Munich Re lucra € 3,9 bilhões no semestre e mantém meta para 2026

Resseguradora registra lucro de € 2,2 bilhões no segundo trimestre, beneficiada pela baixa ocorrência de grandes sinistros e pelo forte resultado dos investimentos

A Munich Re encerrou o primeiro semestre de 2026 com lucro líquido de € 3,9 bilhões, acima dos € 3,2 bilhões registrados no mesmo período do ano anterior. Somente no segundo trimestre, o resultado alcançou € 2,2 bilhões, ante € 2,1 bilhões um ano antes. A companhia manteve a meta de lucro de € 6,3 bilhões para 2026.

O desempenho foi favorecido principalmente pela baixa ocorrência de grandes sinistros no resseguro de danos e pelo forte resultado dos investimentos. No segundo trimestre, as perdas de grande porte somaram € 191 milhões, equivalentes a apenas 4,9% da receita líquida de seguros, muito abaixo dos 18% previstos pela companhia. As catástrofes naturais responderam por € 54 milhões desse total.

O negócio de resseguros contribuiu com lucro de € 1,89 bilhão no trimestre e € 3,37 bilhões no primeiro semestre. Em property & casualty, o índice combinado ficou em 68,9%. Já vida e saúde apresentou resultado técnico de € 528 milhões e lucro de € 489 milhões no trimestre. No semestre, a Munich Re concluiu sua maior operação individual já realizada no segmento de longevidade, envolvendo € 4 bilhões em passivos de previdência.

Preços do resseguro recuam nas renovações

Nas renovações de 1º de julho, que envolveram principalmente negócios na América do Norte, América do Sul, Austrália e contratos globais, a Munich Re reduziu em 9,1% o volume subscrito, para € 2,9 bilhões. A companhia afirmou ter deixado de renovar negócios que não atendiam às suas exigências de preço ou condições contratuais.

Os preços ajustados ao risco recuaram 5,5%, refletindo o aumento da competição no mercado de resseguros. Apesar do movimento, a Munich Re considera que os níveis de preços permanecem adequados e espera preservar, em grande parte, preços e condições favoráveis nas renovações de janeiro de 2027.

Os investimentos também tiveram peso importante no balanço. O resultado da carteira atingiu € 3,16 bilhões no segundo trimestre, ante € 2,19 bilhões um ano antes, com retorno de 5,5%. A valorização dos mercados acionários contribuiu para o desempenho.

Para 2026, a Munich Re manteve a projeção de lucro de € 6,3 bilhões, embora tenha reduzido a expectativa de receita de seguros do grupo de € 64 bilhões para € 62 bilhões. No resseguro, a projeção passou de € 40 bilhões para € 38 bilhões.

O ponto mais interessante para uma publicação focada no mercado de seguros e resseguros brasileiro é a queda de 5,5% nos preços nas renovações de julho e a decisão da Munich Re de reduzir volume para preservar rentabilidade, porque sinaliza claramente o avanço do soft market.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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