Setor de seguros espera que STF resolva em agosto impasse sobre cobrança de PIS/Cofins em reservas técnicas

Tema tem impacto perto de R$ 1 bilhão por ano e pode elevar custos para o setor em momento de ofensiva para ampliar cobertura securitária no país

Fonte: O Globo

Enquanto faz uma ofensiva para ampliar a cobertura no país, especialmente no âmbito de eventos relacionados às mudanças climáticas, o setor de seguros está preocupado com uma discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) em torno da incidência de PIS/Cofins nas reservas mantidas pelas empresas do setor. 

O debate é antigo e conta com decisões diversas ao longo do tempo, mas a expectativa é que o tema finalmente seja resolvido pelo STF na retomada do recesso do Judiciário, em agosto. O ministro Alexandre de Moraes, após pedido de vistas, devolveu no fim de maio os autos, permitindo que o tema seja retomado para definição em repercussão geral (que firma jurisprudência para todo o país), o que o setor de seguros espera que ocorra ao longo do segundo semestre, após a retomada dos trabalhos do Judiciário.

O presidente da Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg), Dyogo de Oliveira, destacou ao GLOBO que as reservas técnicas são obrigação regulatória para garantir pagamento de sinistros e que, por isso, não caberia a tributação. Ele destaca que a natureza dessa receita é tão específica que o dinheiro sequer pode ser usado para outra finalidade que não seja pagamento dos ressarcimentos para os segurados que tiveram algum evento, como acidente de carro ou perda de imóvel. E que isso vai implicar em alta de custos. 

Oliveira lembra que esse tipo de ativo é altamente regulado, inclusive com exigência de que sejam aplicados em ativos de alta liquidez, como títulos públicos, para garantir sua disponibilidade. Além disso, na visão dele, a cobrança do tributo representaria uma dupla tributação, uma vez que PIS/Cofins já incidem sobre os “prêmios”, o valor que o segurado paga ao adquirir um seguro. 

— Não faz o menor sentido você ter uma incidência de PIS/Cofins numa atividade de aplicação dessas reservas. Não tem nada a ver com a atividade das seguradoras. É diferente do banco. Eles estão querendo é tributar de novo, tributar o rendimento desse negócio que é feito por uma obrigação regulatória e para garantir o pagamento (dos sinistros). É uma dupla tributação. Na verdade, tripla, porque esse rendimento vai ser tributado pelo imposto de renda ao entrar no balanço das empresas e na apuração do lucro — disse Oliveira. 

Procurada, a Receita Federal disse que não comenta processos em andamento. Segundo o GLOBO apurou, o entendimento do Fisco é que esses rendimentos seriam comparáveis a uma receita financeira, similar às receitas de bancos, e decorrente da atividade da empresa, por isso quer cobrar o tributo. 

O impacto de perda de arrecadação seria da ordem de R$ 900 milhões por ano, mas o número é contestado pela CNSeg, que lembra que há decisões suspendendo a cobrança para várias empresas, embora em outros casos a cobrança está mantida e sendo feito em juízo ou regularmente ao Fisco.

O relator do tema no STF é o ministro Luiz Fux, que já apresentou voto favorável à tese das seguradoras de que não cabe a incidência no caso específico das reservas técnicas. A decisão que vier a ser tomada em plenário, por ser repercussão geral, valerá para todo o país.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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