Swiss Re desenha resseguro para governos

12281077459apk8w1Assim como os gargalos da infraestrutura comprometem o crescimento do Brasil, encontrar capacidade suficiente para o seguro garantia tem atrapalhado a concretização de estruturas financeiras complexas que financiam os empreendimentos brasileiros. A parte a incansável discussão sobre a criação ou não da seguradora estatal, há produtos no mundo que podem contribuir para mitigar os riscos inerentes de megaempreendimentos que não começam sem antes ter um seguro. Assim como no Jurassic Park. Toda a trama do filme começa com o empreendedor do projeto levando seguradores para o parque e assim conseguir o seguro que daria o aval para a abertura do local.

Como no filme, muitos empreendimentos só saem do papel depois de uma apólice de seguro que garanta o retorno dos investimentos, aconteça o que for. Muitas vezes, usar um exemplo de referência e adaptá-lo as necessidades do cliente pode ser uma boa solução. Assim como a indústria de seguros tem tropicalizado váris produtos de seguros, o mesmo pode ser feito no resseguro.

Recentemente, a Swiss Re anunciou um tipo de resseguro que pode ser adaptado para as necessidades brasileiras e assim estimular mais o uso de produtos da indústria de seguros na estruturação dos grandes financiamentos para empreendimentos de infraestrutura no Brasil. Em julho, foi assinado um acordo histórico com o Alabama State Insurance Fund (“SIF”), proporcionando três anos de cobertura de seguro paramétrico para a exposição primária a catástrofes decorrentes de furacões. As soluções paramétricas indenizam o segurado com base nas características físicas do desastre. O pagamento pode ser utilizado para qualquer fim, incluindo custos de medidas emergenciais, reposição da perda de receita de impostos e financiamento para cobrir o aumento dos custos de seguro.

Segundo nota da Swiss Re, este acordo assinala a primeira vez que o governo de um estado norte-americano utiliza uma modalidade tão inovadora para transferir ao setor privado sua exposição financeira advinda de catástrofes naturais. É um passo crucial para enfrentar os custos potencialmente enormes associados a desastres da natureza.

“Temos o prazer de trabalhar com o Alabama State Insurance Fund, apoiando suas necessidades de gestão de riscos através deste programa pioneiro em sua modalidade”, comenta Raj Singh, membro do Comitê Executivo e Diretor Executivo de Riscos da Swiss Re, em nota. “Até agora, os governos – e por fim os contribuintes – acabavam tendo que arcar com a responsabilidade de pagar as despesas emergenciais e de reconstrução bem depois de ocorrido o desastre. Em outros países, a Swiss Re tem trabalhado com êxito junto às organizações governamentais para dar conta dessa exposição.

Segundo a resseguradora, essas soluções inovadoras são aplicáveis a estados de quaisquer dimensões e podem ser adotadas em estados dos EUA onde haja exposição econômica a catástrofes – como furacões, incêndios florestais, terremotos, entre outras.”

Ben Spillers, Gestor de Riscos do Departamento de Finanças do Alabama, informou na nota que a negociação representa um marco para o estado do Alabama em termos de identificação e gestão dos principais riscos. “Simplesmente com base na velocidade dos ventos de um furacão, podemos agora receber rapidamente fundos para cobrir nossos custos imediatos. Nossa responsabilidade pela proteção dos cidadãos do Alabama nos inspira a trabalhar com uma indústria líder como a Swiss Re, que tem uma considerável experiência de cooperação com entidades governamentais.”

A Swiss Re tem uma longa história de sucesso na oferta de soluções inovadoras e individualizadas para a transferência de riscos a governos, bancos de desenvolvimento internacionais e organizações não governamentais, tendo em vista auxiliá-los a enfrentar as consequências financeiras dos maiores eventos catastróficos.

Em 2009, a Swiss Re colaborou com o Ministério das Finanças do México e o Banco Mundial para desenvolver o programa MultiCat Mexico, oferecendo uma cobertura de US$ 290 milhões para terremotos e furacões. A cobertura de seguro proporciona ao México fundos emergenciais após um grande desastre, dando apoio ao governo para responder às necessidades pós-desastre dos cidadãos.

A Swiss Re é também a resseguradora líder da Caribbean Catastrophe Risk Insurance Facility (CCRIF), a primeira solução de seguro paramétrico que cobre vários governos regionais do Caribe. Testemunhando as capacidades das soluções paramétricas, a apólice de CCRIF para o Haiti foi acionada em seguida ao terremoto de janeiro de 2010, fornecendo ao governo haitiano os fundos emergenciais mais necessários logo após o desastre.

Com a conclusão da negociação do State Insurance Fund, o governo do Alabama comprovou que soluções semelhantes podem ser disponibilizadas para cobrir os riscos de desastres nos Estados Unidos assim como em outras regiões.

Swiss Re lucra US$ 812 milhões no trimestre

lippeA Swiss Re reverteu o prejuízo do ano passado e divulgou lucro líquido de US$ 812 milhões no segundo trimestre de 2010, apesar do ambiente de mercado desafiador, com volatilidade nos mercados acionários, fraco crescimento econômico e dois importantes eventos catastróficos neste ano, como o terremoto no Chile e o pior desastre ecológico já registrado com a explosão da plataforma da British Petroleum no Golfo do México.

“Os negócios da Swiss Re tiveram bom desempenho no segundo trimestre de 2010. Nosso poder de geração de lucros continua forte e tiramos proveito, este trimestre, de um resultado excelente na área de Gestão de Ativos”, comentou Stefan Lippe (foto), executivo-chefe da Swiss Re em comunicado.

Nos últimos dois anos, a resseguradora reposicionou a carteira de (res)seguro para um mercado menos aquecido. “As renovações de julho de 2010 demonstraram que continuamos a nos concentrar na gestão de ciclos disciplinados, tendo a lucratividade com nossa prioridade clara”, acrescentou.

O patrimônio líquido aumentou em US$ 1,3 bilhão, chegando a US$ 27,5 bilhões no segundo trimestre de 2010. O retorno sobre o patrimônio no segundo trimestre de 2010 foi de 13,4%, em comparação com os –7,4% no mesmo período do ano anterior. Os ramos elementares registraram um resultado operacional de US$ 455 milhões, em comparação com os US$ 896 milhões no mesmo período do ano anterior, mantendo a lucratividade das subscrições, apesar das altas indenizações reclamadas.

Conforme divulgado, o resultado sofreu o impacto do aumento de US$ 130 milhões nos sinistros estimados devido ao terremoto no Chile, chegando a US$ 630 milhões, e sinistros estimados em cerca de US$ 200 milhões no caso da explosão da plataforma Deepwater Horizon, antes dos impostos, em ambos os casos. A sinistralidade combinada para o segundo trimestre de 2010 foi de 102,0% (ou 100,2% se excluirmos a reversão de descontos), em comparação com os 89,4% (87,6%) no mesmo período do ano anterior.

Os segmentos de vida e saúde alcançaram lucro operacional de US$ 142 milhões no segundo trimestre de 2010, em comparação com o prejuízo operacional de US$ 8 milhões no mesmo período do ano anterior. A melhora no resultado operacional se deve aos resultados visivelmente melhores em anuidades variáveis, compensados em parte pela queda dos retornos oferecidos pelos investimentos. A relação de benefícios aumentou para 93,5%, em comparação com os 78,6% no mesmo trimestre de 2009.

A gestão de ativos teve excelente desempenho, com resultado operacional de US$ 1,2 bilhão no período, em comparação com US$ 472 milhões no segundo trimestre de 2009. O retorno anualizado sobre os investimentos foi de 5,8% no segundo trimestre de 2010, comparado com 0,5% no segundo trimestre de 2009. O retorno total sobre o investimento durante o trimestre atingiu o excelente nível de 13,2%, em comparação com os 2,4% para o mesmo período no ano anterior. Os resultados também sofreram a influência positiva de ganhos de câmbio e ajustes dos investimentos ao mercado.

No segundo trimestre de 2010, a Swiss Re continuou a reduzir significativamente os riscos da carteira legada, com a venda de todas as posições restantes da antiga Structured CDS e a comutação de US$ 1 bilhão de exposição referencial na Financial Guarantee Re. No segundo trimestre de 2010, a carteira legada gerou um prejuízo operacional líquido de US$ 54 milhões.

Perspectivas – “No futuro, vamos continuar a consolidar nossos pontos fortes. A expectativa é de que o setor de resseguros tenha um crescimento moderado, porém estável, nos próximos anos. Prevemos que o mercado de ramos elementares cresça, em média, 6,5%, e o de vida e saúde, 3,7% ao ano na próxima década. A Swiss Re está bem posicionada para atender a demanda desses mercados e se tornar a participante líder no setor atacadista de (res)seguros”.

Lucro da XL Capital sobe 140% no segundo tri

A XL Capital divulgou lucro líquido de US$ 319,8 milhões no primeiro semestre de 2010, 23,8% acima dos US$ 258,3 milhões do mesmo periodo do ano anterior. No segundo trimestre, o ganho aumentou 140%, para US$ 191,8 milhões, comparado com US$ 79,9 milhões do mesmo período do ano anterior. Os prêmios de ramos elementares apresentaram incremento de 1,4%, para US$ 3,43 bilhões. Ja os prêmios de seguro de vida apresentaram queda de 28%, para US$ 205 milhões. O índice combinado de seguros gerais aumentou quatro pontos percentuais, para 96.4%.

Munich Re lucra € 1,19 bi no primeiro semestre

munich-reA Munich Re divulgou ontem lucro líquido de € 1,19 bilhão no primeiro semestre de 2010, o que significa que está a caminho de atingir o lucro de US$ 2 bilhões projetado como meta no início do ano. Depois das catastrofes do primeiro trimestre, como o terremoto no Chile e o vazamento de óleo da Brithish Petroleum, a resseguradora alema temeu nao atingir o alvo do ano. No entanto agora, com o resultado do primeiro semestre, o otimismo voltou e os executivos acreditam ser possivel.

O lucro do segundo trimestre foi o mais significativo para compor o resultado, com € 709 milhões, 1,7% acima dos € 697 milhões do mesmo periodo do ano passado. O lucro operacional chegou a € 1.45 bilhão no segundo trimestre, em comparação com € 1,37 bilhão no mesmo período do ano passado. No semestre o lucro operacional foi de € 2,2 bilhões, contra € 2,1 bilhões no mesmo período do ano passado.

O índice combinado, no entanto, apresentou piora com as catastrofes, passando de 97% para 106,4% no semestre e de 98,4% para 103,8% no segundo trimestre.

Lucro da Porto no trimestre sobe 103%

A Porto Seguro viu seu lucro líquido mais do que dobrar no segundo trimestre do ano, fechando o período em R$ 136,3 milhões, 103% superior aos R$ 67 milhões reportados no mesmo periodo do ano passado, segundo balanço divulgado ontem pela seguradora. Os prêmios cresceram 46%, para R$ 1,85 bilhão. Automóvel ficou com 68,4%, Saúde com 9,6% e Patrimonial com 8,1%.

Sem considerar o Itaú Seguros Auto e Residência, o lucro líquido da empresa foi de R$ 100,6 milhões e os prêmios auferidos alcançaram R$ 1,42 bilhão, crescimento de 15% e 12%, respectivamente, na mesma base de comparação. De acordo com o balanço, a rentabilidade anualizada sobre o patrimônio médio correspondeu a 16,4% no segundo trimestre, o que representa um incremento de 3,4 pontos percentuais.

Segundo especialistas, o resultado positivo foi direcionado pelo aumento dos prêmios de 45,9%, atingindo R$ 1,8 bilhão. Desse total de prêmios, o segmento de automóveis representou uma fatia de 68,4%.

Itaú Seguros lucra R$ 689 milhões no semestre

A Itaú Seguros apresentou lucro líquido recorrente de R$ 689 milhões no primeiro semestre deste ano com as operações de seguros, previdência e capitalização. As informações divulgadas do grupo, com exceção do lucro, tem como referência o segundo trimestre do ano, comparado com o trimestre anterior. Com esta base de comparação, o retorno sobre o capital alocado passou de 35,6% em 31 de março para 38,4% em 30 de junho de 2010.

O total de prêmios ganhos em seguros foi de R$ 900 milhões no 2º trimestre, com destaque para a carteira de vida e acidentes pessoais, que representou 48% dos prêmios. Em garantia estendida, o Itaú Unibanco manteve a liderança de mercado com a operação da Garantech. O segmento foi responsável por 24,6% dos prêmios de seguros da companhia.

O lucro com a operação de seguros foi de R$ 60 milhões no trimestre e o RAROC (retorno sobre o capital alocado) do segmento foi de 25%. As provisões técnicas de seguros cresceram 4,2%, chegando a R$ 5,655 bilhões.

Com aumento de 11,9% em relação ao trimestre anterior, o lucro líquido recorrente em vida e previdência chegou a R$ 236 milhões. As contribuições dos planos de previdência alcançaram R$ 1,9 bilhão. Já as provisões técnicas para o segmento totalizaram R$ 46,189 bilhões ao final do 2º trimestre.

Já em capitalização, o lucro foi de R$ 60 milhões, o dobro do registrado no 1º trimestre do ano, devido ao aumento de receita líquida. As provisões alcançaram R$ 2,4 bilhões. No segundo trimestre, foram distribuídos R$ 9,6 milhões em prêmios de sorteios a 436 clientes de capitalização do conglomerado.

Bradesco realiza V Fórum de Longevidade

42-21106068Acontece nesta manhã o V Fórum da Longevidade no Hotel Unique, em São Paulo, organizado pela Bradesco Seguros e Previdência. Estão previstos mais de 500 convidados e a presença de toda a cúpula do conglomerado. Como em todos os anos, o grupo trouxe palestrantes internacionais com temas atuais e modernos para promover o debate de vários assuntos que envolvem o envelhecer com qualidade de vida.

A preocupação do grupo é em proporcionar a população brasileira informações vitais para ter um velhice mais saúdavel. Uma preocupação fundamentada, tendo em vida que o Brasil envelhece. Em 2000, a proporção de pessoas com mais de 60 anos era de 9% da população; em 2008, chegou a 11%. Em 2025, essa proporção será de 22% e deve ultrapassar 29% em 2050.

Entre os palestrantes temos o médico Makoto Suzuki, que abordará o tema “Os longevos de Okinawa”, a província considerada “capital mundial” da longevidade. O especialista e diretor do Okinawa Research Centre for Longevity Science é o principal pesquisador do Okinawa Centenarian Study há 30 anos – portanto, um pioneiro no estudo da longevidade no Japão.

Logo em seguida, sera a vez do Dr. Emilio Moriguchi, professor do Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG) da PUC em Porto Alegre, falar sobre “Longevidade no Brasil e no Japão”.

“O Desafio de Envelhecer Ativo: na Sociedade e nas Empresas, com Saúde”, sera o tema da palestra do gerontologista Alexandre Kalache, ex-diretor do programa de Envelhecimento e Saúde da OMS. Desde então, atua como consultor de diversas instituições internacionais, como o World Economic Forum e a New York Academy of Medicine. Ao lado de Kalache estará a geriatra e gerontóloga Andrea Prates, coordenadora executiva do Centro Internacional de Informações para o Envelhecimento Saudável; do preparador físico Lauter Nogueira, comentarista esportivo e coordenador técnico do Circuito de Corrida e Caminhada da Longevidade Bradesco Seguros; do psicanalista Contardo Calligari doutor em Psicologia clínica e colunista da Folha de S.Paulo.

Os convidados do seminário também poderão ouvir o relato da neurocientista americana Jill Taylor, que se recuperou totalmente de um derrame que a fez perder as funções do lado esquerdo do cérebro, há 13 anos. Ela é autora do livro “My Stroke of Insight” (publicado no Brasil como “A cientista que curou seu próprio cérebro”, da Editora Ediouro).

Levene discursa para 170 convidados no Brasil

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Lord Levene (foto), presidente do Lloyd’s of London, mercado que reúne 80 empresas de seguros e de resseguros, participou do coquetel de inauguração do escritório carioca do Navigators, somando agora oito sindicatos presentes no Brasil, entre eles Catlin, Liberty, ACE, entre outros. Sua visita foi discreta, tendo em vista, longe do assédio da imprensa, tendo em vista que no momento o assunto do dia é a criação de uma seguradora estatal para suprir a suposta falta de capacidade e interesse dos resseguradores estrangeiros para alguns riscos ou segurados.

Segundo dados divulgados no site do maior mercado de seguros do mundo, em seu discurso para mais de 170 convidados na semana passada, entre eles clientes de peso como Petrobras e EBX, Levene ressaltou o potencial do Brasil, bem como o governador do Rio, Sérgio Cabral. “Nossos negócios no Brasil dobraram em cinco anos. Registramos crescimento em todas as classes de negócios. Não me surpreendo de mais de dois terços dos 80 sindicatos do Lloyd’s já estão subscrevendo riscos brasileiros, tamanho é a demanda de proteções para garantir os investimentos em infraestrutura que estão sendo realizados no Brasil”, afirmou.

No ano passado, o Lloyds respondeu por 9% do mercado ressegurador nacional, com US$ 187 milhões em operações, um crescimento de 10% frente ao ano anterior. O volume coloca a empresa, que atua no país como ressegurador admitido, no segundo lugar do ranking nacional, atrás apenas do IRB-Brasil Re.

Levene mencionou que o governo brasileiro tem planos ambiciosos, com mais de US$ 360 bilhões em investimentos em infraestrutura, que inclui o trem de alta velocidade entre São Paulo e Rio, a usina hidrelétrica de Belo Monte, plataformas de petróleo e embarcações, bem como estradas, aeroportos e logísticas. Além disso, o país está se preparando para sediar os dois maiores eventos esportivos. “E o Lloyd’s tem produtos inovadores para todos esses eventos, que vão desde a cobertura dos estádios contra danos ou ataque terrorista até a não realização do evento por problemas climáticos”.

Todos gostam do Brasil, diz conselheiro da Allianz

enrico-cucchiani*entrevista publicada na Revista Apólice

Max Thiermann, presidente da Allianz Brasil, está com tudo. A alta cúpula da maior seguradora do mundo demonstrou completa satisfação com o desempenho da subsidiária brasileira. Para começar, Michael Diekmann, presidente mundial do Grupo Allianz, autorizou que o segundo dia do Encontro Brasil Alemanha, realizado dias 31 de maio e 1º de junho e patrocinado pela Allianz e pela BMW, acontecesse dentro do Allianz Arena, em Munique, considerado um dos mais modernos estádios do mundo.

“Concordei por três razões: a primeira delas para retribuir os bons resultados que o Brasil vem dando ao grupo, com crescimento médio de cerca de 20% nos últimos cinco anos. A segunda razão é pessoal. Fui responsável pela região por vários anos e sei do potencial do país. E a última é porque o Allianz Arena é um ambiente fantástico para o Encontro, por ser símbolo da cooperação entre esporte, política e economia”, disse Diekmann na abertura do segundo dia do evento.

Se não bastassem as honrarias do presidente mundial ao Brasil, Enrico Cucchiani, membro do conselho de Administração da Allianz SE e responsável também pelo Brasil, fez questão de abrir um horário em sua atribulada agenda para atender jornalistas e corretores de seguros brasileiros.

Acostumado a grandes números, Cucchiani vê grande potencial na jovem indústria de seguros do Brasil. “Alocaremos os recursos necessários para o desenvolvimento dos nossos negócios na região”, disse ele, com tranqüilidade e sem tirar um simpático sorriso do rosto durante quase duas horas de perguntas.

Dinheiro parece não ser um problema para o grupo. Em 2009, a Allianz faturou quase € 100 bilhões, mais do que o dobro da indústria de seguros brasileira inteira, com prêmios de R$ 111 bilhões, que convertidos para a cotação de R$ 2,4 do último dia de 2009, significa € 44,4 bilhões. Pagou € 1,9 bilhão em dividendos para os acionistas, € 9,9 bilhões aos funcionários que fazem este enorme conglomerado funcionar, € 16 bilhões em comissões aos corretores, € 8,2 bilhões em indenizações aos clientes. Tem ainda € 1,3 trilhão em recursos administrados em 70 países pela Allianz Global Asset, a segunda maior do mundo, considerando-se também a Pacific Investment Management (Pimco). Ativos de 75 milhões de clientes e que representam pouco mais do que o PIB do Brasil de 2009, R$ 3,1 trilhões (ou € 1,24 trilhão). “Ou 40 vezes o PIB da Colômbia”.

Veja a seguir os principais trechos da entrevista:

São números expressivos. Parte destes recursos administrados pode ser direcionada para investimentos no Brasil, como na construção de estádios ou projetos de infraestrutura, por exemplo?

Estamos preocupados em atender as demandas brasileiras. A alocação de capital para os países depende das oportunidades que são apresentadas. Temos de justificar aos acionistas os aportes de capital que fazemos. Estamos em um mundo capitalista, movido a lucro. Não podemos perder dinheiro. Temos hoje mercados com fortes perdas, como a Espanha. O Brasil está crescendo e vamos suportar o crescimento do país a medida que as oportunidades forem sendo apresentadas.

Há muitas oportunidades no Brasil hoje…

O Brasil tem grande potencial. E nos temos pessoas capacitadas para detectar os movimentos mundiais. Entre nossos executivos temos Mohamed El-Erian, CEO da Pimco e CEO e autor do bestseller “When Markets Collide”. Ele nasceu no Egito, cresceu nos Estados Unidos, trabalhou na França, no FMI. Temos também Bill Gross, que previu a crise da Argentina mesmo antes dela acontecer. Veja como estamos preocupados em contratar os melhores colaboradores para detectar as boas oportunidades de negócios.

Construir um estádio, como fez aqui em Munique, em parceria com os clubes de futebol, ajudaria a tornar a Allianz muito conhecida no Brasil com a Copa de 2014. Afinal, o nome Allianz é novo por lá. Até 2008, os brasileiros conheciam mesmo era a marca AGF.

Esta é uma idéia única realizada aqui em Munique onde está a sede do grupo. Este é de longe o melhor estádio da Europa, mas acredite, custa muito dinheiro mantê-lo. Mas o fato de ser caro, não significa dizer que não vale a pena. Temos um grande retorno de imagem, que chega a € 3,5 milhões a € 4 milhões por ano. Sabemos que é o estádio mais fotografado do mundo e recebemos cerca de 4 milhões de visitantes por ano.

Como o Brasil pode atrair mais investimentos?

Atualmente, quando o assunto é crescimento, logo os investidores pensam em China, o motor do mundo hoje. Todo mundo gosta do Brasil, principalmente os europeus. Futebol, mulheres bonitas. Por muito tempo o Brasil ameaçou avançar, mas as frustradas tentativas não se traduziram em oportunidades de negócios. Agora mudou.Temos uma boa plataforma no país, que está crescendo a taxas anuais de 20%. Isso é impressionante. Além desta taxa, no Brasil o europeu se sente em casa, ao contrário da China, que tem vários dialetos, o que dificulta os negócios. Já na Índia, colonizada por ingleses, temos mais semelhanças no arcabouço jurídico, por exemplo. O Brasil tem recursos naturais, de pessoas. É um grande exemplo para outros países e por isso temos dado oportunidade para a companhia local se desenvolver.

A Allianz está fora de previdência, um dos segmentos que mais cresce no Brasil. Há planos de voltar a atuar neste mercado?

Saímos de previdência no passado, mas vamos voltar no momento oportuno. Já retomamos vida e compramos no início do ano a participação de 14% do capital acionário que o Itaú detinha da subsidiária brasileira. Isso demonstra a relevância do Brasil para o grupo Allianz e sinaliza o compromisso com um mercado que apresenta excelentes oportunidades de crescimento.

A estratégia do grupo também foi ser uma resseguradora admitida e não local, como optaram algumas concorrentes de peso como Munich Re, ACE, Chartis ou XL.

Sim. A Allianz não tem planos no momento de mudar esta estratégia.

A grande preocupação dos clientes brasileiros, que enfrentam um mercado recém aberto de resseguro e que estavam acostumadas com o ressegurador local com o qual tinham relacionamento até mesmo pessoal, é negociar com empresas que realmente sejam comprometidas a pagar as indenizações.

O nosso negócio é pagar indenização. Se não fosse isso, não existiríamos, pois ninguém contrataria seguro. Com a crise, todos estão mais cautelosos, pois o índice de fraude costuma crescer muito. Se pagássemos as fraudes, o preço do seguro ficaria inviável para todos. Temos grande apetite por riscos, mas também temos cautela, principalmente porque a crise trouxe riscos novos, que não estavam computados nos balanços das empresas.

Há planos de investir numa parceria com grandes canais de distribuição, como bancos?
Trabalhamos com diversos canais de distribuição, sendo os corretores os principais.

Nosso objetivo, como disse, é crescer com as parcerias e isso significa dizer que somos leais com quem nos ajudou a chegarmos no estágio que estamos hoje.

Acredita que os corretores podem perder mercado para as novas tecnologias, como a venda por celular, por exemplo?

A venda de seguros é uma negociação complexa. Muitos têm celulares, mas os smartphones, que ainda tem baixa penetração, serão cada dia mais usados como uma ferramenta para divulgar o produto seguro. Como o aumento de ofertas, o corretor se torna ainda mais prioritário para ajudar o cliente a decidir pelo produto que mais se encaixa no seu perfil.

Qual a prioridade do grupo Allianz?

Atender bem os nossos parceiros e clientes. Ontem (dia 1º de junho), recebemos uma carta da United Airlines, que começamos a atender após o fatídico 11 de setembro, de que passamos a ser o principal parceiro da empresa aérea. A escolha de deu, diz a carta, pela forma como a seguradora atende e negocia. Isso é um prioritário para nós. O nosso negócio não é emitir uma apólice. É fazer parcerias.

Seguradores gostam de propostas de Alckmin

alckminO plano de governo de Geraldo Alckmin, candidato pelo PSDB ao governo de São Paulo, agradou os executivos do mercado de seguros presentes ao evento promovido nesta quarta-feira, 28 de julho, pelo Sindicato Profissional de Corretores e Seguradores do Estado de São Paulo (Sincor-SP) e Sindicato das Seguradoras, Previdência e Capitalização do Estado de São Paulo (Sindseg–SP).

O ex-governador de São Paulo, acompanhado de seu vice, Guilherme Afif, citou em seu discurso o apoio dado durante o período que esteve à frente do governo à indústria de seguros. Alckmin destacou que São Paulo foi o primeiro Estado a apoiar o seguro rural para o pequeno agricultor com subsídios. Também citou a iniciativa da inclusão de seguro de vida para os policiais civis e militares durante seu governo entre 2001 e 2006.

“Este é um setor que gera emprego, renda, oportunidade e contribui para o desenvolvimento sustentável da economia do Brasil. Vamos de mãos dadas neste promissor crescimento do país, de São Paulo e do setor de seguros”, disse o candidato a mais de 500 pessoas que compareceram ao almoço, com uma presença significativa dos principais líderes da indústria de seguros.

Durante seu discurso, Alckmin citou parte de seu plano de governo, onde estão previstos investimentos significativos em segurança, educação, melhorias de estradas, ferrovias e até mesmo em oleodutos para fazer o transporte de subprodutos do petróleo por um sistema mais barato e seguro para todos. “Só de tirar os caminhões que transportam estes materiais é um ganho e tanto para as seguradoras”, comentou João Francisco, presidente da HDI.

Luis Maurette, presidente da Liberty, também gostou do que ouviu do candidato. “Todos os benefícios que ele pretende em termos de segurança são de vital importância para o mercado de seguros”, comentou. “Quanto mais segurança a população tiver, mais barato custará o seguro. E se o preço for menor, muito mais gente poderá ter proteção”, analisou Pedro Purm, presidente da Zurich Seguros.

Para Renato Campos, diretor da Escola Nacional de Seguros (Funenseg), o interesse de Geraldo Alckmin pela educação é de grande importância para o setor. “Assim como o Brasil precisa investir em educação para ter mão de obra mais especializada, o setor de seguros também precisa. Ter o apoio dos candidatos é importante para desenvolvermos novas parcerias”, disse Campos.

Patrick Larragoiti, presidente do Conselho da SulAmérica, foi um dos que não escondeu grande satisfação quando o candidato ao senado, Aloysio Nunes Ferreira, do PSDB, disse que ele, e também Alckmin, são totalmente contra a iniciativa do governo federal em criar uma seguradora estatal. “O mercado de seguros já deu muitas provas de que tem capacidade suficiente para atender às necessidades de proteção dos investimentos”, disse Faria em meio a aplausos. “Faço minhas as palavras do nosso governador”, acrescentou.

Geraldo Alckmin também afirmou que vai analisar todas as cadeias produtivas paulistas e, se preciso, reduzir impostos. Foi ele quem comandou a redução da carga tributária de diversos produtos em São Paulo, como as alíquotas da indústria têxtil (de 18% para 12%) – hoje a alíquota está em 7% -, e do álcool (de 25% para 12%). Outro ponto positivo na área de tributação destacado pelo candidato foi a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) dos produtos à base de trigo (farinha, pão, biscoito, macarrão). “O Estado está com uma economia muito dinâmica, tem crescido acima do PIB nacional. Vamos analisar todas as cadeias produtivas, a questão da competitividade. Se preciso vamos reduzir mais os impostos”, afirmou.

Os anfitriões do evento, Mário Sérgio de Almeida Santos, presidente do Sincor SP, e Mário Batista, do Sindseg-SP, agradeceram a presença dos candidatos do PSDB e também o empenho do candidato a deputado federal José Carlos Stangarlini, que há anos tem intermediado o relacionamento entre o setor e o governo estadual.

Stangarlini foi deputado estadual de 1999 a 2007, período em que foi diretor regional da União Nacional dos Legislativos Estaduais-UNALE. Como parlamentar na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo representou com destaque o Mercado de Seguros aprovando leis e medidas importantes para o segmento.

Como deputado federal Stangarlini pretende apresentar novos projetos e dar continuidade aos engavetados na câmara. “Pretendo fazer o que for viável e possível de acordo com as necessidades e urgência. Para isso, é necessário estabelecermos um diálogo. As portas do meu gabinete está aberta a todos”, conclui.