Governo teme efeitos sobre seguros e caso Master

Antes mesmo do anúncio dos Estados Unidos, Ministério da Justiça já discutia impactos econômicos e operacionais da medida

Fonte: CNN

A decisão do governo de Donald Trump de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas confirmou um cenário que já vinha sendo monitorado pelo Ministério da Justiça. A preocupação não estava apenas no campo da segurança pública, mas também nos efeitos econômicos e financeiros que a medida pode produzir sobre empresas, seguradoras e investigações em andamento no Brasil.

asEntre os principais receios está o impacto sobre o mercado de seguros e resseguros. Como boa parte das seguradoras brasileiras depende de empresas estrangeiras para dividir riscos, a avaliação é que a nova classificação pode aumentar exigências de controle e elevar a percepção de risco sobre operações realizadas no país.

A preocupação é que empresas internacionais passem a considerar determinadas operações no Brasil mais sensíveis diante da presença de grupos agora enquadrados como terroristas.

Isso tende a elevar o custo do resseguro — mecanismo utilizado pelas seguradoras para compartilhar riscos — e pode acabar sendo repassado ao preço final de apólices, financiamentos e outras operações de crédito.

Outro temor discutido dentro do governo envolve possíveis reflexos sobre a estrutura de investigação já existente no país. Integrantes da segurança pública argumentam que órgãos brasileiros, como o Ministério Público e as polícias civis, já possuem equipes especializadas no monitoramento dessas organizações.

A avaliação é que a nova classificação pode gerar sobreposição de estruturas, ampliar disputas de competência e aumentar pressões por mudanças nos mecanismos de cooperação internacional.

O impacto também pode alcançar investigações financeiras que já estão em curso. A classificação amplia instrumentos internacionais de rastreamento de recursos e aumenta a atenção de instituições estrangeiras sobre operações contra organizações.

Nesse contexto, a atenção é voltada a casos que envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro e eventual relacionamento entre instituições financeiras e integrantes do crime organizado.

Isso inclui linhas de investigação relacionadas ao Banco Master, que já vinham sendo acompanhadas por autoridades brasileiras em apurações sobre movimentações financeiras e possíveis conexões com estruturas do crime organizado.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS