FenaSaúde divulga dados comparativos de rentabilidade do setor

Em nova live dedicada a indicadores e análises setoriais, a entidade mostra que a recuperação da saúde suplementar ainda é tímida quando comparada a de outros segmentos da economia

enaA Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) realizou mais uma edição de sua transmissão dedicada à análise de indicadores do setor. Durante o encontro, foram divulgados dados que apontam uma recuperação gradual do mercado de planos de saúde, ao mesmo tempo em que evidenciam desafios relacionados ao equilíbrio econômico-financeiro da saúde suplementar. A transmissão foi conduzida por Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde; Rafael Scherre, diretor de regulação econômica da entidade; e João Marchi, coordenador de informação em saúde suplementar da FenaSaúde.
 

As projeções da entidade indicam que 2026 deverá encerrar com um total entre 53,5 milhões e 54,1 milhões de beneficiários. Os dados do primeiro trimestre de 2026 (1T26), no entanto, mostraram desaceleração no ritmo de crescimento observado nos períodos anteriores. No segmento médico-hospitalar, a variação foi de -0,06% em relação ao fechamento de 2025, enquanto os planos exclusivamente odontológicos registraram alta de 0,81%.
 

“Existe uma correlação histórica entre o PIB, a taxa de desemprego e o número de beneficiários da saúde suplementar. Mesmo com o desemprego em níveis historicamente baixos, o cenário de juros elevados e o aumento dos custos exercem pressão sobre a capacidade de expansão do setor”, disse Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde.

Cobertura estabilizada e peso do resultado financeiro
 

A série histórica analisada pela entidade mostra que a taxa de cobertura dos planos médico-hospitalares permanece próxima de 25% da população brasileira há mais de uma década. Já os planos odontológicos mantêm trajetória de crescimento, passando de cerca de 10% de cobertura em 2014 para 17% no início de 2026.

Dados referentes ao período entre 2018 e 2025 indicaram que o resultado financeiro, proveniente dos investimentos e aplicações das reservas técnico-regulatórias, respondeu por 53% do resultado total das operadoras antes dos impostos. No mesmo período, o resultado operacional representou 23% do total.


Rentabilidade abaixo de outros segmentos
 

Para aprofundar o diagnóstico sobre a situação econômica do setor, a FenaSaúde encomendou um estudo à consultoria LCA, que comparou o desempenho da saúde suplementar com outros segmentos da economia no Brasil e no exterior.

Entre os principais resultados estão:

• Margem líquida reduzida: entre 2010 e 2025, a margem líquida média das operadoras foi de 3,5%. Excluindo o resultado financeiro, a margem operacional média ficou em 0,6%.


• Retorno inferior ao custo de capital: segundo o estudo, o retorno obtido pelas operadoras sobre os recursos investidos foi insuficiente para cobrir o custo de captação e manutenção desse capital ao longo do período analisado, especialmente após a pandemia.


• Desempenho inferior a outros segmentos: a margem líquida média das operadoras foi inferior à observada em outros elos da cadeia da saúde. Enquanto o setor de planos de saúde registrou margem de 3,5% entre 2010 e 2025, a indústria farmacêutica apresentou margem média de 19,6% no mesmo período.


Os indicadores também mostram que as despesas assistenciais seguem crescendo em ritmo superior ao das receitas e da inflação. Em 2025, de cada mensalidade paga pelos beneficiários, cerca de R$ 15 permaneceram, em média, com as operadoras após o pagamento das despesas assistenciais.


Sustentabilidade do setor e ajustes regulatórios

No segmento de planos individuais, a equipe técnica da FenaSaúde reforçou, durante a transmissão, que há um descompasso entre a evolução dos custos assistenciais e os mecanismos de reajuste atualmente vigentes. Essa diferença representa um dos desafios para a sustentabilidade econômico-financeira da saúde suplementar.


Outro tema abordado durante a transmissão foi o impacto do envelhecimento populacional sobre o setor. Atualmente, a proporção de beneficiários na última faixa etária em relação à primeira é de 72%. As projeções apresentadas durante a transmissão indicam que essa relação poderá alcançar 109% na próxima década, em um ritmo de envelhecimento superior ao observado nos últimos 25 anos.


“Esse cenário reforça a necessidade de atualização das regras que regem o mercado, de forma a acompanhar as transformações demográficas, epidemiológicas e econômicas do país”, afirmou Rafael Scherre, diretor de regulação econômica da FenaSaúde. 


Durante a transmissão, a equipe técnica também defendeu a ampliação do debate sobre mecanismos de compartilhamento de custos, como coparticipação e franquias. De acordo com Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde, esses instrumentos podem ampliar as alternativas de acesso aos planos de saúde e contribuir para o equilíbrio e a sustentabilidade do sistema no longo prazo.


“Os números mostram que a saúde suplementar segue atendendo mais de 50 milhões de brasileiros, mas enfrenta desafios estruturais que exigem aperfeiçoamentos regulatórios e instrumentos capazes de garantir sua sustentabilidade no longo prazo. O envelhecimento populacional, a evolução dos custos assistenciais e a necessidade de ampliar o acesso exigem um debate baseado em evidências e na busca de soluções que preservem o equilíbrio do sistema de saúde no país”, concluiu Sobral.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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