta alternativa se tornou ainda mais procurada, uma vez que as empresas parceiras, principalmente as varejistas, obtém um forte incremento nas receitas financeiras com a comissão que recebem por ceder o balcão às seguradoras.
No Brasil esta estratégia já está consolidada. O que se vê atualmente é mais a troca de parceiros do que a conquista de novos clientes. O Magazine Luiza, por exemplo, abriu uma seguradora em parceria com a Cardif. Já redes como Casas Bahia optaram por fechar acordos com várias seguradoras. A Renner partiu para uma parceria mais exclusiva com a Porto Seguro para ter um controle maior da operação.
Há uma forte tendência das discussões para renovações dos contratos de resseguros no início de 2010 se concentrarem mais em capacidade e riscos do que na busca frenética por preço, segundo declarações à imprensa dadas por Jean-Philippe Thierry, presidente do comitê organizador do encontro de resseguradores em Monte Carlo Rendez-Vous 2009 e presidente da Assurance Générale de France. O tradicional evento anual teve início no dia 7 e termina hoje em Mônaco.
Para ele, as discussões entre resseguradoras e seguradoras que começaram em Monte Carlo estão focadas mais na segurança e no gerenciamento de risco do que em uma concorrência de preço. A crise financeira, segundo ele, também pode ser uma boa forma de aumentar preços, mas no final o bom risco determinará o pacote de seguro que comprará e a ocorrência de catástrofes limitará a oferta de capacidade, uma vez que as resseguradoras ainda se recuperam das perdas geradas pela crise financeira e pela safra de furacões do ano passado.
Com matérias nos principais jornais, a pesquisa da FGV diz que a melhora na distribuição de renda no país e a subsequente queda na desigualdade está contribuindo para a área de microsseguros ser o produto da próxima década, assim como o microcrédito tem sido para esta.
Segundo o economista-chefe do Centro, Marcelo Cortes Neri, “o microseguro guarda a promessa de ser na próxima década o que o microcrédito foi no mundo nas últimas duas décadas”. Atualmente, a faixa A e B (renda acima de R$ 4,8 mil) responde por 46% da demanda. As classes C (até R$ 4,8 mil), D (R$ 1,1 mil) e E (R$ 800), que representam 85% da população, contribuem com 15,6%, 4,1% e 1,4% do total de seguros no País, respectivamente. Em todas as classes, a maior preocupação é a saúde. Cerca de 16% da população brasileira já possui algum tipo de seguro – em sua maioria, seguro saúde (12,9%), seguido de seguro de vida (4,3%) e automóvel (2,9%).
No período entre 2003 e 2008, cerca de 27 milhões de pessoas, o equivalente a metade da população da França, saíram das classes D e E, e passaram a fazer parte das classes ABC, a chamada “nova classe média brasileira”.
Um mercado e tanto para os executivos de seguros conquistarem com produtos sustentáveis e evitar o desgaste de imagem que as seguradoras de saúde dos EUA enfrentam hoje, o que acaba atingindo a credibilidade do setor como um todo.
E parece que todos querem realmente conquistar este público. Veja as declarações dos principais executivos do mercado financeiro nas últimas semanas. Itaú Unibanco apostou no setor ao associar-se a Porto Seguro. Banco do Brasil prepara uma engenharia financeira para ser um dos maiores em poucos anos.
No Bradesco, o assunto é “eixo do negócio. “Acredito que o seguro será a indústria que mais vai crescer no século XXI. Podemos ver que é a única que pode quantificar, qualificar e proteger do risco. Assim, me coloco como parceiro e amigo do seguro nacional”. A afirmação é do presidente do Banco Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, ao ser homenageado pelo Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro (CVG-RJ), durante a realização da 33ª edição de sua tradicional festa dos Destaques 2008-2009 no último dia 8.
Dez dos principais executivos de resseguradoras estiveram presentes no último sábado para comunicar a criação de uma associação mundial de resseguros – Fórum Global de Resseguros (FGR), que terá Denis Kessler, diretor executivo da SCOR RE, como presidente, e Patrick Thiele, presidente da PartnerRe como vice-presidente.
Segundo informaram os executivos, o objetivo da associação é ajudar as resseguradoras a conviver com o momento de mudança trazido com a crise mundial, principalmente no que diz respeito as novas regras que regulamentarão o mercado, como Solvência II.
Além das regras de capital de risco, estão sendo preparadas outras regras para terem uma abrangência mundial pelos órgãos reguladores dos principais mercados financeiros do mundo, principalmente no que diz respeito a securitização. “Estas questões não podem ser tratadas apenas nos Estados Unidos, Europa ou Japão. Precisamos de uma voz global para tratar de questões globais “, disse ele.
A criação da associação é visto como um passo importante pelo setor, uma vez que mesmo sendo o resseguro uma atividade globalizada, não havia uma entidade que representasse globalmente o setor. A associação, segundo seus membros, pretende complementar e não substituir as relações já existentes. “Acreditamos na concorrência leal e a associação visa promover o valor do resseguro na economia global”, disse Kessler.
Também fazem parte do conselho do FGR Nikolaus von Bomhard da Munich Re, Hiroshi Fukushima da Toa Reinsurance, Lord Peter Levene do Lloyd’s, Lippe Stefan da Swiss Re, Montross Tad da General Re, Michael McGavick da XL Capital, Robert F. Orlich da Transatlantic Holdings, Greig Woodring do Reinsurance Group of America, e Wallin Ulrich da Hannover Re.
Depois da Fitch e Moody’s alterarem de estável para negativo a perspectiva da indústria de resseguros na semana passada, a AM Best e a Standard Poor’s anunciaram perspectiva estável para as resseguradoras, durante apresentações no 53º Rendez-Vous de Septembre, encontro anual dos resseguradores, que começou no dia 4 em Monte Carlo e se encerra no dia 10.
Segundo as agências internacionais, John André, vice-presidente da Fitch, na próxima semana a classificadora de riscos deverá afirmar, em sua revisão, boa parte dos ratings das resseguradoras de ramos elementares. A melhora da perspectiva do setor, explicou, é a disciplina na subscrição de risco que boa parte das companhias vem adotando como forma de manter uma base sólida de capital.
O crescimento nos mercados emergentes foi outro fator que contou pontos positivos na avaliação da A.M.Best, que entrevistou diversos executivos de resseguradoras para poder emitir a avaliação. Segundo o executivo, a recuperação da crise financeira está acontecendo mais rapidamente nos mercados emergentes, o que pode acarretar em bons negócios, e rentáveis, para as resseguradoras.
O cenário internacional da indústria de seguros em 2010 começa a ser desenhado com a realização de dois dos principais encontros anuais. O primeiro deles é 53º Lês Rendez –Vouz Montecarlo 2009, que começa hoje e vai até o dia 10 de setembro, e o 25º Baden Baden, nome da cidade no sul da Alemanha, conhecida como refúgio dos milionários alemães, onde o evento será realizado entre 25 e 29 de outubro.
Tanto Montecarlo como Baden-Baden são uma tradição no setor. Ambos representam um mergulho de uma semana do resseguro, onde os resseguradores se encontram com seguradoras para começarem a conversar sobre as renovações dos contratos de resseguros para o ano seguinte. Há várias palestras, onde as tendências aparecem, envolvendo preços, capacidades, além dos principais problemas que o setor vivencia.
Montecarlo começa oficialmente dia 7, segunda-feira. Mas, na verdade, as discussões começam hoje, com boa parte dos participantes chegando ao adorável principado de Mônaco para aproveitar uma das mais famosas cidade da costa francesa.
Estão inscritos mais de 2,5 mil participantes de 80 países, entre resseguradores,seguradores e corretores, para discutir, prioritariamente, os ensinamentos da crise mundial que levou boa parte do capital de algumas companhias da indústria de seguros, o que abriu uma onda de consolidação em todo o mundo.
Em 2008, o evento em Montecarlo sinalizou o fim do ciclo de queda das taxas de seguros e de resseguros (soft market), que foi substituído por uma forte elevação de preços (hard market), falta de capacidade de cobertura e exigências rigorosas para a subscrição de riscos. Porém, a situação neste ano é mais animadora do que a de 2008, quando as catástrofes naturais causaram perdas econômicas de US$ 200 bilhões, sendo US$ 40 bilhões provocadas pelos furacões Gustav e Ike. Além disso, a indústria já contabilizava perdas superiores a 10% de seu capital com a volatilidade dos mercados acionários.
Neste ano, a crise de liquidez parece quase totalmente superada, porém ainda tem um custo elevado para quem precisa captar recursos no mercado de capitais. As catástrofes permanecem num nível inferior ao do ano passado, com exceção do mercado aeronáutico, com registrou no primeiro semestre deste ano vários acidentes, inclusive a queda do AIR France na costa brasileira em junho, com a morte de 228 pessoas.
Outros dois seguros enfrentam problemas e devem ainda apresentar taxas elevadas. Um deles é o seguro de responsabilidade civil de executivos, conhecido como D&O, em razão do alto índice de processos movidos por acionistas contra administradores de instituições financeiras, e também o de transporte de mercadorias em navios que transitam nos mares da África, região alvo dos piratas.
Diante deste cenário, a tendência é de que as taxas e condições de resseguros de riscos patrimoniais voltem a patamares normais nas renovações de janeiro, mês do ano com maior concentração de negócios da indústria, seguido pelo mês de abril.
A aposta é de uma parada no aumento de preços, o que não significa redução. Alguns resseguradores alegam que alguns segmentos podem apresentar alta nas taxas, que ainda não voltaram aos patamares de 2006, seguido por dois anos seguidos de quedas bruscas causadas pela concorrência desenfreada.
As tendências verificadas no encontro de Montecarlo são a base de o Baden Baden. No encontro do ano passado, o presidente da Munich Re, Nikolaus von BomHard, preconizou aumento de dois dígitos nas taxas de resseguros para recompor o capital das empresas afetado pelas perdas financeiras acarretadas pela crise mundial. Seus concorrentes foram mais conservadores. O que se viu, no entanto, foi um aumento médio de 15%.
Outro assunto destacado no ano passado era a necessidade urgente de mudanças nas agências de rating em razão dos problemas da AIG, que levou US$ 180 bilhões do governo dos EUA para evitar um efeito dominó de falências. Neste ano, uma nova regulamentação para a indústria, principalmente no que diz respeito a derivativos, e as consequências das mudanças climáticas são outros temas de destaque dos dois eventos.
A programação completa dos eventos pode ser acessada nos sites http://www.rvs-monte-carlo.com e www.badendirectory.com
Os promotores de cidadania e do consumidor sempre têm casos interessantes para contar. Afinal, o dia a dia destes profissionais é estudar as queixas que chegam a eles sem acordo entre as partes. Dois casos engraçados foram contados pelo promotor da Cidadania e do Consumidor de Jacareí (SP), José Luiz Bednarski, durante sua palestra no 8º Seminário Ética e Transparência na Atividade Seguradora, em São Paulo, realizado em agosto de 2009.
Segundo ele, há alguns produtos “defeituosos” vendidos no mercado de seguros. Um deles é o seguro contra roubo para armário embutido. Isso mesmo.
“Tenho o caso de uma senhora, que acabara de ficar viúva e estava com o dinheiro do pecúlio do falecido marido. Foi até uma loja do Ponto Frio para comprar um paneleiro. Um armário para guardar suas panelas. Segundo ela, o preço estava ótimo. R$ 400.
Disse ao vendedor que levaria e pagaria à vista. Minutos depois o vendedor voltou e disse que havia se enganado no preço e que o valor era R$ 500. Apesar de consciente de seus direitos, sobre poder levar pelo preço informado no início da conversa, manteve a compra porque realmente tinha gostado do armário.
Quando chegou em casa e colocou óculos, se deu conta que os R$ 100 a mais se referiam a um seguro contra roubo. Voltou à loja para dizer que queria seu dinheiro de volta, pois não pediu o seguro. O vendedor que a atendeu disse que a velha senhora teria de procurar outro departamento, pois ele tratava apenas de vendas. Seguro era em outro lugar.
Bem, resumindo, o caso foi para a Justiça, que mandou a varejista e a seguradora devolver o dinheiro e pagar dez salários mínimos de indenização por danos morais.
Este fato ilustra bem o que quero dizer. É preciso fazer uma varredura nos seguros defeituosos. Imaginem o ladrão chegar na sua casa e dizer: fique tranquila minha senhora. Não quero roubar a sua tevê de plasma. Só me empresta uma chave de fenda que quero roubar o seu paneleiro!!!!!”
Realmente, esta história foi engraçada e demonstra que as seguradoras que usam vendedores de lojas precisam investir muito em treinamento, evidenciando que fazer uma boa venda, pautado pela ética, é mais lucrativo do que a ilusão do ganho imediato.
Um outro produto defeituoso citado pelo promotor foi alguns tipos de seguro desemprego. “Um senhor, demitido da Embraer no auge da crise, entre outros 4,2 mil que foram desligados pela empresa aérea em 19 de fevereiro deste ano, pensou que no meio de tanta notícia ruim pelo menos tinha um consolo. O seguro desemprego comprado pelo cartão Carrefour. Quando ligou para pedir a indenização foi informado que o seguro não cobria desemprego em massa”. A plateia deu gargalhadas. Porém, a situação é dramática para quem a viveu. Pior ainda se levarmos em conta que a indústria de seguros está apenas embrionária no Brasil.
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