Munich Re lucra € 1,7 bilhão no trimestre com forte desempenho do resseguro

Baixa ocorrência de grandes sinistros impulsiona resultado da resseguradora alemã, que praticamente dobrou o lucro em relação ao mesmo período de 2025 e manteve projeção de € 6,3 bilhões para o ano

A Munich Re iniciou 2026 com lucro líquido de € 1,7 bilhão no primeiro trimestre, avanço de 56,7% em relação aos € 1,09 bilhão registrados no mesmo período do ano passado. O resultado foi sustentado principalmente pelo forte desempenho da operação de resseguros, favorecida pela baixa ocorrência de grandes sinistros e pela manutenção de condições consideradas positivas no mercado global de renovação de contratos.

A área de resseguros respondeu por € 1,48 bilhão do lucro consolidado do grupo no trimestre, ante € 853 milhões um ano antes. O destaque ficou para o segmento de property-casualty reinsurance, que registrou lucro de € 841 milhões e índice combinado de 66,8%, um dos principais indicadores de rentabilidade técnica do setor. No primeiro trimestre de 2025, o índice havia sido de 83,9%, pressionado pelos incêndios florestais em Los Angeles.

As despesas com grandes perdas caíram drasticamente, para € 130 milhões, frente a € 1 bilhão no mesmo período do ano anterior. Os eventos naturais responderam por apenas € 55 milhões das perdas do trimestre. Já os sinistros ligados a riscos humanos somaram € 75 milhões. Ainda assim, a Munich Re informou impactos de aproximadamente € 90 milhões relacionados à guerra no Irã, divididos entre as operações de specialty insurance e property-casualty reinsurance.

Na renovação de contratos de abril, importante temporada para o mercado global de resseguros, a companhia reduziu em 18,5% o volume de negócios subscritos, para € 2 bilhões. A estratégia, segundo a empresa, foi priorizar rentabilidade e disciplina técnica, deixando de renovar contratos que não atendiam às exigências de preços e condições. Mesmo com redução média de 3,1% nos preços, a Munich Re afirmou que o nível tarifário segue favorável.

O segmento de resseguros de vida e saúde também apresentou desempenho considerado sólido, com resultado técnico de € 500 milhões e lucro líquido de € 436 milhões no trimestre.

Além do resseguro, a divisão ERGO contribuiu com € 235 milhões para o lucro consolidado. O retorno anualizado sobre patrimônio líquido (ROE) do grupo atingiu 19,7%, enquanto o índice de solvência permaneceu em 292%, bem acima da meta interna superior a 200%.

A companhia manteve a projeção de lucro líquido de € 6,3 bilhões para 2026. Segundo o CFO Andrew Buchanan, a combinação entre preços ainda favoráveis, qualidade da carteira e oportunidades de negócios nos próximos trimestres sustenta a confiança da resseguradora no desempenho do ano.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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