O setor supervisionado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) encerrou os sete primeiros meses de 2026 com arrecadação de R$ 244,96 bilhões, queda nominal de 1% em relação aos R$ 247,44 bilhões registrados no mesmo período de 2025. Descontada a inflação, a retração foi de 5,14%. O resultado reflete principalmente o desempenho dos produtos de acumulação, enquanto os seguros de danos e pessoas mantiveram trajetória de crescimento. Apenas em julho, a arrecadação alcançou R$ 37,76 bilhões, aumento de 10,04% em relação a junho, mas queda de 8,77% na comparação com julho de 2025.

Os seguros de danos e pessoas, excluindo o VGBL, arrecadaram R$ 134,49 bilhões entre janeiro e julho, crescimento nominal de 6,06% e real de 1,62%. O segmento respondeu por 55% das receitas totais do mercado supervisionado. Já os produtos de acumulação, que incluem VGBL, PGBL e previdência tradicional, movimentaram R$ 92,10 bilhões, com retração nominal de 8,64% e real de 12,43%. A capitalização também apresentou resultado negativo, com receitas de R$ 18,37 bilhões, queda de 7,35%.
Seguro de vida cresce 9,49% e prestamista avança 17,36%
Os seguros de pessoas, excluindo o VGBL, apresentaram crescimento superior ao dos seguros de danos. A arrecadação atingiu R$ 48,25 bilhões até julho, alta nominal de 10,48% e real de 5,87% em relação ao mesmo período do ano passado.
O seguro de vida respondeu por R$ 23,46 bilhões, crescimento nominal de 9,49% e real de 4,92%. O produto representa 48,62% da arrecadação dos seguros de pessoas. O seguro prestamista registrou expansão ainda maior, de 17,36%, com prêmios de R$ 14,38 bilhões. Em contrapartida, o seguro de acidentes pessoais apresentou retração nominal de 1,55%, enquanto o seguro viagem cresceu 3,53% em valores correntes, mas recuou 0,84% em termos reais.

Seguros de danos crescem 3,74%, mas rural e energia recuam
Os seguros de danos arrecadaram R$ 86,23 bilhões nos sete primeiros meses de 2026, crescimento nominal de 3,74%, mas queda real de 0,61%. O seguro automóvel manteve a maior participação no segmento, com R$ 36,68 bilhões em prêmios, equivalentes a 42% da arrecadação dos seguros de danos. O ramo apresentou crescimento nominal de 6,17% e real de 1,71%.
Entre os segmentos que registraram expansão, destacam-se fiança locatícia, com crescimento de 28,97% e arrecadação de R$ 1,47 bilhão, e seguros financeiros, que avançaram 19,62%, para R$ 5,81 bilhões. Os seguros habitacionais cresceram 11,44%, movimentando R$ 5,10 bilhões.
Na direção contrária, o seguro rural registrou queda nominal de 8,15%, com arrecadação de R$ 6,86 bilhões. O segmento de riscos especiais de energia apresentou retração de 25,22%, enquanto os seguros de transporte recuaram 6,31%.
O desempenho dos microsseguros chama a atenção. A arrecadação caiu 53,86% em termos nominais e 55,82% em termos reais, totalizando R$ 450 milhões no acumulado do ano. O boletim não apresenta explicações específicas para a retração.

Previdência: VGBL recua 10,35%, enquanto PGBL cresce 12,99%
Os produtos de acumulação, responsáveis por 38% da arrecadação total do setor supervisionado, registraram receitas de R$ 92,10 bilhões até julho. O VGBL, principal produto do segmento, recebeu R$ 82,78 bilhões em contribuições, queda nominal de 10,35% e real de 14,07% em relação ao mesmo período de 2025. Os resgates somaram R$ 74,75 bilhões, além de R$ 210 milhões em benefícios, resultando em captação líquida positiva de R$ 7,81 bilhões.
O PGBL apresentou comportamento diferente. As contribuições cresceram 12,99%, alcançando R$ 7,62 bilhões. Entretanto, os resgates e benefícios superaram as entradas, produzindo captação líquida negativa de R$ 1,54 bilhão.
Na previdência tradicional, as contribuições somaram R$ 1,71 bilhão, com captação líquida negativa de R$ 1,47 bilhão. Considerados os três produtos, as contribuições superaram os pagamentos de resgates e benefícios em R$ 4,80 bilhões nos sete primeiros meses do ano.
Capitalização recua 7,35%, mas modalidade de garantia cresce 16%
O mercado de títulos de capitalização arrecadou R$ 18,37 bilhões até julho, retração nominal de 7,35% e real de 11,21%. A modalidade tradicional, responsável por 71% das receitas do segmento, movimentou R$ 12,98 bilhões, queda de 9,44%. A filantropia premiável apresentou retração mais acentuada, de 27,09%, com arrecadação de R$ 1,82 bilhão.
Em contrapartida, a modalidade instrumento de garantia, utilizada também como alternativa de garantia em contratos de locação, cresceu 16,04%, alcançando R$ 2,53 bilhões. Os títulos de incentivo avançaram 23,31%, com receitas de R$ 810 milhões.
Indenizações, resgates e benefícios somam R$ 149,78 bilhões
As indenizações, os resgates, os benefícios e os sorteios pagos pelo setor supervisionado totalizaram R$ 149,78 bilhões entre janeiro e julho, queda nominal de 2,75% em relação ao mesmo período do ano passado.
Nos seguros, as indenizações somaram R$ 45,99 bilhões, retração nominal de 1,24% no acumulado. Somente em julho, entretanto, os pagamentos alcançaram R$ 7,23 bilhões, aumento de 13,82% em relação ao mesmo mês de 2025. Nos produtos de acumulação, resgates e benefícios totalizaram R$ 87,31 bilhões, enquanto os pagamentos de resgates e sorteios da capitalização atingiram R$ 16,48 bilhões.
Provisões técnicas alcançam R$ 2,20 trilhões
O estoque de provisões técnicas do mercado supervisionado atingiu R$ 2,20 trilhões em julho, crescimento nominal de 11,75% em relação ao mesmo mês de 2025 e de 6,90% em termos reais.
O montante corresponde a 16,55% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro acumulado em 12 meses. As provisões representam os recursos estimados pelas empresas para assegurar o cumprimento de seus compromissos futuros.
Os produtos de acumulação concentram a maior parcela desses recursos, com R$ 1,89 trilhão, seguidos pelos seguros, com R$ 261,98 bilhões, e pela capitalização, com R$ 44,61 bilhões.
Resseguro recebe R$ 18,04 bilhões em prêmios cedidos
Do total de R$ 134,49 bilhões em prêmios emitidos pelas seguradoras nos segmentos de danos e pessoas, excluindo o VGBL, R$ 18,04 bilhões foram cedidos em resseguro até julho, o equivalente a 13,41%.
As resseguradoras locais receberam R$ 9,59 bilhões, enquanto as admitidas ficaram com R$ 4,20 bilhões e as eventuais, com R$ 4,25 bilhões. Os valores apresentados pela Susep são líquidos das comissões de resseguro. O mercado brasileiro contava, em julho, com 15 resseguradoras locais, 25 admitidas e 92 eventuais autorizadas a operar no país.
As resseguradoras locais também registraram R$ 900,46 milhões em aceitação de riscos provenientes do exterior no acumulado até junho, dado divulgado com defasagem de um mês. Desse total, R$ 699,29 milhões correspondem a prêmios líquidos de resseguro e R$ 201,18 milhões a retrocessões aceitas líquidas.























