Livro de Manuel Matos examina como a economia de dados redesenha a proteção ao segurado 

O sistema nacional de seguros, previdência privada e capitalização movimenta mais de R$ 750 bilhões por ano em arrecadação e acumula mais de R$ 2 trilhões em provisões técnicas – o equivalente a 16% do PIB brasileiro. Apesar dessa dimensão, a reorganização em curso na infraestrutura de dados que sustenta o setor ainda é pouco compreendida por quem precisa legislar sobre ele, regulá-lo ou investir nele. 

O autor independente Manuel Matos lança o livro Da Intermediação à Infraestrutura — A Distribuição de Seguros e a Arquitetura da Confiança na Era dos Dados. A obra analisa como a convergência entre regulação, tecnologia e economia de dados está reorganizando a distribuição de seguros no Brasil, e coloca uma pergunta no centro: o que essa mudança entrega a quem contrata o seguro. 

O argumento parte de uma constatação. Open Insurance, Open Finance, identidade digital e inteligência artificial não são temas isolados. São faces de uma mesma transformação: a reorganização da confiança numa economia movida por dados. A distribuição de seguros, antes apenas intermediário comercial, passa a operar como infraestrutura. 

A obra documenta essa reorganização. Em 27 capítulos, propõe um arcabouço conceitual para nomear os fenômenos que estão redefinindo a distribuição de seguros na era dos dados: a contribuição tridimensional sobre o distribuidor independente, a regulação infraestrutural de fato exercida por plataformas privadas, a captura regulatória invertida que esvazia a capacidade normativa do regulador e a bifurcação entre o corretor-canal de cotação e o corretor-arquiteto de risco. 

Matos desloca o foco do debate. A transformação do canal é o contexto, não o tema. O tema é o segurado, a pessoa que protege a si, a família e o patrimônio. Cada mudança regulatória ou tecnológica é avaliada por um único critério: serve ao interesse de quem contrata o seguro? O livro trata o corretor não como protagonista, mas como o agente que traduz a complexidade para o segurado, função que ganha peso na era da IA.
 

Escrito para legisladores, reguladores e executivos do setor, o livro é o primeiro de uma série. O segundo, As Infraestruturas de Mercado do Século XXI, está em desenvolvimento.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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