José Bailone, ex-Zurich, assume como VP de riscos corporativos do grupo HDI Seguros

Mudança ocorre em um dos segmentos mais aquecidos do seguro empresarial, que combina forte concorrência, excesso de capacidade de resseguro e adaptação ao novo Marco Legal do Seguro

A disputa entre as seguradoras brasileiras deixou de ocorrer apenas na conquista de clientes e passou a se intensificar também na atração de executivos especializados. Em um momento de transformação do mercado de seguros corporativos, o Grupo HDI anunciou a contratação de José Bailone para comandar sua nova Vice-Presidência de Riscos Corporativos. O executivo deixa a Zurich Seguros, onde liderava a operação de Property & Casualty (P&C) e negócios corporativos, e assume o cargo em 13 de julho.

A movimentação acontece poucos dias depois de outra mudança relevante no segmento: Igor Di Beo deixou o comando da área de riscos corporativos da HDI para assumir a presidência da operação brasileira da Starr Insurance. As duas trocas evidenciam a crescente disputa por lideranças capazes de conduzir operações cada vez mais técnicas em um ambiente marcado por mudanças regulatórias e comerciais.

O mercado de riscos corporativos atravessa um dos períodos mais competitivos da última década. A elevada oferta de capacidade por parte dos resseguradores internacionais mantém pressão sobre preços em diversas linhas de negócios, especialmente property, responsabilidade civil, transportes e riscos de engenharia. Ao mesmo tempo, as seguradoras buscam preservar rentabilidade por meio de maior disciplina técnica, investimentos em engenharia de riscos, análise de dados e especialização das equipes.

Esse cenário ganha ainda mais complexidade com a entrada em vigor do Marco Legal do Seguro, iniciada em dezembro de 2025. A nova legislação vem exigindo uma profunda revisão de processos, contratos e coberturas em todo o mercado. Seguradoras, corretoras e departamentos de gestão de riscos das empresas estão revisando clausulados, procedimentos de subscrição, comunicação com clientes e fluxos de regulação de sinistros para atender às novas exigências legais.

Para grandes riscos, a adaptação representa uma oportunidade de modernização dos contratos, mas também exige profissionais experientes capazes de interpretar as mudanças jurídicas e transformá-las em soluções técnicas para clientes corporativos. Não por acaso, executivos com forte conhecimento em subscrição, engenharia de riscos e gestão de portfólios tornaram-se ativos cada vez mais disputados pelas companhias.

É nesse contexto que o Grupo HDI cria uma vice-presidência dedicada exclusivamente aos negócios de Riscos Corporativos. A nova estrutura acompanha a evolução da companhia, responsável pelas marcas HDI Seguros, Yelum e Aliro, e amplia a especialização das operações. Com a mudança, Rafael Ramalho, que anteriormente respondia pela operação de Automóvel, passa também a liderar as áreas de Vida e Massificados.

Engenheiro mecânico, José Bailone acumula mais de 35 anos de atuação no setor segurador. Sua carreira começou na engenharia de riscos e evoluiu para posições de liderança em subscrição, governança, gestão de portfólio e desenvolvimento de operações. Antes da Zurich, também passou por seguradoras como Berkley e Mapfre, participando de processos de transformação organizacional e fortalecimento das operações de riscos corporativos.

Na nova função, Bailone comandará a estratégia, o desenvolvimento e a gestão da área de Riscos Corporativos do Grupo HDI, que reúne a estrutura da antiga HDI Global no Brasil.

“Assumo este desafio com entusiasmo e a convicção de que o Grupo HDI vive um momento importante de expansão e transformação. Minha expectativa é contribuir para uma nova etapa de crescimento sustentável dos negócios de Riscos Corporativos, ampliando nossa atuação, fortalecendo a proximidade com clientes, corretores e parceiros e criando novas oportunidades em diferentes segmentos do mercado. Tudo isso apoiado por uma gestão técnica consistente, capaz de impulsionar o desenvolvimento de longo prazo da operação”, afirma José Bailone.

A contratação ocorre em um momento de expansão da companhia. Em 2025, o Grupo HDI registrou R$ 15,8 bilhões em prêmios emitidos no Brasil, dos quais aproximadamente 19% foram gerados pela carteira de Riscos Corporativos, reforçando a importância estratégica do segmento para os planos de crescimento da seguradora.

A sucessão de movimentações entre Zurich, HDI e Starr sinaliza que a concorrência no mercado corporativo brasileiro deverá continuar intensa, não apenas pela disputa por clientes e participação de mercado, mas também pela formação de equipes capazes de combinar excelência técnica, relacionamento com corretores e adaptação ao novo ambiente regulatório inaugurado pelo Marco Legal do Seguro.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS