Das COPs à Semana do Clima, CNseg amplia debate sobre financiamento e adaptação climática

Entidade participa da Semana do Clima de São Paulo com sete compromissos voltados a financiamento climático, infraestrutura, ciência, agronegócio e gestão de riscos

A relação entre as mudanças climáticas e a atividade econômica deixou de ocupar apenas os espaços dedicados ao meio ambiente. Hoje, figura nas discussões sobre crédito, infraestrutura, seguros, mercado de capitais, planejamento urbano e produção de alimentos. É nesse ambiente que a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) participa da programação da Semana do Clima de São Paulo, com uma agenda construída ao longo dos últimos três anos em conferências internacionais e encontros voltados ao financiamento da adaptação climática.
 

A entidade passou a integrar de forma permanente as Conferências do Clima da Organização das Nações Unidas a partir da COP28, em Dubai. Desde então, participou da COP29, promoveu a Casa do Seguro durante a COP30, em Belém, e já prepara sua atuação na COP31, marcada para Antalya, na Turquia.
 

Nesse intervalo, a discussão também chegou à Europa: em 2025, a entidade realizou o Fórum de Seguros Brasil–França, em Paris; e este ano, promoveu o Fórum de Seguros Brasil–Portugal, em Lisboa, e o Fórum de Seguros Brasil–Reino Unido, em Londres, no âmbito da London Climate Action Week. Os encontros reuniram seguradoras, resseguradoras, reguladores, investidores e representantes do setor público para discutir instrumentos de financiamento, infraestrutura resiliente, modelagem de riscos e adaptação.
 

Para o presidente da CNseg, Dyogo Oliveira, o conhecimento acumulado sobre riscos climáticos precisa chegar às decisões de investimento. “Fortalecer a resiliência climática exige ampliar a integração entre conhecimento técnico e mecanismos de proteção financeira. O seguro transforma o conhecimento sobre riscos em proteção financeira, permitindo que famílias, empresas e governos tenham condições de se recuperar com mais rapidez diante de eventos extremos”, disse.
 

A programação em São Paulo reúne temas que fizeram parte dessa agenda internacional. O primeiro compromisso será o lançamento do Grupo de Trabalho de Finanças Climáticas, organizado pelo Instituto Aya e O Futuro. Na sequência, a Confederação participa do encontro promovido pela Sustainable Business COP (SBCOP) sobre a contribuição do setor privado para a COP31.
 

No dia seguinte, representantes da entidade estarão na Fundação Getúlio Vargas (FGV) para discutir como planos de adaptação podem atrair investimentos privados destinados ao aumento da resiliência climática. Ainda em 4 de agosto, a CNseg participa do Climate 2026 – Economia, Clima e Competitividade, promovido pela Times Brasil e pela CNBC.
 

O dia 5 de agosto concentra duas iniciativas organizadas diretamente pela Confederação. Pela manhã, a CNseg realiza, ao lado da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o II Fórum de Finanças Sustentáveis. A proposta é discutir a estruturação de projetos, mecanismos financeiros e formas de ampliar a participação do capital privado em iniciativas ligadas à adaptação e à economia de baixo carbono.
 

À tarde, em parceria com FGV, promove a mesa-redonda “Risco Climático, Resiliência e o Setor de Seguros”. Pesquisadores, economistas, climatologistas, reguladores e representantes do mercado segurador discutirão o uso de dados científicos na avaliação dos riscos climáticos, seus reflexos sobre os municípios e alternativas para reduzir perdas econômicas. A programação retoma discussões iniciadas durante a London Climate Action Week e inclui temas como segurança hídrica, eventos extremos e métodos para estimar impactos econômicos associados ao clima. 
 

A agenda da CNseg na Semana do Clima será concluída em 6 de agosto, durante o World Climate Summit LATAM, com uma série de painéis organizados em parceria com o Instituto Clima e Sociedade (iCS). As discussões serão distribuídas em três frentes: a primeira tratará dos efeitos do El Niño e da proteção financeira diante da maior frequência de eventos extremos; a segunda abordará infraestrutura e concessões públicas, examinando como o risco climático pode ser incorporado ao planejamento de obras e serviços essenciais; e o último painel reunirá representantes do cooperativismo, do sistema financeiro, das seguradoras, do resseguro e do agronegócio para discutir seguro rural, crédito e gestão de riscos na atividade agrícola.
 

Ao reunir esses encontros em uma mesma semana, a programação conecta temas que vêm sendo tratados pela CNseg desde a COP28 e que continuarão presentes na preparação para a COP31, ampliando o diálogo entre setor segurador, mercado financeiro, pesquisadores, empresas e poder público.

SEMANA DO CLIMA DE SÃO PAULO – AGENDA


03/08: 14h – 15h

Lançamento do GT de Finanças Climáticas
Plataforma: São Paulo Climate Week
Organizadores: Instituto Aya & O FUTURO


03/08: 15h15 – 16h30

SBCOP: Liderança do Setor Privado para a COP31
Organizadores: SBCOP
Local: CNI


04/08: 09h – 12h

Dos Planos de Adaptação ao Investimento Privado: mobilizando empresas para a resiliência climática
Organizadores: FGV EAESP, Pres COP30, Pacto Global e iCS
Local: FGV EAESP


04/08: 11h30 – 12h30

CLIMATE 2026 – Economia, Clima e Competitividade
Organizadores: Times Brasil e CNBC
Local: CNBC


05/08: 08h30 – 12h30

Fórum de Finanças Sustentáveis
Parceiros: ANBIMA & FEBRABAN
Plataforma: Brazil Climate Solutions Week
Organizadores: Itaú e Bradesco (CUBO)


05/08: 15h – 17h

Roundtable – Risco climático, resiliência e o setor de seguros
Parceiro: FGV IISR
Local: FGV EAESP


06/08: 15h – 18h

Riscos Climáticos e o Setor Segurador: Como ampliar a resiliência do Brasil?
Parceiro: Instituto Clima e Sociedade
Plataforma: World Climate Summit
Organizador: World Climate Foundation


07/08: 13h – 18h

Dia dedicado à IA, Tecnologia e Resiliência no CUBO
Plataforma: Brazil Climate Solutions Week
Organizadores: Itaú e Bradesco (CUBO)

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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