Mais de 4 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso a qualquer tipo de seguro formal, e o volume de recursos que deixa de chegar a famílias em razão dessa falta de cobertura é estimado em US$ 1,7 trilhão por ano. Os dados foram levantados e apresentados pela diretora de Subscrição de Vida e Saúde da Austral Re, Alessandra Monteiro, durante o Encontro de Resseguros do Rio de Janeiro. Os números evidenciam um dos principais desafios da indústria seguradora e apontam para um mercado com amplo potencial de desenvolvimento.
A exclusão de uma parcela significativa da população mundial desse mercado levou especialistas a debaterem os chamados seguros inclusivos, que vêm ganhando espaço como alternativa para ampliar o acesso à proteção financeira entre populações de baixa renda e grupos historicamente afastados desse setor.
Em sua apresentação, Alessandra destacou que a expansão do segmento exige mais do que a oferta de produtos de menor custo. Para ela, o desafio passa pela criação de soluções compatíveis com a realidade de populações que permanecem à margem do sistema financeiro tradicional, seja por limitações de renda, dificuldade de acesso aos canais de distribuição ou falta de familiaridade com o seguro.
“Quando falamos em seguros inclusivos, estamos falando de adaptar produtos, linguagem, canais de venda e processos à realidade de pessoas que nunca tiveram acesso à proteção financeira. É uma oportunidade de ampliar a cobertura securitária e, ao mesmo tempo, gerar impacto social relevante”, afirma.
Segundo a executiva, iniciativas desenvolvidas em diferentes países demonstram que a combinação de tecnologia com distribuição digital e parcerias locais pode ampliar significativamente o alcance do seguro. Modelos estruturados por meio de aplicativos, cooperativas, programas sociais e outras plataformas têm permitido levar proteção a públicos historicamente desassistidos.
O resseguro exerce um papel decisivo ao permitir que seguradoras ampliem sua capacidade de operação e sustentem carteiras com grande volume de segurados e prêmios reduzidos. Além da absorção de riscos, o segmento contribui com conhecimento técnico, modelagem atuarial e desenvolvimento de produtos adequados a mercados ainda pouco explorados.
“O resseguro funciona como um viabilizador desse ecossistema. Ele oferece suporte financeiro, ajuda na precificação dos riscos e contribui para que as seguradoras possam expandir sua atuação de forma sustentável, mesmo em segmentos que apresentam desafios operacionais e estatísticos mais complexos”, explica Alessandra.
A executiva ressalta que fatores como transformação digital e avanço das insurtechs, além de crescente interesse por iniciativas ligadas à inclusão financeira e à agenda ESG criam um ambiente favorável para a expansão desse mercado.
“Existe uma demanda reprimida enorme por proteção financeira. Levar o seguro para populações que hoje não têm acesso a esse instrumento representa não apenas um ganho social, mas também uma importante oportunidade de crescimento para o setor nos próximos anos”, conclui.






















