Sonho Seguro com informações do CQCS e da CNseg
A favela de Paraisópolis, na zona sul de São Paulo, recebeu no sábado (12) a Feira Seguros para Todos os Bolsos, promovida pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg). O evento reuniu moradores, seguradoras, entidades do setor e lideranças comunitárias com o objetivo de aproximar a população do universo dos seguros, da proteção financeira e da educação financeira de forma simples e acessível.
A iniciativa atacou um dos principais desafios do mercado segurador brasileiro: ampliar a proteção de uma parcela da população que ainda está fora do sistema. Embora o Brasil esteja entre os maiores mercados de seguros do mundo, a cobertura permanece concentrada em determinados produtos e faixas de renda. Apenas 18% dos brasileiros possuem seguro de vida e cerca de 30% da frota nacional de veículos conta com algum tipo de seguro.
A baixa penetração ajuda a explicar por que os microsseguros e, mais recentemente, os chamados seguros inclusivos ganharam espaço na agenda do setor. Mais do que oferecer apólices de baixo valor, a proposta é desenvolver coberturas simples e adequadas às necessidades de famílias de menor renda e pequenos empreendedores, com contratação facilitada, linguagem compreensível e canais de distribuição capazes de chegar a públicos tradicionalmente pouco atendidos pelo mercado.
Nesse contexto, produtos como seguro de vida, acidentes pessoais, assistência funeral e proteção de renda podem funcionar como uma primeira porta de entrada para o seguro. Para famílias com pouca reserva financeira, um acidente, uma morte ou a interrupção da renda do responsável pelo domicílio pode comprometer rapidamente o orçamento familiar. O seguro passa, portanto, a funcionar não apenas como proteção patrimonial, mas como instrumento de resiliência financeira.
A ampliação do acesso faz parte também das metas de longo prazo da indústria. O Plano de Desenvolvimento do Mercado de Seguros (PDMS), coordenado pela CNseg, pretende aumentar em 20% a parcela da população atendida pelos produtos de seguros, previdência aberta, saúde suplementar e capitalização e elevar a participação do setor para o equivalente a 10% do PIB até 2030.
Foi dentro dessa estratégia que Paraisópolis recebeu a primeira edição da Feira Seguros para Todos os Bolsos. A iniciativa deverá ser levada a outras regiões do Brasil. Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, ampliar o acesso passa também por mostrar à população de que maneira os produtos podem ser utilizados no cotidiano.
“Hoje realizamos a Feira Seguros para Todos os Bolsos em Paraisópolis. É uma iniciativa que terá continuidade em muitas outras regiões do país. Estamos só começando um longo trabalho que precisa ser feito para que o setor de seguros tenha uma contribuição efetiva na melhoria da vida dessas pessoas”, afirmou Oliveira.
A aproximação entre o mercado segurador e os moradores foi destacada também por Denis, presidente da CUFA Paraisópolis. Segundo ele, ainda existe desconhecimento nas comunidades sobre a função dos diferentes tipos de proteção. “Tem muita gente no território da favela que não entende para que serve o seguro, como utiliza o seguro. Trazer várias companhias para dentro do território, apresentando seu trabalho e seus produtos, é de suma importância”, disse.
A diretora da Superintendência de Seguros Privados (Susep), Julia Normande, também participou da abertura e defendeu o desenvolvimento de soluções que considerem as características de cada território e sejam compreendidas pela população. “A gente quer que o seguro chegue para todos, mas que chegue entendendo as comunidades, as pessoas e as situações em que aquele produto pode ser útil”, declarou. Julia também orientou os consumidores a buscar informações claras sobre coberturas, exclusões e condições dos produtos antes da contratação.

Representando as empresas do grupo CNP, Grégoire Saint destacou que a ampliação da proteção está relacionada ao próprio propósito de atuação do grupo. “Todas essas empresas estão pautadas pelo nosso propósito, pela nossa razão de ser, que é aumentar a proteção de todas as populações por meio dos produtos de seguros”, afirmou.
Com a chamada “Bradesco Seguros | Mais Proteção e Mais Inclusão”, a companhia promoveu dois momentos de interação com o público. Às 9h45, cerca de 80 participantes acompanharam uma apresentação com duas dinâmicas sobre seguros: uma atividade de verdadeiro ou falso e um quiz de perguntas e respostas. Os participantes que acertaram as questões receberam brindes e, ao final, o público teve acesso a um voucher para retirada de brindes no estande do Grupo Bradesco Seguros.
“A ampliação da cultura do seguro passa por tornar esse universo mais próximo e compreensível para as pessoas. Queremos mostrar, de forma leve e conectada a situações reais, que falar sobre proteção também é falar sobre planejamento, escolhas e projetos de vida. Estar em Paraisópolis e promover essa troca diretamente com a comunidade é uma oportunidade importante para avançarmos nessa direção”, afirma Ivani Andrade, superintendente de Sustentabilidade do Grupo Bradesco Seguros, que participou da feira.
Além da apresentação, o estande da companhia contou com uma experiência interativa por meio de um Totem Ring. Na ativação, cada visitante pôde escolher o seguro que melhor representava seu momento de vida e fazer uma foto. A partir da escolha, uma ferramenta de inteligência artificial criou um fundo personalizado relacionado à modalidade selecionada. A imagem foi impressa na hora e também pôde ser compartilhada nas redes sociais.
A proposta foi utilizar uma experiência lúdica para aproximar os visitantes das diferentes possibilidades de proteção e estimular a reflexão sobre como as necessidades de seguro podem acompanhar diferentes fases e circunstâncias da vida.
A iniciativa está alinhada à atuação do Grupo Bradesco Seguros em inclusão securitária e educação financeira. Entre os direcionadores desse trabalho está a democratização do acesso à proteção, combinando soluções adequadas a diferentes públicos, linguagem simples e iniciativas que contribuam para ampliar o conhecimento sobre seguros.
“Promover inclusão securitária envolve não apenas ampliar o acesso a soluções de proteção, mas também criar condições para que mais pessoas conheçam e compreendam essas alternativas. Quando levamos informação de maneira clara, acessível e próxima da realidade de cada público, contribuímos para escolhas financeiras mais conscientes e para a construção de uma cultura de proteção mais abrangente”, destaca Ana Claudia Frighetto Gonzalez, superintendente de Marketing do Grupo Bradesco Seguros.

Durante o evento, a Favela Seguros promoveu a palestra “Quem o seguro protege? Raça, território e futuro a partir de Paraisópolis”, com o objetivo de discutir e conscientizar a população local sobre a importância de ter uma proteção financeira por meio do seguro. Conduzida por Gê Coelho, gerente de Relacionamento da Favela Seguros, e por Fênix, presidente da CUFA Paraisópolis, a apresentação destacou o potencial que existe na favela e como as seguradoras devem olhar para isso e desenvolver produtos voltados para as pessoas desses territórios.
“Quando o mercado vem para a favela, ele não vem apenas para falar sobre seguro, mas também para ouvir e aprender com quem vive aqui. As periferias têm conhecimento, empreendedores, famílias e um enorme potencial de crescimento. A Favela Seguros nasce desse olhar, com soluções pensadas para a realidade desses territórios. Queremos mostrar, na prática, que seguro também é para quem vive na favela e que proteção financeira deve estar ao alcance de todos”, afirma Gê Coelho.
A relação com Paraisópolis está diretamente ligada à origem da Favela Seguros, lançada em 2024. Devido ao potencial da região, ela foi uma das quatro escolhidas inicialmente para a implementação da iniciativa (ao lado da Brasilândia, também na capital paulista, e das favelas cariocas da Penha e da Rocinha).
Atualmente, a empresa conta com sete representantes Paraisópolis, mas ainda possui outras vagas abertas, buscando levar proteção familiar aos moradores. Ao formar profissionais dentro das comunidades, a iniciativa fortalece o empreendedorismo local, amplia o acesso à proteção financeira para famílias e pequenos empreendedores e contribui para a geração de trabalho e renda dentro do próprio território.
Criada pela Favela Holding e pela MAG Seguros, com apoio social da Central Única das Favelas (CUFA), a empresa desenvolve soluções de proteção familiar conectadas à realidade das favelas e periferias brasileiras. O modelo reúne proteção, capacitação profissional, geração de renda e desenvolvimento econômico local.
A Mapfre Seguros apresentou em Paraisópolis sua estratégia de inclusão e acessibilidade ao seguro. Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade da companhia, destacou o projeto “Ao Teu Lado” e a experiência acumulada pela seguradora no relacionamento com comunidades. “O Ao Teu Lado veio para ser um movimento de trazer acessibilidade ao seguro na América Latina. Ele está junto com o Mapfre na Favela, projeto em que estamos há mais de quatro anos entendendo as demandas sociais das populações das comunidades do país e transformando isso em soluções de seguros”, afirmou.
A Azul Seguros participou do evento com a atividade “Seguro sem complicação: como a inteligência artificial ajuda a escolher o melhor para sua família e o seu bolso”. Em linguagem acessível, a companhia abordou como a tecnologia pode facilitar a compreensão dos produtos e apoiar a escolha de soluções de proteção adequadas às necessidades e à realidade financeira de cada família.
A feira também tratou do seguro como possibilidade de atividade profissional. Rodrigo Matos, superintendente regional da Escola de Negócios e Seguros (ENS), explicou que a instituição levou informações sobre a carreira de corretor. “Falamos sobre como vender seguros e como buscar a habilitação de corretor de seguros. Foi uma iniciativa muito boa e já estou aguardando o convite para a segunda edição”, afirmou.
Para Gilson Rodrigues, fundador do G10 Favelas, iniciativas desse tipo ajudam também a mudar a percepção sobre o papel econômico das comunidades. “É importante que a gente não fique apenas com a ideia de que a favela é um local de carência e de necessidade. A favela é um local de muita potência, tem economia, produz saber e produz muita coisa boa”, destacou.
Durante o encontro, a Favela Seguros promoveu ainda a palestra “Quem o seguro protege? Raça, território e futuro a partir de Paraisópolis”, voltada à discussão sobre proteção financeira, acesso ao seguro e as particularidades das populações que vivem nas periferias.A programação contou ainda com um bate-papo sobre emprego e renda, conduzido pelo superintendente regional de São Paulo da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Rodrigo Matos, além de atração musical e atividades interativas.
Segundo a CNseg, ao reunir seguradoras e instituições do setor dentro de Paraisópolis, a feira buscou reduzir uma das barreiras à expansão do seguro no país: a distância entre os produtos oferecidos pelo mercado e a compreensão da população sobre como essas coberturas podem ser utilizadas para proteger renda, patrimônio, família e pequenos negócios.



























