Segundo trimestre marca maior competitividade no mercado de seguros e aumenta atenção aos riscos do El Niño

por Silvana Speranza, diretora executiva de Placement da Marsh Risk

O mercado brasileiro de seguros atravessou, no segundo trimestre, um dos ambientes mais competitivos dos últimos ciclos. A combinação entre maior apetite ao risco, ampla disponibilidade de capacidade e forte pressão interna por crescimento levou a um movimento acelerado de flexibilização comercial, com redução consistente de taxas e melhoria de condições.

Em diversas renovações, sobretudo em contas de maior volume de prêmio, foram observadas reduções relevantes de taxas e avanços nas condições oferecidas. A intensidade dessas mudanças variou conforme o ramo, a estrutura do programa e o perfil de risco.

O cenário reflete um mercado local com excesso de oferta de capacidade, enquanto a maior parte das seguradoras opera com metas agressivas de expansão e necessidade de aumento do volume de prêmios emitidos. Na prática, a disputa por market share tem levado alguns players a priorizar o crescimento da carteira, por vezes aceitando níveis mais baixos de remuneração técnica no curto prazo.

Para os segurados, esse movimento resulta em um ambiente mais favorável, com maior número de cotações, diversidade de alternativas de estruturação e flexibilidade para negociação de franquias, limites, sublimites e cláusulas. A profundidade dessas melhorias, entretanto, permanece condicionada à governança de subscrição e à tolerância ao risco de cada seguradora.

Outro fator relevante para sustentar e, em alguns casos, acelerar essa dinâmica foi o ciclo de renovações de resseguro, que trouxe resultados majoritariamente positivos para o mercado. Renovações bem-sucedidas, condições estáveis ou até melhoradas em determinadas camadas e maior disponibilidade de limites proporcionaram às seguradoras mais conforto para competir nas negociações e, em alguns casos, conceder ajustes comerciais mais agressivos a contas estratégicas.

O trimestre também foi marcado por sinais claros de movimentação e reposicionamento de players relevantes, com novas companhias anunciando a entrada no mercado. A chegada de capacidade com estratégias comerciais mais agressivas tende a intensificar a concorrência nos próximos meses, ampliar a pressão sobre preços e criar alternativas adicionais para riscos que anteriormente contavam com menos opções.

Para o próximo trimestre, a expectativa é de manutenção desse viés competitivo, com continuidade da pressão por redução de taxas e maior seletividade em segmentos específicos. Entre eles estão riscos com perfil de perda muito deteriorado, exposições concentradas, questões de engenharia ou gestão de risco não endereçadas e estruturas excessivamente esticadas.

Ainda assim, o tom geral do mercado brasileiro no Q2 foi de maior liquidez e capacidade, favorecendo negociações mais eficientes, oportunidades de otimização do custo total de risco e discussões mais abertas sobre melhorias de cobertura.

Não obstante o ambiente favorável observado no trimestre, a proximidade do fenômeno El Niño segue gerando preocupação entre segurados e seguradoras. Nesse contexto, torna-se oportuno revisar limites, coberturas e exposições aos riscos catastróficos, ajustando as apólices de forma adequada ao cenário.

Mais do que a proteção contratual, porém, é essencial adotar medidas efetivas de gestão de risco, com foco na prevenção e na mitigação de perdas potencialmente mais severas. O El Niño pode provocar impactos em todo o país, com ocorrência de inundações, enchentes, incêndios, secas e outros eventos extremos.

A perspectiva reforça a urgência de ações preventivas e de cuidados direcionados à criação de soluções emergenciais para esses riscos, de modo a reduzir os impactos sobre os negócios.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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