por Thais Ruco
A primeira edição do Congresso Minha Vida Protegida foi aberta nesta sexta-feira, 6 de março, em São Paulo, reunindo mais de 500 profissionais do mercado de seguros, planejamento financeiro e proteção patrimonial no Espaço Center 3, na Avenida Paulista. Com dois dias de programação técnica, o encontro tem como objetivo fortalecer a capacitação de corretores de seguros de vida e ampliar o debate sobre o papel da proteção financeira no planejamento das famílias brasileiras.
A abertura foi conduzida pelo idealizador do movimento que recentemente se transformou em Instituto Minha Vida Protegida, o corretor de seguros Rogério Araújo, que apresentou uma reflexão sobre o papel social do seguro de vida no país. Em sua fala, ele destacou que a proteção financeira precisa ser compreendida como parte fundamental da organização familiar e da gestão patrimonial.
“O seguro de vida tem um papel de transformação social no nosso país. Ele protege sonhos, projetos e ajuda a trazer estabilidade financeira para as famílias”, afirmou. Rogério Araújo também chamou atenção para a fragilidade financeira de grande parte da população brasileira. Segundo ele, muitas famílias dependem da renda de apenas um ou dois provedores e não possuem reserva financeira estruturada, o que amplia o impacto de eventos inesperados.
Um dos momentos mais emocionantes da abertura ocorreu quando o organizador apresentou ao público a história de Marlene, uma diarista de Santa Catarina que cria sozinha o filho autista Rafael. O relato de Marlene, que veio com o filho ao evento, foi utilizado para ilustrar como a ausência de planejamento financeiro pode afetar profundamente a vida das famílias brasileiras. Ao final da apresentação, o movimento anunciou a entrega de uma apólice de seguro de vida para proteger a família, gesto que gerou forte comoção entre os participantes.
Para Rogério Araújo, a iniciativa simboliza o propósito do movimento. “Enquanto existirem famílias preocupadas com o futuro dos filhos e sem acesso à proteção financeira, nós precisamos trabalhar”, declarou.
Seguro de vida como estratégia de planejamento
A programação técnica teve continuidade com a palestra de Daniele Coelho e Regiane Alves, que abordaram o seguro de vida como instrumento estratégico dentro do planejamento financeiro. As especialistas defenderam que a proteção deve ser vista como parte central da estrutura financeira das famílias.
“Não existe planejamento financeiro sem seguro de vida. Ele não é apenas um produto, é uma estratégia”, afirmou Daniele Coelho. Regiane Alves destacou que o maior risco financeiro para qualquer família é a interrupção da renda. “Pouco importa a alocação dos investimentos se a pessoa não consegue mais gerar receita. O que sustenta todo o planejamento é a renda”, explicou.
Coberturas em vida e impacto das doenças graves
Na sequência, o especialista Elizeu Dias trouxe para o debate o tema das coberturas em vida, ressaltando que a proteção financeira não se limita à cobertura por morte. Ele destacou o impacto econômico que doenças graves podem provocar na vida das famílias. “A toxicidade financeira é real. Quem enfrenta uma doença grave muitas vezes precisa parar de trabalhar e passa a enfrentar despesas que não estavam previstas”, afirmou.
Durante a palestra, o especialista apresentou casos reais e convidou o profissional Anderson Mathias para relatar a experiência vivida por sua família após o diagnóstico de câncer de sua mãe, reforçando o impacto financeiro que uma doença pode gerar mesmo em famílias estruturadas.
Proteção para famílias atípicas
O debate avançou para um tema sensível com a palestra do especialista Luiz Ricardo, que abordou o seguro de vida no contexto das chamadas famílias atípicas, aquelas que convivem com dependentes que necessitam de cuidados permanentes.
Compartilhando a história de sua filha Ananda, diagnosticada com epilepsia grave e transtorno do espectro autista, o especialista destacou a necessidade de planejamento financeiro estruturado para garantir o cuidado no longo prazo. “Minha filha não terá autonomia financeira. Ela dependerá de mim e da mãe dela por toda a vida. Então a pergunta que eu faço é: como ficará a vida dela quando nós não estivermos mais aqui?”, afirmou.
Segundo ele, nesses casos o seguro de vida e a previdência privada tornam-se instrumentos fundamentais para assegurar continuidade de cuidados e estabilidade financeira.
Dimensionamento correto das coberturas
A importância de calcular adequadamente as necessidades de proteção foi tema da palestra de Mateus Nicolau. O especialista apresentou uma metodologia baseada em análise de risco e impacto financeiro para ajudar corretores a dimensionar corretamente as coberturas. “Seguro não protege carro, não protege celular e nem protege a vida. Seguro protege fluxo de caixa”, afirmou.
Segundo Nicolau, o papel do corretor é ajudar o cliente a compreender o tamanho do risco e decidir quanto deseja transferir para a seguradora.
Desenvolvimento profissional no mercado de seguros
A construção de carreiras de alto desempenho no mercado de seguros foi abordada por Felipe Sousa, que apresentou metodologias utilizadas pela MDRT (Million Dollar Round Table), uma das principais associações internacionais do setor.
“A MDRT reúne profissionais de excelência em cerca de 200 países. Apenas uma pequena parcela do mercado consegue atingir esse nível”, explicou o Zone Chair da MDRT na América Latina.
Para Felipe Sousa, disciplina, prospecção estruturada e relacionamento genuíno com clientes são fatores decisivos para o crescimento profissional. “O produto que nós trabalhamos fala sobre amor. Quando entendemos isso, prospectar deixa de ser um ato de venda e passa a ser um ato de cuidado”, afirmou.
Potencial de crescimento do seguro de pessoas
O presidente da Fenaprevi, Edson Franco, analisou o cenário do mercado brasileiro e destacou o grande potencial de crescimento do seguro de pessoas no país. “O Brasil é uma das maiores economias do mundo, mas quando olhamos a penetração do seguro de pessoas no PIB estamos muito abaixo do potencial que poderíamos alcançar”, afirmou.
Segundo ele, a principal barreira para o crescimento do setor ainda é a falta de informação e orientação adequada para os consumidores. “Muitas pessoas dizem que já pensaram em ter seguro de vida, mas não sabem como fazer ou nunca receberam uma orientação adequada”, destacou.
Planejamento sucessório e liquidez financeira
O papel do seguro de vida na sucessão empresarial foi tema da palestra de Tiago Melo, que destacou a importância da liquidez em processos sucessórios. “Você pode ter o melhor advogado do mundo ou o melhor contador, mas quem entrega o cheque somos nós”, afirmou.
Segundo o especialista, a apólice pode garantir recursos imediatos para reorganizar empresas familiares e evitar a venda de ativos em momentos de crise.
O tema foi aprofundado em uma mesa de debates com a especialista Fernanda Onófrio, que discutiu a relação entre seguro de vida, inventário e holdings familiares. “O planejamento sucessório exige integração entre áreas jurídicas, contábeis e financeiras. O seguro de vida precisa fazer parte dessa conversa”, explicou.
Consórcios e alavancagem patrimonial
Encerrando a programação do primeiro dia, os especialistas Amândio Martins e Emerson Soares apresentaram o consórcio como instrumento de aquisição e alavancagem patrimonial. “O consórcio é uma compra compartilhada. Pessoas se unem para adquirir bens sem pagar juros bancários e com disciplina financeira”, afirmou Amândio Martins.
Emerson Soares destacou que o produto pode funcionar como ferramenta de planejamento patrimonial quando utilizado com estratégia. “Quem perde dinheiro com consórcio geralmente erra no fluxo de caixa. Quando bem utilizado, ele se torna uma poderosa ferramenta de construção patrimonial”, explicou.
Reconhecimento a parceiros do movimento
Durante a programação também houve um momento de reconhecimento institucional a profissionais que contribuíram para o desenvolvimento do movimento Minha Vida Protegida. Na ocasião, Rogério Araújo realizou a entrega de troféus a Anderson Ojope e Kalebi Fernandes, da Educa Seguros, destacando a parceria desde as primeiras iniciativas do projeto.
Com auditório lotado e forte participação dos profissionais do setor, o primeiro dia do congresso reforçou a importância da proteção financeira e do planejamento patrimonial no Brasil. A programação segue neste sábado com novos painéis sobre previdência, investimentos internacionais, reforma tributária e tecnologia aplicada ao mercado de proteção financeira.
Papel consultivo do corretor
O segundo dia do Congresso Minha Vida Protegida, realizado em São Paulo de 6 a 7 de março, aprofundou o debate sobre o papel do corretor de seguros no planejamento financeiro das famílias brasileiras. A programação reuniu especialistas para discutir temas como previdência pública e privada, planejamento financeiro, investimentos internacionais, reforma tributária, tecnologia e inteligência artificial no mercado de proteção financeira.
Idealizador do movimento e fundador do Instituto Minha Vida Protegida, o corretor de seguros Rogério Araújo reforçou o propósito da iniciativa de ampliar a cultura de proteção financeira no país e fortalecer a atuação consultiva dos profissionais do setor. “O movimento Minha Vida Protegida nasceu para lembrar algo fundamental: o seguro de vida não é apenas um produto financeiro, é uma ferramenta de cuidado com as famílias. Nosso objetivo é formar profissionais cada vez mais preparados para orientar as pessoas em decisões que impactam diretamente o futuro de quem elas amam”, afirmou.
Ao longo das apresentações, os palestrantes destacaram que o futuro da profissão passa por uma atuação cada vez mais consultiva, na qual o corretor deixa de ser apenas um vendedor de produtos e passa a atuar como orientador estratégico na organização financeira dos clientes.
Proteção social, planejamento tributário e previdência complementar
Abrindo a programação do segundo dia, o painel “O quarteto fantástico: INSS + IRPF + Previdência Privada + Benefícios de Renda”, conduzido por Anderson Mathias e Luciano Tane, apresentou como a integração entre proteção social, planejamento tributário e previdência complementar pode ampliar oportunidades de atuação para corretores de seguros.
Durante a apresentação, Anderson Mathias ressaltou que muitos profissionais ainda analisam o sistema previdenciário de forma superficial, sem compreender seu papel dentro da estrutura de proteção financeira. “Antes de falar mal do INSS, precisamos entender que ele não é opcional, mas uma obrigação legal. Além disso, oferece benefícios importantes, como renda por incapacidade, pensão por morte e auxílio-doença”, afirmou.
Segundo ele, o sistema público deve ser visto como base da proteção financeira, enquanto os produtos privados funcionam como complementos estratégicos no planejamento patrimonial. “O INSS garante o básico da sobrevivência. O restante da proteção e da construção patrimonial pode e deve ser estruturado com os produtos que o mercado oferece”, explicou.
Luciano Tane reforçou que o desconhecimento sobre o funcionamento do sistema previdenciário ainda limita a atuação consultiva dos profissionais do setor. “Quando alguém morre e deixa uma pensão para a família, isso precisa ser considerado como patrimônio. Muitas vezes as pessoas dizem que pagaram o INSS e não acumularam nada, mas esquecem que essa proteção existe”, destacou.
Para ele, a análise da declaração de Imposto de Renda pode se tornar uma poderosa ferramenta de diagnóstico financeiro. “Na declaração de Imposto de Renda está praticamente toda a vida financeira do cliente. Quem aprende a ler esse documento passa a ter uma visão muito mais completa para orientar decisões”, afirmou.
Ao final do painel, os especialistas defenderam que o domínio desses temas amplia significativamente a capacidade consultiva do corretor. “Quando o profissional entende todo esse ecossistema, ele deixa de ser apenas um vendedor de apólices e passa a atuar como um verdadeiro consultor financeiro”, concluiu Tane.
Planejamento financeiro exige disciplina e visão de longo prazo
Na sequência da programação, o especialista Ricardo Tarantella apresentou a palestra “Planejamento Financeiro – Estratégias combinadas”, destacando a importância de integrar proteção, controle de gastos e investimentos dentro de uma estratégia estruturada de longo prazo.
Logo no início de sua apresentação, ele provocou o público a refletir sobre hábitos financeiros e planejamento. “O brasileiro investe em várias coisas, mas muitas vezes não por conhecimento. A gente precisa aprender a poupar e, principalmente, escolher os produtos financeiros de acordo com os objetivos”, afirmou.
Tarantella utilizou a analogia da construção de um edifício para explicar o funcionamento do planejamento financeiro. “O planejamento financeiro é como a construção de um prédio. Primeiro vem a fundação, que ninguém vê. Essa fundação é a proteção: os seguros e a mitigação de riscos. Sem essa base sólida, todo o restante fica comprometido”, explicou.
Entre as recomendações apresentadas, ele destacou a importância de separar a renda mensal entre despesas essenciais, estilo de vida e construção patrimonial. “Hoje já falamos em guardar cerca de 20% da renda, porque vamos viver muito mais”, afirmou.
O especialista também destacou que o papel do corretor pode ser decisivo na organização financeira das famílias. “O cliente quer alguém em quem confie, que escute suas necessidades e apresente as melhores soluções de forma independente. Nosso papel é ser esse profissional”, afirmou.
Ao concluir a palestra, Tarantella reforçou que o futuro financeiro depende das escolhas feitas no presente. “Seu futuro financeiro não é definido pelo que você tem hoje, mas pelas decisões que escolhe tomar agora.”
Diversificação internacional amplia estratégias de proteção patrimonial
A internacionalização do patrimônio foi tema da palestra “Investimentos no exterior e diversificação patrimonial”, apresentada por Marcelo Cantieri. Durante sua exposição, o especialista destacou que a diversificação geográfica deixou de ser uma estratégia restrita a grandes fortunas e passou a fazer parte do planejamento financeiro de um número crescente de investidores brasileiros. “Existem estudos que mostram que, se você tiver menos de 20% do seu patrimônio dolarizado, você perde poder de compra. O consumo da classe média alta é, em grande parte, dolarizado”, explicou.
Segundo ele, o Brasil representa menos de 2% do mercado global de capitais, o que evidencia a importância de acessar oportunidades internacionais. “Quem mantém todo o patrimônio no Brasil deixa de ter acesso a 98% das oportunidades de investimento globais”, afirmou.
Cantieri ressaltou que o movimento de internacionalização ocorre independentemente da atuação do consultor financeiro. “O seu cliente vai guardar dinheiro fora do Brasil com ou sem a sua ajuda. A pergunta é se ele fará isso com a orientação de um consultor ou não”, destacou.
Ao final da palestra, o especialista reforçou que a diversificação internacional é uma estratégia de proteção patrimonial de longo prazo. “Não deixe o patrimônio do seu cliente refém de fronteiras. A diversificação internacional é uma ferramenta importante para proteger e preservar riqueza ao longo do tempo.”
Nova Lei do Seguro amplia responsabilidades e fortalece papel do corretor
As mudanças trazidas pela Lei 15.040/2024, que institui o novo marco legal do contrato de seguros no Brasil, foram analisadas pelo advogado Dr. Landulfo Ferreira Jr., em palestra seguida de painel com a participação da corretora e professora Dagliane Santos.
Segundo Landulfo, a nova legislação representa a atualização mais ampla das normas que regem o contrato de seguro nas últimas décadas. “Hoje nós temos uma lei própria do contrato de seguros, com mais de 130 artigos que tratam de forma inovadora e atualizada das normas que regem esse contrato”, explicou.
Um dos principais pontos destacados foi o reconhecimento formal do papel do corretor dentro da relação contratual. “A lei reconhece a importância do corretor de seguros. Ele deixa de ser apenas um intermediário legalmente autorizado e passa a ser entendido como um verdadeiro consultor técnico na contratação do seguro”, afirmou.
Esse reconhecimento, segundo ele, também amplia a responsabilidade profissional. “A informação não deve ser apenas transmitida ao consumidor. Ela também deve ser compreendida. O corretor precisa explicar coberturas, riscos excluídos e limitações do contrato de forma clara”, destacou.
Dagliane Santos enfatizou que a nova legislação exige maior organização e formalização dos processos dentro das corretoras. “A lei não trata apenas de cláusulas e artigos. Ela trata de posicionamento profissional, responsabilidade e valorização do corretor”, afirmou. O registro formal das orientações prestadas ao cliente passa a ser fundamental. “O WhatsApp serve, o e-mail serve. O importante é guardar as conversas e manter registro das orientações prestadas ao cliente”, explicou Landulfo.
Na avaliação dos especialistas, a nova legislação eleva o nível de profissionalização do setor. “Essa lei aumenta o nível de responsabilidade, mas também eleva o patamar da profissão. Quem se qualificar e atuar de forma consultiva terá um diferencial competitivo no mercado”, concluiu o advogado.
Reforma tributária exige atualização profissional
A reforma tributária e seus impactos no planejamento financeiro foram tema do painel conduzido por Viviane Barbosa e Luciana Cirelli. Segundo Viviane, a mudança no sistema tributário exige atualização constante dos profissionais que atuam na orientação financeira dos clientes. “Nós nos tornamos responsáveis pelos nossos clientes. Precisamos buscar conhecimento para sermos excelentes naquilo que entregamos”, afirmou.
Ela explicou que a implementação da reforma será gradual e ocorrerá até 2033.
“Essa reforma começou em 2026 e só será concluída em 2033. Até aproximadamente 2029 ainda estaremos vivendo um período de transição”, destacou.
Entre as mudanças está a substituição de tributos atuais por um modelo baseado no IVA, com criação dos impostos CBS e IBS. Viviane também alertou para possíveis impactos na carga tributária de empresas de serviços. “Empresas que hoje pagam algo entre 11% e 14% de impostos podem passar para uma carga próxima de 26% ou 27%, dependendo da atividade”, explicou.
Luciana Cirelli destacou que o novo cenário exige mudança de postura dos profissionais do setor. “Não existe mais espaço para quem quer apenas vender produto. O profissional precisa se posicionar como consultor de risco e planejamento patrimonial”, afirmou.
Segundo ela, a análise da declaração de Imposto de Renda pode funcionar como um verdadeiro diagnóstico financeiro. “O imposto de renda traz praticamente um raio-x da vida financeira do cliente”, explicou.
Ao final do painel, Viviane reforçou o papel multidisciplinar do planejamento patrimonial. “O corretor precisa se posicionar como um arquiteto patrimonial, alguém capaz de integrar diferentes soluções para oferecer tranquilidade financeira ao cliente.”
Inteligência artificial amplia produtividade, mas não substitui relação humana
A evolução tecnológica e o avanço da inteligência artificial no mercado de seguros foram tema da palestra de João Paulo (JP) Bottecchia. Durante a apresentação, o especialista destacou que o receio diante de novas tecnologias sempre acompanhou as grandes transformações econômicas. “Quem aqui, quando começou a ouvir falar de inteligência artificial, não teve medo de perder o trabalho? Toda mudança gera esse sentimento”, afirmou.
Para ele, o principal risco não está na tecnologia, mas na falta de adaptação dos profissionais. “Se a mudança externa for maior do que a sua mudança interna, você está correndo risco”, disse, citando o executivo Jack Welch.
Segundo Bottecchia, a tecnologia deve ser utilizada para automatizar tarefas operacionais e liberar tempo para aquilo que realmente agrega valor: o relacionamento com o cliente. “A inteligência artificial não substitui confiança, empatia e responsabilidade. A responsabilidade continua sendo do profissional”, afirmou.
Ele também destacou que o diferencial competitivo continuará sendo a capacidade de construir relacionamentos. “O mercado hoje é human to human – pessoas falando com pessoas. É relacionamento, confiança e propósito”, afirmou.
Ao encerrar sua participação, o especialista resumiu o futuro do setor. “O futuro do seguro de vida não é artificial. Ele é humano, consultivo e tecnológico.”
“O mercado é nosso”
Encerrando a programação do evento, o presidente do Sincor-SP, Boris Ber, apresentou o painel “O mercado é nosso: o posicionamento do corretor de seguros”.
Em sua fala, ele destacou que o setor vive um momento de grandes oportunidades, mas exige mudança de postura profissional. “Minha Vida Protegida é muito mais do que um congresso ou uma campanha. É um projeto que traz protagonismo para o corretor e reforça a importância do nosso papel na sociedade”, afirmou.
Com mais de quatro décadas de atuação no mercado, Boris compartilhou reflexões sobre a evolução da profissão. “Quando comecei havia praticamente uma tabela: morte natural, morte acidental, capital segurado e pronto. Era assim que nos ensinavam a vender”, recordou.
Segundo ele, o modelo atual exige abordagem consultiva e relacionamento com o cliente. “Quem conquista confiança consegue tratar de um tema tão sensível como o seguro e o planejamento financeiro”, afirmou.
O dirigente também alertou para a importância de ampliar a atuação dentro da própria carteira de clientes. “A gente vende seguro de vida e não vende viagem. Vende viagem e não vende odontológico. O cross-sell ainda é muito pouco utilizado”, destacou.
Na avaliação de Boris, o mercado ainda possui enorme potencial de crescimento. “O potencial do nosso mercado é inesgotável. A oportunidade está toda aí”, afirmou.
Ao concluir sua participação, ele reforçou o impacto social da profissão. “Nós somos verdadeiros anjos da guarda das famílias. Cabe a nós desenvolver esse mercado e levar proteção para a sociedade.”
O evento teve como apoiadores Allseg Seguradora, ANADEM, Bradesco Vida e Previdência, Capemisa Seguradora, Ceci Cuida, Centauro Seguradora, FF Seguros, Icatu Seguros, Lizzi Prime Financial, MAG Seguros, Omint, Peper, Porto Seguro, Seguros Unimed, SulAmérica Seguros, Tokio Marine Seguradora e Zurich Seguros, além do apoio institucional da São Paulo Negócios.
Devido ao sucesso da primeira edição, foi anunciado no encerramento que o Congresso Minha Vida Protegida terá nova edição em 2027, reforçando a proposta do movimento de ampliar a cultura de proteção financeira no país e fortalecer o papel consultivo dos profissionais do setor.


















