O compliance nas relações com o mercado

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Da esquerda para a direita: o presidente do IRB Brasil Re, Tarcísio Godoy; o diretor jurídico e de compliance do grupo Bradesco Seguros, Ivan Luiz Gontijo Junior, e o presidente do Grupo Segurador BB e Mapfre, Roberto Barroso
Justiça e equidade aos acionistas. Essa é uma questão muito ligada aos controles internos e que foi o tema central do painel “Compliance nas Relações com o Mercado”, realizado na 10ª edição do Seminário Controles Internos & Compliance – Auditoria e Gestão de Riscos, promovido pela CNseg com apoio da Escola Nacional de Seguros, nesta quinta-feira, em São Paulo.

Tarcísio Godoy, presidente do IRB Brasil Re, ressaltou aos presentes que além de seguir as regras criadas por um comitê, é preciso ter bom senso, treinamento e comunicação eficaz para agir em sintonia com as regras nos controles internos e externos do negócio. “O compliance adiciona valor nas relações com o mercado quando é eficiente na gestão. Ao ser eficiente, traz para a organização boa reputação. Agrega valor a marca porque ajuda na retenção dos valores”, enfatizou.

Godoy ilustrou o benefício do compliance citando uma experiência pessoal durante sua recente participação no tradicional encontro Rendez-Vous, que reúne resseguradores mundiais em Monte Carlo, Principado de Mônaco. “Olhei, gerenciei o risco e me posicionei para atravessar a rua fora da faixa de pedestre. No mesmo minuto um guarda se aproximou e disse: o senhor tem de atravessar na faixa por questões de segurança. Ou seja, mesmo que aparentemente não haja risco, para o bem de todos eu tenho de seguir as regras”.

Quem se arrisca, enfrenta situações graves, concluiu, citando exemplos conhecidos de todos como o caso as fraudes fiscais e contábeis que levaram a gigante americana Enron à falência; o caso Volkswagen, que mergulhou numa crise e arranhou a marca do grupo com a falsificação de resultados sobre a emissão de poluentes, bem como a operação Lava Jato, que levou as maiores construtoras do país a pedir recuperação judicial por envolvimento em corrupção em torno da Petrobras. “Quanto menor a governança de uma empresa, maior a volatilidade. Isso é um fato. O desafio está em reduzir o risco mantendo o retorno ao acionista e o compliance é uma peça fundamental nessa estratégia”, argumenta o presidente do IRB.

Para ter sucesso no mundo corporativo as empresas têm dois caminhos para obter ganho. Um rápido, no qual se pode ter o lucro imediato e correr um grande risco. E outro caminho mais seguro, com menor risco. “Ainda que se demore um pouco mais para apresentar resultado, a opção de descuidar das regras de compliance pode tirar a liberdade de empresas e executivos como vimos no mundo e vemos agora no Brasil”, comentou Roberto Barroso, Presidente do Grupo Segurador BB e Mapfre SH1, Vida, Habitacional e Rural. Barroso lembrou que as leis atuais penalizam as empresas, hoje responsáveis pelos atos de seus executivos. “A questão ética e moral é prioritária. Não tem mais a Lei de Gerson, o jeitinho brasileiro de conseguir uma vantagem”, comentou, ressaltando a importância de se investir em treinamento para que todos da empresa possam zelar pelos conceitos de sustentabilidade permeados para consagrar e agregar valor a marca do grupo.

Tanto Godoy como Barroso citaram que a área de compliance ainda incomoda as pessoas. “As pessoas ainda olham para a área como algo que vai atrapalhar a velocidade do crescimento. Mas o custo de não observar as regras é muito alto”, aconselha o executivo da BB e Mapfre.

Tarcisio Godoy citou algumas expressões especificas que exemplificam o “bullyng” com a equipe nas normas. “The silent elevator”, termo usado quando colaboradores de compliance entram no elevador ou em uma sala e as pessoas presentes se calam. Tem também o “the eye roll”, expressão usada durante treinamentos que quer dizer “outra vez”, “eles devem estar brincando”, “estou deixando de trabalhar por isso?”. “Lembrem-se que é o compliance que torna a operação eficiente, que reduz o custo do produto e que traz maior retorno ao acionista”, afirmou.

Barroso acrescentou ao debate a importância da coerência entre o discurso e a atitude dos líderes. “Nem sempre o que fazemos certo vai ser copiado. Mas, com certeza vão seguir o que fizermos errado”. Outro detalhe considerado importante por ele é o do cuidado com o nível de conformidade dos fornecedores e prestadores. “Temos visto grandes empresas envolvidas em perda de valor por problemas com a falta de compliance de seus fornecedores”.

O mediador do painel, Ivan Luiz Gontijo Junior, diretor jurídico e de compliance do grupo Bradesco Seguros, destacou a justiça, a equidade, a transparência, a prestação de contas e a conformidade no relacionamento com os acionistas. “Não se admite mais qualquer privilégio com um ou outro acionista. Devemos nos preocupar com tudo que está na norma regulatória, interna ou externa. E sempre é bom lembrar que a reputação de uma empresa pode corresponder a até 40% de seu valor de mercado”, frisou.

Diante do exposto, todos concordam que compliance vai muito além de ser uma área operacional dentro do grupo. A área deve participar das questões estratégicas das companhias. “Ainda temos muito para evoluir na prestação de conta para os clientes e órgão que representam os consumidores. Mas estamos no caminho”, frisou Barroso. Godoy concordou: “a foto poder ser melhorada, mas o filme já é muito bom”.

Para finalizar, o advogado do Bradesco disse que o objetivo do painel é deixar um conceito importante. “As vezes as perguntas são mais importantes do que as respostas. Temos de fazer a lição de casa e assim atingir o ápice do compliance e dos controles internos. Não se sabe quanto vale empoderar a área, mas podemos imaginar o quando perdemos de não tê-la de forma eficiente”.

A valorização das atividades de compliance

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O papel das unidades de inteligência financeira no combate à corrupção foi o tema do painel que reuniu o presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), Antonio Gustavo Rodrigues, e o promotor de Justiça de São Paulo e presidente do Instituto Não Aceito Corrupção, Roberto Livianu, durante o 10º Seminário de Controles Internos e Compliance, em realização nesta quinta-feira (22), em São Paulo, organizado pela CNseg.

Mediado pelo diretor da SulAmérica Reinaldo Amorim Lopes, o painel teve início com a apresentação de Antonio Gustavo, que diz identificar uma maior valorização das atividades de compliance, não só por parte do setor segurador, mas também das instituições governamentais. “As pessoas se convencem que é mais barato andar na linha”, afirmou. Para ilustrar sua fala, lembrou – sem citar nome – o caso de uma instituição financeira envolvida no escândalo mensalão que foi, posteriormente, liquidada, não por imposição dos órgãos reguladores, mas porque os clientes não quiseram mais se relacionar com ela. “O Coaf ajuda a preservar as instituições ao combater os que tentam atuar contra elas”.

Fazendo uma analogia à utilização de cinto de segurança nos carros, o presidente do Coaf disse que o problema não é o guarda, mas o poste. Assim, o maior risco em não atender aos procedimentos de compliance não está na possibilidade de ser autuada pelo Coaf, mas, por exemplo, de ser acusado de cumplicidade em uma ação de lavagem de dinheiro.

Com uma visão semelhante à de Antonio Gustavo, o promotor de Justiça Roberto Livianu também disse acreditar crescer a percepção, por parte da sociedade, sobre a gravidade do problema da corrupção no Brasil. Problema calcado tanto na impunidade quanto na cultura da corrupção. E com a autoridade de quem preside um instituto que visa combater a corrupção por meio da construção de conhecimento sobre o tema, Livianu afirmou que os países com menos casos de corrupção são aqueles em que há um sistema educacional bem desenvolvido, uma livre circulação de informações e uma forte estabilidade governamental.
Como exemplo, citou o caso da Suécia, país que tem uma lei de acesso à informação datada do século XVIII – enquanto a brasileira é de 2012 – e uma lei que pune o “você sabe com quem está falando?”, enquanto seus presídios estão sendo desativados, por falta de prisioneiros para ocupá-los.

Para o caso brasileiro, o promotor sugeriu também um sistema de autorregulamentação, a exemplo do modelo já existe na área de publicidade e com funcionamento consolidado e aprovado pelo mercado. Autorregulamentação que tem a capacidade de fortalecer a prevalência da ética e da integridade, contribuindo também para melhorar a imagem do setor, concluiu.

Qual o papel da auditoria interna?

14359108_1138590379522930_285252085847859312_nFonte: CNseg

Qual o papel da auditoria? Esse foi o tema do debate da palestra “A Relevância da Auditoria Interna para o Conselho de Administração”, realizada na 10ª edição do Seminário Controles Internos & Compliance – Auditoria e Gestão de Riscos, promovido pela CNseg, com apoio da Escola Nacional de Seguros, nesta quinta-feira, em São Paulo.

Para o CEO da Generali Brasil Seguro, Hyung Mo Sung, negociar seguro ficou mais trabalhoso com a globalização, e a auditoria evoluiu muito para lidar com riscos mais complexos das organizações. O executivo destacou a importância do auditor no período pós-modernização do mercado segurador. A partir do cenário de competição instalado em meados da década de 90, com o inicio da liberalização da indústria de seguros ao capital estrangeiro, promovendo assim a globalização, o primeiro impacto para as seguradoras foi o de redução das margens.

Segundo ele, foi com a globalização que aquela figura de auditor, rotulado como um cara chato que pede vários dados, passou a ser visto como um profissional extremamente qualificado, não só apto a nos ajudar a reduzir um eventual prejuízo, como também preparado para aprimorar o investimento realizado no negócio. “A contribuição de um auditor não visa somente proteger o capital. É uma proteção para o gestor. O risco tem um custo, onde o papel da auditoria se torna primordial. É impossível estar inserido no mercado internacional sem uma auditoria com papel de inspetor”, ressaltou ele.

O consultor José Rubens Alonso, um dos protagonistas das mudanças ocorridas no mercado de seguros desde a década de 90, destacou a importância do auditor para a atuação dos conselheiros. Ex-sócio da KPMG e hoje membro dos Comitês de Auditoria dos grupos Icatu, Tokio Marine Seguros, Sompo Seguros, Munich Re e Terra Brasis Resseguros, ele afirmou que os Conselhos de Administração das empresas ainda passam por um momento de evolução. Ele destaca que são poucas as seguradoras que têm um Conselho de Administração mais presente em companhias abertas e subsidiárias de companhias de capital estrangeiro. “Mas temos visto uma evolução interessante do papel do conselho, com mais responsabilidades em sua função”, comentou.

Na visão de Alonso, o mercado evolui para um conselho mais técnico, pois o arcabouço legal tem exigido mudanças, que podem requerer grande envolvimento, muitas vezes demandando significativo empenho de tempo do conselheiro fora das reuniões ordinárias realizadas pela organização, com atribuições decisórias e fiscalizarias. “O auditor técnico é muito valioso para os conselheiros”, enfatiza.

“A minha preocupação é com o futuro. Como vocês enxergam o papel da auditoria no futuro?”, indagou Josemar Costa Silva, membro do Comitê de Auditoria da Metlife, da Travelers Seguros e sócio da JC Advisory. Ambos palestrantes afirmaram que a ideia é criar uma área que realmente agregue valor à empresa e não apenas para cumprir as exigências regulatórias da Superintendência de Seguros Privados (Susep) ou das matrizes dos grupos estrangeiros.
Para o executivo da Generali, o grande desafio é saber como transformar as exigências regulatórias para reduzir os riscos do negócio, custos e fazer com que os resultados do grupo sejam mais eficientes. “É transformar a auditoria num instrumento que auxilie na gestão”, diz Sung, de forma categórica.

Para Alonso, os recentes acontecimentos do Brasil beneficiam o papel do auditor. “Está clara a importância da governança nas organizações. O que antes era visto como um custo agora é visto como a forma de se buscar a conformidade da empresa com preceitos éticos e regulatórios, uma vez que vieram à tona os danos causados para as organizações que tiveram atitudes não éticas”, ressaltou. O desafio, acrescentou Alonso, é compatibilizar, modernizar a forma de atuação dos profissionais à velocidade e à complexidade que os negócios são conduzidos.

O fato é que, diante da crescente dinâmica do mundo empresarial, os administradores não têm como acompanhar e executar pessoalmente todas as atividades desenvolvidas pelas companhias. “A adoção de sistemas de Controles Internos, que funcionem de forma independente da operação, assume papel fundamental na estrutura organizacional, permitindo que o Conselho possa acompanhar os atos da diretoria”, finaliza Alonso.

Governança combate corrupção sistêmica

Seminario-Controles-Internos2016-governanca-internaFonte: CNseg

O advogado Walfrido Jorge Warde Junior, sócio da Warde & Lehmann, Warde & Monteiro Advogados, começou sua apresentação durante o 10º Seminário de Controles Internos e Compliance nesta quinta-feira, 22, em São Paulo, afirmando achar muito apropriado o título de seu painel: “Governança corporativa – o caminho para a lucratividade e a longevidade das empresas”. Governança corporativa que, segundo ele, é muito debatida hoje em dia, mas ainda pouco compreendida.

E para ajudar na compreensão do tema, foi bastante didático em sua apresentação, afirmando que governança corporativa é, basicamente, o conjunto de regras internas que tem o objetivo de ajustar as relações entre os interesses dos diferentes grupos de poder existentes dentro de qualquer empresa (acionistas, alta administração, funcionários).

Em primeiro lugar, cabe à governança corporativa deixar claro a função de cada um desses grupos. Em segundo, fiscalizar o cumprimento dessas regras e aplicar punições em caso de não conformidade. Por conta disso, a governança corporativa bem aplicada é também um meio de valorização da própria empresa junto aos acionistas, tendo um importante papel na liquidez das ações.

Por outro lado, a regulação privada tem um limite para sua atuação, já que o objetivo fim de qualquer empresa capitalista é o lucro. Além disso, afirmou Walfrido, esse capitalismo brasileiro ainda é profundamente dependente do Estado, tanto para o financiamento, quanto pela grande quantidade de contratos firmados com a administração pública. E essa dependência se reflete até no mercado de capitais, pois são justamente as grandes empresas estatais que dão robustez a ele. Dependência esta que ajuda a explicar a atual paralisação da economia, junto com a ainda baixa presença de mecanismos de Controles Internos.

E já finalizando sua apresentação, disse que, enquanto a importância da governança corporativa não estiver devidamente introjetada na mentalidade empresarial brasileira, continuaremos a conviver sempre com essa corrupção sistêmica.

O receituário de Luis Adams para segurança jurídica

Adams: A iniciativa privada tem voz pelas entidades como a CNseg, para propor ao Estado uma estrutura de compliance
Adams: A iniciativa privada tem voz pelas entidades como a CNseg, para propor ao Estado uma estrutura de compliance
Adams: A iniciativa privada tem voz pelas entidades como a CNseg, para propor ao Estado uma estrutura de compliance

Fonte: CNseg

As empresas precisam usar o espaço democrático para mudar o Estado. Esse foi o recado do ex-advogado geral da União, Luís Inácio Lucena Adams, na manhã desta quinta-feira, na 10ª edição do Seminário Controles Internos & Compliance – Auditoria e Gestão de Riscos. Durante sua palestra “O Desafio da Segurança Jurídica no Combate a Corrupção no Brasil”, Adams enfatizou que há oportunidades das empresas estabelecerem com o Estado um padrão de relacionamento no qual possam conviver e crescer. “Não é um relacionamento de uma via”, diz, acrescentando que o setor público tem que ter compliance e responder em tempo coisas questionáveis para que se crie um ambiente de maior segurança jurídica, primordial para estimular os investimentos que o Brasil tanto necessita para voltar ao ciclo de crescimento da economia.

As empresas privadas são produtoras de emprego, de crescimento e são pagadoras de impostos e por isso têm de ter no Estado um agente de apoio. “Não é viável esperar até cinco anos para obter uma resposta do judiciário. O fato, diz, é que o nível de aplicação da legislação passa por diversos problemas. Até de redação. “Essa dificuldade é inerente ao processo democrático mas precisa ser discutida e ajustada para trazer segurança jurídica e fechar o cerco a fraudes”, disse.

Ele também citou a função da jurisprudência, vital para produzir estabilidade, mas não é o que temos visto no Brasil. “O nosso sistema é produtor de jurisprudências erradas que precisam ser revistas e desconsideradas”, afirmou. Para ele, esses fatos citados que geram a dinâmica de um número tão elevado de processos judiciais. Há 100 milhões de processos judiciais no Brasil. Para cada dez novos casos, somente dois são resolvidos. Existem 55 mil casos pendentes de julgamentos do STF.

Esse fato ocorre porque o Estado está aplicando mal a lei diante de tanta concorrência entre as normas expedidas por diversos órgãos de controle”, disse ele. Ele apresentou um slide comparativo com a Lei Anticorrupção, 12.846, de 2013; a Lei 12.529 de Defesa da Concorrência, de 2011; a Lei 8.429 de Improbidade Administrativa, de 1992. “Além desses, temos normativos de diversos órgãos reguladores. Nos Estados Unidos, por exemplo, temos apenas duas fontes de questionamentos: o Departamento de Justiça e a SEC, equivalente a nossa Comissão de Valores Mobiliários (CVM)”.

A dinâmica vista hoje abre uma oportunidade de revisão, enfatizou ele aos 300 participantes do evento, em sua grande maioria profissionais de compliance das seguradoras. “Hoje temos um Estado que vive um momento jurídico de insegurança. A iniciativa privada tem voz pelas entidades como a CNseg, para propor ao Estado uma estrutura próxima da norma de compliance já adotada pelas empresas privadas”, sugeriu, incitando que os empresários façam campanhas e usem o estado democrático para mudar o que a Lava Jato começou como questionar o financiamento do modelo politico e trouxe à tona a fragilidade de normas e condutas. “Temos de ter regras e também bom senso para evitar desvios e fraudes”, disse.

Infraestrutura – Para ele, que foi um dos negociadores dos acordos com o Ministério Público no maior acidente ambiental do Brasil que envolveu a Samarco e suas acionistas Vale e BHP, o seguro é um importante mitigador de riscos, além de baratear o custo dos projetos de investimentos. “Nas Parcerias Público Privada (PPP), a racionalidade do seguro para garantir melhores preços foi importante e está claro que redução do risco é elemento central de eficiência, pois têm vários fatores exôgenos que geram interrupção de projetos e inconsistências finais”, comentou em entrevista concedida no final do painel.

Porém, o ex-advogado geral da União ressaltou que é preciso estar atento para fazer uma apólice bem feita e com seguradoras idôneas. “Na época que estava próximo das negociações descobrimos que tinham empresas que ofertam seguro garantia e não eram seguradora. Há um mercado paralelo e mal intencionado que exige que todos fiquem bem atentos”, alertou.

Os propósitos do 10º Seminário de Controles Internos e Compliance

IMG_3843Fonte: CNseg

Debater como as empresas do mercado segurador devem se preparar e se fortalecer para enfrentar os desafios que o delicado momento atual brasileiro impõe, seja pela ótica econômica e política, seja pelos aspectos morais e éticos, é um dos principais objetivos do 10º Seminário de Controles Internos e Compliance, afirmou o superintendente executivo técnico da CNseg, Alexandre Leal, ao detalhar os propósitos do evento que ocorre, em São Paulo, nesta quinta-feira, 22 de setembro.

O presidente da Comissão de Controles Internos da CNseg, Assizio Oliveira, destacou que a Comissão da CNseg está em atividade há quase uma década, tendo em vista a publicação da Circular Susep 249/2004, sobre a constituição obrigatória de estruturas de Controles Internos, o que foi um enorme desafio para o mercado. E, para conseguir encarar esse desafio, a Comissão investiu fortemente em capacitação, lembrou o presidente, tendo realizado workshops, produzido livros e cartilhas e, ainda, um curso universitário sobre o tema, com o apoio da Escola Nacional de Seguros.

Representante da Escola Nacional de Seguros, Lauro Faria, assessor da Diretoria da instituição de ensino, apresentou, ainda na solenidade de abertura, o primeiro livro da série “Textos Didáticos”. Trata-se da obra “O Sistema de Controles Internos no Mercado Segurador Brasileiro”, de autoria de Assizio Oliveira. Até o final do ano, mais quatro livros da série serão lançados, todos escritos por professores da Escola.

Abordando os enormes desafios enfrentados pela Saúde Suplementar, tais como a assimetria de informação, o envelhecimento da população, o impacto dos avanços tecnológicos nos custos médicos e a judicialização da saúde, a assessora da presidência da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Angélica Carvalho, apontou, contudo, a recuperação da confiança e da credibilidade como o principal problema. Nesse sentido, disse, os sistemas de Controles Internos têm um papel fundamental ao apontar as melhores práticas e implantar processos de gestão de risco, entre outras funções. Por fim, informou que a ANS está em processo de implantação de um processo de gestão de riscos, já tendo capacitado mais de 200 gestores da agência.

O outro regulador presente à mesa de abertura, o coordenador do escritório de representação da Susep em São Paulo, Carlos Queiroz, disse que Controles Internos e Compliance, além de serem temas essenciais para a atuação da Susep, também o são para a manutenção de todo o mercado segurador. E comprovando que a Susep está mesmo atenta a essa realidade, lembrou que a autarquia criou recentemente duas diretorias relacionadas ao tema: uma de Solvência; e outra de Supervisão de Conduta.

O 10º Seminário de Controles Internos e Compliance segue ao longo do dia, aprofundando os debates sobre os temas levantados em sua abertura.

Seguro garantia é destaque em obra sobre operações imobiliárias

1_Capa do livro Operações ImobiliáriasPor Márcia Alves

Os profissionais do mercado imobiliário terão a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a finalidade e a importância do seguro garantia (performance bond) para a realização de obras de construção civil no livro “Operações Imobiliárias: Estruturação e tributação”. Lançado no último dia 15 de setembro, o livro coordenado pelos advogados Renato Vilela Faria e Leonardo Freitas de Moraes e Castro traz um capítulo sobre seguro assinado por Debora Schalch, titular da Schalch Advogados.

Em dez páginas, a coautora da obra apresenta um panorama do performance bond, abordando desde os riscos na construção civil e os riscos de performance até a regulamentação do seguro garantia e suas principais modalidades. De acordo com Debora Schalch, o sucesso técnico e financeiro de qualquer projeto de construção civil está ligado à capacidade do construtor de identificar e mensurar os riscos e alocá-los de forma eficiente entre os diversos participantes do projeto.

Dentre esses riscos, a coautora destaca o de performance, cuja materialização é capaz de gerar impactos sobre o cronograma físico-financeiro da obra e até de inviabilizar o projeto de construção civil. No capítulo de sua autoria, ela esclarece que o seguro performance bond garante o cumprimento de determinada obrigação contratual de construção, fornecimento ou prestação de serviço.

“O performance bond é uma boa alternativa de garantia contratual, na medida em que desonera ativos do construtor, que ficariam indisponíveis nas garantias convencionais, constituindo-se, ainda, em um relevante instrumento para promover a continuidade de um projeto, quando o tomador deixar de executar sua obrigação”, diz.

Mas, Debora Schalch adverte sobre a necessidade de gestão das apólices junto à seguradora para evitar a perda de direito indenizatório. Segundo ela, uma situação bastante comum que pode levar à perda de indenização é a alteração das obrigações contratuais sem o conhecimento da seguradora. “É fundamental para a manutenção e eficácia do seguro informar previamente à seguradora todas as alterações introduzidas no contrato, para que esta possa avaliar e, se for o caso, emitir endosso para cobertura dos novos elementos agregados ao risco”, orienta.

Mais sobre o livro

O livro “Operações Imobiliárias: Estruturação e tributação”, editado pela Saraiva, analisa e responde as principais questões e dúvidas legais sobre empreendimentos imobiliários, desde a concepção e estruturação do projeto, aquisição do terreno, passando pelos desdobramentos da construção e terminando com as suas diferentes formas de exploração. A obra traz a coletânea de 84 artigos de diversos especialistas, distribuídos em 1.056 páginas.

SURA é a única companhia latino-americana do setor de Serviços Financeiros Diversos inserida no Índice de Sustentabilidade Dow Jones

Batt: temos agora um leque maior de produtos para ofertar

Batt: temos agora um leque maior de produtos para ofertar
Batt: temos agora um leque maior de produtos para ofertar
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Pelo sexto ano consecutivo, o Grupo SURA, acionista da Seguros SURA – uma das maiores seguradoras da América Latina – foi reconhecido como a única companhia latino-americana do setor de Serviços Financeiros Diversos e Mercado de Capitais a fazer parte do Índice de Sustentabilidade Dow Jones, graças a sua gestão responsável em questões econômicas, sociais e ambientais. Seu destaque se deu tanto no Índice Mundial como no de Mercados Emergentes.

O índice reconhece a melhora dos relatórios de informação pública, além das questões ambientais e sociais apresentadas pelo Grupo SURA. Entretanto, o Grupo mantém sua busca continua em fortalecimento da Gestão Corporativa, com foco na melhoria da definição de métricas e metas em informações não financeira. Além disso, investe também em iniciativas que contribuam para a ecoeficiência e, em geral, que continuem incorporando as melhores práticas corporativas, em especial com os novos negócios que se integram à Companhia.

Diante dos ótimos resultados, David Bojanini, presidente do Grupo SURA, comenta: “Para nós, é motivo de orgulho continuar fazendo parte de um índice com tão alto reconhecimento mundial, especialmente em um setor como o Financeiro, que ainda enfrenta desafios representativos na América Latina. Nós nos submetermos a uma avaliação integral da nossa gestão e sermos equiparados às companhias que possuem os mais altos padrões de sustentabilidade ao redor do mundo demonstra nosso compromisso de realizar uma gestão responsável. Em particular, destaco nosso avanço nas questões ambientais e sociais, às quais seguiremos integrando as melhores práticas do mercado”.

Thomas Batt, o CEO da Seguros SURA no Brasil, umas das empresas do Grupo SURA, concorda com Bojanini e afirma que a companhia no Brasil se empenhará para continuar crescendo no país. “Assim como a nossa matriz, buscamos agir com excelência para aumentar nosso impacto positivo no mercado. Queremos que a Seguros SURA continue beneficiando todos os segurados que confiam em nosso trabalho, sem deixar de lado questões importantes como a sustentabilidade dos nossos negócios e dos negócios de nossos parceiros e clientes”.

O Grupo SURA entende a importância de ser notada com altos padrões de gestão empresarial. Por isso, busca melhora contínua para que seus esforços se convertam em um compromisso público com a incorporação de práticas que favoreçam o desenvolvimento sustentável dos negócios e da sociedade em si. Atualmente, este índice representa uma fonte relevante para a análise e tomada de decisões em matéria de investimento por parte dos mercados financeiros.

O Índice de Sustentabilidade Dow Jones é uma plataforma global, que desde 1999, reúne uma série de indicadores que monitoram o desempenho das empresas líderes em todo o mundo, e nos diferentes aspectos que condizem aos padrões de sustentabilidade. Este índice é reconhecido como uma das maiores certificações que uma companhia pode obter em nível mundial e é uma referência-chave em termos de decisão de investimento.

Liberty Seguros lança seguro com coberturas customizadas para igrejas e templos religiosos

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A Liberty Seguros lança o Liberty Organizações Religiosas, um seguro destinado a igrejas, conventos, seminários e templos religiosos. Além das coberturas básicas contra incêndios, quedas de raios, explosões ou implosões e quedas de aeronaves, o seguro oferece proteções customizadas, como a cobertura de danos causados a instrumentos musicais por motivos de queda, dentro ou fora do local segurado.

“Temos investido na criação de produtos customizados para atender cada vez melhor às demandas do mercado e dos consumidores”, diz Rosy Herzka, diretora de Seguros Patrimoniais da Liberty Seguros. “Um dos nossos principais compromissos é que os clientes se sintam seguros e protegidos com o produto contratado”, explica.

Outra cobertura oferecida pelo Liberty Organizações Religiosas é a do descarte responsável, que auxilia na retirada e descarte de móveis e equipamentos, retirada de entulho e resíduos de obras. Atualmente, a Liberty Seguros oferece mais de 25 seguros patrimoniais customizados, que trazem proteção para diversos segmentos, com foco em pequenas e médias empresas.

Saúde suplementar: desafios e perspectivas

Saúde Suplementar - Solange Beatriz Palheiro Mendes

Saúde Suplementar - Solange Beatriz Palheiro Mendes
Saúde Suplementar – Solange Beatriz Palheiro Mendes
Fonte: FenaSaude

O segmento de saúde suplementar representa hoje cerca de 40% de toda a arrecadação do mercado de seguros e responde por mais de 50% das indenizações pagas. Diante dessa relevância, um auditório lotado assistiu a palestra de Solange Beatriz Palheiro Mendes, presidente da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde), que abordou a visão da Federação sobre o atual cenário da saúde privada no Brasil, bem como suas perspectivas e prioridades. O evento foi realizado pelo Clube de Seguros de Pessoas de Minas Gerais (CSP-MG), nesta quarta-feira (21/9), em Belo Horizonte, e reuniu corretores de seguros, representantes de seguradoras, de operadoras e profissionais que atuam no ramo.

De acordo com a presidente da Fenasaúde, o encontro foi uma oportunidade para apresentar as entregas do segmento à sociedade e os desafios que ameaçam sua própria sobrevivência: “A sociedade reconhece a saúde suplementar como setor que agrega valor e que é pertinente ao sistema de saúde. E o setor público começa a entender a necessita de parceria com a assistência privada. Afinal, nossas dificuldades são as mesmas, ou seja, os recursos são escassos e a demanda está além da capacidade de pagamento”.

Segundo João Paulo Moreira de Mello, presidente do CSP-MG, a palestra contribuiu para elevar o conhecimento e encontrar caminhos para a sustentabilidade do sistema. “Foi uma visão atual e abrangente do mercado de saúde suplementar. Todos saem daqui com mais informações, mais instruídos. Obtivemos um panorama das principais prioridades e desafios da área e foi uma oportunidade de nos atualizarmos a respeito”, considerou.

Desafios – Em sua apresentação, Solange Beatriz apresentou números para ilustrar a importância do setor, que em 2015 registrou uma arrecadação de R$148,3 bilhões. E conta com 48,5 milhões de beneficiários, apenas em planos de assistência médica. Somente no ano passado, a saúde suplementar realizou, aproximadamente, 1,4 bilhão de procedimentos.

A presidente da FenaSaúde também demonstrou os desafios do setor, que, com a crise econômica, amargou a saída de 3,3% beneficiários de planos de saúde – cerca de 1,7 milhão de pessoas. De acordo com a executiva, as próprias empresas contratantes do serviço enfrentam a elevação dos custos com a saúde de seus empregados. Se em 2000, o custo dos benefícios de saúde na folha de pagamento estava na ordem de 10%; em 2015, saltou para 11,57%. Outro dado que mostra o impacto da elevação das despesas assistenciais é a chamada inflação do setor. Entre 2007 e 2016, a inflação médica alcançou 228,46%, enquanto que o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) atingiu 74,74%.

O combate ao desperdício é outro ponto-chave do setor. De acordo com a executiva, 30% do que é gasto na saúde do Brasil é desperdício. Em paralelo, a transição demográfica também é um fator preocupante, como aponta Solange Beatriz. A previsão é que, em 2050, 29,4% da população ou 66 milhões de brasileiros terão mais de 60 anos de idade.

Em relação às implicações das inovações tecnológicas para o setor, a presidente da Fenasaúde apresentou diferenças de preços entre as regiões – por exemplo, o preço de um marcapasso CDI varia de R$29 mil, na região sul, a R$ 90 mil, na região norte. Para evitar distorções e melhorar o controle sobre novos procedimentos, a executiva defende o desenvolvimento de critérios para discriminação das inovações, com intuito de identificar quais devem ser adotadas no sistema de saúde, sem trazer qualquer prejuízo no atendimento prestado à população.

Quanto ao modelo de remuneração, Solange Beatriz considera que é o momento de mudar de fee-for-service (por unidade de serviço; procedimento) para o pagamento por performance (por desempenho-metas do prestador; qualidade do cuidado). Na visão da FenaSaúde, o ideal é que o prestador receba valores compatíveis em razão do tratamento de cada paciente.

Por fim, a presidente da FeanSaúde mostrou os números de judicialização em Minas Gerais. O estado está em segundo lugar em ações judiciais na saúde, segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizado em 2014. De acordo com informações do Tribunal de Justiça do Estado, o numero de demandas judiciais envolvendo a saúde suplementar é de 19.290 (dezembro de 2015).