O mercado brasileiro de seguros iniciou 2026 mantendo um ritmo de crescimento acompanhado por melhora da rentabilidade das operações. Levantamento divulgado pelo IRB+Inteligência mostra que o faturamento do setor — sem incluir saúde suplementar, VGBL, previdência aberta, capitalização e DPVAT — avançou 6,8% entre janeiro e abril, enquanto o lucro líquido das seguradoras alcançou R$ 14,7 bilhões no período, alta de 17,5% sobre o primeiro quadrimestre de 2025. A combinação de expansão dos negócios com redução da sinistralidade reforça um ambiente favorável para as seguradoras, ao mesmo tempo em que aumenta a disputa por participação de mercado.
O ranking dos dez maiores grupos seguradores evidencia esse cenário competitivo. A Porto Seguro lidera o mercado, com R$ 7,9 bilhões em prêmios emitidos entre janeiro e abril, seguida muito de perto pelo Bradesco Seguros, com R$ 7,78 bilhões. A diferença entre as duas companhias é de apenas R$ 119 milhões, equivalente a cerca de 0,2 ponto percentual de participação dentro do Top 10.

Mais do que a disputa pela liderança, o ranking revela mudanças importantes na configuração do mercado. O Grupo Talanx, controlador das marcas HDI Seguros, Yelum e Aliro, consolidou a terceira posição nacional, com R$ 5 bilhões em prêmios emitidos, praticamente empatado com o Banco do Brasil. O desempenho confirma a estratégia de expansão do grupo no Brasil e ajuda a explicar a intensa movimentação de executivos observada nos últimos meses, especialmente no segmento de riscos corporativos, hoje um dos mais disputados pelas seguradoras diante do ambiente de forte concorrência, excesso de capacidade de resseguro e das adaptações exigidas pelo novo Marco Legal dos Seguros.
Na sequência aparecem Banco do Brasil, Tokio Marine e MAPFRE, formando um bloco bastante equilibrado entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões em faturamento no quadrimestre. Allianz, Itaú Unibanco, Zurich e Prudential completam o ranking dos dez maiores grupos seguradores. Juntas, essas dez companhias responderam por R$ 47,3 bilhões em prêmios emitidos entre janeiro e abril, considerando exclusivamente os segmentos de seguros patrimoniais e de responsabilidade civil, conhecido mundialmente como “Property & Casualty (P&C)“.
Outro aspecto que chama atenção é a diferença no perfil das carteiras. A média de sinistralidade do Top 10 ficou em 42,9%, mas há grande dispersão entre os grupos. A Allianz apresentou índice de 59,2%, reflexo de uma carteira mais concentrada em ramos com maior frequência de sinistros, enquanto o Itaú Unibanco registrou 19%, seguido por Banco do Brasil (24,7%), Prudential (28,9%) e Zurich (29%).
A melhora da rentabilidade observada no setor acompanha a redução da sinistralidade agregada. Em abril, o índice caiu para 36,9%, redução de 4,6 pontos percentuais frente ao mesmo mês do ano passado. No acumulado do quadrimestre, a sinistralidade ficou em 37,9%, queda de 3,7 pontos percentuais na comparação anual.
O principal motor do crescimento continua sendo o seguro de Vida, responsável por quase 40% da expansão registrada em abril. O segmento faturou R$ 7,1 bilhões no mês e acumula alta de 8,6% no ano, impulsionado principalmente pelos produtos de vida individual e prestamista.
O seguro Automóvel também manteve desempenho positivo, com crescimento de 7,8% em abril e faturamento de R$ 5,2 bilhões, embora continue pressionado pela elevada sinistralidade, que passou de 60,1% para 61,2%.
Já o maior avanço proporcional foi registrado pelo segmento de Crédito e Garantia, cujo faturamento cresceu 52,6% em abril e acumula expansão de 29,5% no quadrimestre. O desempenho foi impulsionado sobretudo pelos seguros garantia destinados ao setor público, enquanto a sinistralidade recuou para 28,1%.
Em sentido oposto, os seguros corporativos de danos e responsabilidades registraram retração de 4,2% em abril, embora permaneçam estáveis no acumulado do ano. O seguro rural segue como a única carteira em queda, com redução de 2,5% no faturamento do quadrimestre. Ainda assim, apresentou uma das maiores melhoras operacionais, com queda de 12,1 pontos percentuais na sinistralidade.
Outro indicador que reforça o aquecimento do mercado é o crescimento das operações de resseguro. As cessões totalizaram R$ 10 bilhões entre janeiro e abril, avanço de 6,1% sobre igual período de 2025, impulsionadas principalmente pelo segmento de automóveis, responsável por mais de 80% desse crescimento.
Na avaliação do mercado, o ranking do IRB mostra que a competição deixou de ocorrer apenas entre produtos e preços. O fortalecimento do Grupo Talanx na terceira posição, a disputa acirrada entre Porto e Bradesco pela liderança e a intensa circulação de executivos entre seguradoras e resseguradoras refletem um novo momento da indústria. Além da busca por crescimento, as companhias disputam talentos especializados capazes de atender um mercado corporativo mais complexo, em meio ao excesso de capital disponível no resseguro e à implementação das regras do Marco Legal dos Seguros, que exigem revisão de contratos, produtos e processos de subscrição e distribuição.






















