CNseg: gestão de riscos entra na estruturação de projetos para ampliar investimentos em infraestrutura

A incorporação de mecanismos de mitigação desde a concepção dos empreendimentos foi apontada como caminho para aumentar a resiliência climática e atrair capital para obras de longo prazo.

A adaptação às mudanças climáticas começa antes da execução das obras. Incorporar a gestão de riscos ainda na estruturação dos projetos foi apontado por especialistas como um dos principais caminhos para ampliar a capacidade de financiamento da infraestrutura e reduzir os impactos econômicos provocados por eventos extremos. 


A avaliação foi feita durante o painel “Desafios da Universalização do Saneamento: como a garantia do acesso contribui para a agenda climática”, realizado nesta terça-feira, 4 de agosto, durante o evento Brasil 2030: Economia, Clima e Competitividade, na sede da Times Brasil, em São Paulo.


Para Claudia Prates, diretora de Sustentabilidade da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o seguro deve fazer parte da estruturação dos projetos desde o início, contribuindo para identificar, mitigar e transferir riscos antes mesmo da captação dos recursos.


“A CNseg vem trabalhando em maior proximidade com o setor produtivo para mostrar que o setor faz gestão de 
riscos. Quando você olha a matriz de riscos de um projeto, identifica onde o seguro pode diminuir essa exposição. Com isso, é possível fazer uma análise do risco do projeto e trazer seguros que contribuam para mitigá-lo e torná-lo mais bancário”, afirmou. 


Claudia acrescentou que gostaria de ver os bancos reconhecendo o seguro como um instrumento de mitigação de riscos, refletindo essa proteção inclusive nas condições de financiamento dos projetos. Na avaliação da diretora, essa atuação integrada entre seguradoras, empresas, financiadores e poder público permite incorporar mecanismos de proteção desde a fase de planejamento, tornando os empreendimentos mais resilientes e reduzindo incertezas para investidores. 


A diretora também chamou atenção para o avanço das discussões sobre mecanismos de proteção contra desastres e para a necessidade de fortalecer instrumentos que permitam ampliar a cobertura diante do aumento da frequência e da intensidade dos eventos climáticos.


A necessidade de estruturar projetos mais robustos também apareceu na fala de Leandro Marin, vice-presidente regional da Aegea. Segundo ele, o interesse do mercado por infraestrutura existe, mas transformar esse potencial em investimentos depende da qualidade técnica das modelagens. “Existe uma demanda enorme, no Brasil e no exterior, por alocação de capital em projetos de infraestrutura. O que falta são bons projetos e boas modelagens”, afirmou.


De acordo com o executivo, a universalização do saneamento depende da capacidade de reunir diferentes atores em torno de contratos de longo prazo. Além de operadores e investidores, esse processo envolve financiadores, órgãos de controle, poder público e a própria sociedade, exigindo diálogo permanente durante toda a execução dos empreendimentos.


Na sequência, Natalia Dias, diretora-executiva e diretora-chefe da Divisão de Sustentabilidade do IDB Invest, destacou o papel das instituições multilaterais na preparação dos projetos e na mobilização de recursos para ampliar investimentos em infraestrutura. “O saneamento conecta três áreas muito relevantes: desenvolvimento econômico, desenvolvimento social e agenda climática. Por isso, é uma prioridade para o grupo BID”, afirmou.


Para Natalia, a atuação do banco começa antes da etapa de financiamento. Além da concessão de crédito, as instituições multilaterais apoiam governos e operadores na estruturação das concessões, na modelagem financeira dos projetos e na construção de mecanismos capazes de reduzir riscos para investidores.


A executiva destacou que o novo marco do saneamento abriu espaço para ampliar a participação do mercado de capitais no setor e citou operações conduzidas pelo BID para apoiar a universalização dos serviços. Entre elas estão garantias para parcerias público-privadas, financiamentos a operadores privados e a estruturação de emissões voltadas à agenda climática.


As discussões convergiram para um ponto comum: ampliar investimentos em infraestrutura diante das mudanças climáticas passa pela construção de projetos capazes de identificar riscos, distribuir responsabilidades e incorporar mecanismos de proteção desde sua concepção. Para os participantes, a combinação entre boa modelagem, instrumentos financeiros e gestão de riscos tende a ampliar a confiança dos investidores e aumentar a resiliência dos empreendimentos.


O evento na sede da Times Brasil integrou a programação da CNseg durante a Semana do Clima de São Paulo. Este foi o segundo dia de atividades da Confederação, cuja agenda contempla debates sobre financiamento climático, infraestrutura, ciência, agronegócio e gestão de riscos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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