FF Seguros lança apólice de RC-V e alerta transportadoras para fiscalização eletrônica da ANTT a partir de julho

Com menos da metade do mercado preparada para operar o seguro obrigatório de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V), seguradora lança produto com coberturas ampliadas, autonomia local de subscrição e reforça a urgência da adequação às novas regras do transporte rodoviário de cargas

O mercado de transporte rodoviário de cargas entra na reta final para uma das mudanças regulatórias mais relevantes dos últimos anos. A partir de 1º de julho de 2026, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) iniciará a verificação automática da contratação dos três seguros obrigatórios previstos pela Lei nº 14.599/2023: RCTR-C, RC-DC e RC-V. “O seguro passou a integrar o conjunto das três apólices obrigatórias previstos pela Lei 14.599. Muitos transportadores já possuem seguros facultativos semelhantes, mas agora existe uma exigência regulatória específica. O objetivo é garantir que toda a operação esteja aderente às regras da ANTT e da Superintendência de Seguros Privados (Susep)”, explica Marcello van Cleef, head de Cargo da FF Seguros.

A nova sistemática permitirá que os sistemas da ANTT consultem diretamente as bases das seguradoras para confirmar a existência das apólices. Sem a comprovação dos seguros obrigatórios, transportadores poderão enfrentar restrições para manter o registro e operar regularmente. Neste contexto, a FF Seguros anuncia o lançamento do seu produto de Responsabilidade Civil de Veículo (RC-V), desenvolvido especificamente para atender às exigências regulatórias da Susep e da ANTT. A companhia aposta não apenas na cobertura obrigatória, mas também em diferenciais de subscrição, gestão de risco e autonomia local para atender corretores e transportadores em um momento de forte demanda do mercado.

“O mercado está correndo contra o relógio”, afirma Cleef, e isso faz com que o lançamento do novo produto ocorra em um momento decisivo para o setor. Com a efetiva integração entre as seguradoras e a ANTT, os dados das apólices passam a ser consultados eletronicamente pelo sistema da agência. Na prática, o transportador que não estiver adequado às exigências poderá enfrentar dificuldades para manter suas operações regulares.

O mercado está muito aquecido porque a fiscalização deixa de ser apenas orientativa e passa a contar com verificação automática. “Com a contagem regressiva para a entrada em produção do sistema da ANTT, a expectativa do mercado é que as próximas semanas sejam marcadas por uma corrida das transportadoras para regularizar suas apólices e evitar interrupções ope racionais”, alerta Julio Lemos, superintendente de Cargo da FF Seguros.

Para a FF Seguros, a obrigatoriedade do RC-V cria uma oportunidade relevante de expansão no segmento. “Existe um mercado importante se formando. O objetivo é proteger nossa carteira, garantir que os clientes tenham os três seguros obrigatórios e oferecer uma solução completa para o transportador. A adequação regulatória deixou de ser uma discussão futura. Ela passa a fazer parte da operação diária das empresas”, conta Lemos. 

Embora a regulamentação tenha avançado ao longo dos últimos dois anos, o mercado ainda passa por um processo de adaptação. De acordo com levantamento da própria FF Seguros com base em dados da Susep, cerca de 12 seguradoras já aparecem operando o ramo 0659, referente ao RC-V, número que representa menos da metade das aproximadamente 25 companhias que atuam no segmento de transportes.

Para Lemos, o desafio agora é conscientizar corretores e transportadores. “Muitos transportadores ainda não contrataram o RC-V e alguns estão esperando para ver como será a fiscalização. A recomendação é não correr riscos. O corretor precisa alertar seus clientes sobre a obrigatoriedade e sobre a proximidade da entrada em produção do sistema da ANTT.”

Um dos diferenciais do produto lançado destacados pela companhia é o fato de o RC-V ter sido desenvolvido integralmente pela área de transportes da FF Seguros. “A FF Seguros não atua no seguro de automóveis. Por isso, o produto não foi uma adaptação de uma carteira existente. Ele nasceu dentro da operação de transportes para atender especificamente às necessidades desse segmento e às exigências da nova legislação.

Segundo os executivos, a apólice foi estruturada para ir além das coberturas mínimas exigidas pela regulamentação. Entre os diferenciais estão coberturas para despesas de contenção e salvamento, custos de defesa, danos morais e estéticos, ampliação do âmbito geográfico para operações internacionais específicas, inclusão de embarcadores como segurados adicionais e modalidades flexíveis de contratação, com prêmio anual ou fracionado.

Outro ponto enfatizado pela seguradora é a autonomia da operação brasileira para aprovar condições, limites e subscrição sem necessidade de validações internacionais. “A decisão está no Brasil. Isso traz rapidez para cotação, análise de riscos, emissão de apólices e atendimento ao corretor. O mercado valoriza muito essa proximidade porque consegue falar diretamente com a equipe técnica e de subscrição”, ressalta Lemos. 

A estrutura local também conta com área própria de gerenciamento de riscos integrada à unidade de transportes, responsável por apoiar análises preventivas e projetos de inteligência operacional. Segundo os executivos, a companhia trabalha ainda na implementação de uma torre de controle para monitoramento de riscos e em iniciativas que utilizam inteligência artificial para análise estatística de sinistros e apoio à tomada de decisões.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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