Porto registra lucro líquido recorde de R$ 3,4 bilhões e amplia rentabilidade para 22,7%

Resultado cresce 28% no ano dos 80 anos da companhia, com avanço das verticais de Saúde, Banco e Serviços e receitas de R$ 41 bilhões

Porto, com 19 milhões de clientes, encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 3,4 bilhões, alta de 28% em relação a 2024, em um ano marcado pela celebração de seus 80 anos. A receita anual alcançou R$ 41 bilhões, crescimento de 12%, enquanto a rentabilidade sobre o patrimônio (ROAE) avançou 2,7 pontos percentuais, para 22,7%. As verticais de saúde, banco e serviços representaram, juntas, 49% do total da companhia. Com a menor dependência do seguro automóvel — hoje responsável por cerca de 30% do resultado, ante participação maior em anos anteriores —, o impacto da volatilidade é avaliado como significativamente menor.

O desempenho foi impulsionado pela diversificação do portfólio. As verticais de Saúde, Banco e Serviços passaram a responder por 49% do total da companhia, aumento de 7 pontos percentuais frente a 2024, com retornos individuais superiores a 23%. Segundo a empresa, a estratégia de fortalecimento do ecossistema contribuiu para um crescimento mais equilibrado e sustentável.

No quarto trimestre de 2025, os resultados também avançaram em dois dígitos. As receitas somaram R$ 11 bilhões, alta de 11% na comparação anual, e o lucro líquido atingiu R$ 839 milhões, crescimento de 25%. O ROAE do período ficou em 22,5%, mantendo-se acima do patamar de 20%.

O resultado financeiro foi de R$ 289 milhões no trimestre, aumento de 6%. Já a receita da carteira de aplicações financeiras, excluindo previdência, ALM e rolagem de títulos, chegou a R$ 473 milhões, equivalente a 79% do CDI, reflexo principalmente da maior alocação em títulos indexados à inflação. A companhia realizou ainda uma rolagem de carteira de R$ 109 milhões, com efeito esperado de alongamento do duration e elevação das taxas médias desses papéis.

O índice de eficiência operacional permaneceu estável no trimestre, em 11,2%. No acumulado do ano, o indicador recuou para 10,9%, melhora de 0,4 ponto percentual em relação a 2024, marcando o sexto ano consecutivo de ganho de eficiência, segundo a empresa.

Paulo Kakinoff demonstra otimismo em relação a 2026 e avalia que o mercado brasileiro de seguros dá sinais claros de vigor, sobretudo em função da ainda baixa penetração dos produtos no país. Segundo o executivo, esse fator estrutural cria uma correlação direta com o potencial de crescimento do setor nos próximos anos.

Na comparação internacional, Kakinoff destaca que o Brasil ainda está muito aquém dos principais mercados globais. Especificamente em vida, a média mundial de penetração dos seguros gira em torno de 4% do PIB, no Brasil esse percentual não chega a 1%. Em países como a Itália, a taxa é de 2,8%; nos Estados Unidos, alcança 5,1%; e, em Hong Kong, chega a 17,4%. Até mesmo mercados desenvolvidos com menor peso relativo, como a Austrália, apresentam cerca de 1% do PIB em seguros, patamar ainda distante da realidade brasileira.

Para o CEO, a expansão da demanda vem acompanhada de um processo de transformação na forma como os seguros são distribuídos e comercializados, com modelos mais fluidos, simples e adaptados às necessidades dos clientes, o que ajuda a destravar o acesso aos produtos.

Otimismo com 2026

O grupo Porto projeta receita financeira entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,8 bilhão para 2026, após essa linha ter alcançado R$ 1,4 bilhão no ano anterior. Na vertical mais recente, de serviços, a expectativa é de receita entre R$ 2,6 bilhões e R$ 2,9 bilhões, com índice de G&A de 9% a 10%.

Na Porto Seguro, as receitas e prêmios totalizaram R$ 5,8 bilhões, crescimento de 3%, com destaque para os segmentos patrimonial e vida. No seguro auto, os prêmios ficaram praticamente estáveis, enquanto a frota segurada avançou 4%. O lucro do período foi de R$ 459 milhões. Já a Porto Serviço registrou receita de R$ 663 milhões, alta de 3%, com forte expansão dos produtos digitais, e lucro trimestral de R$ 84 milhões, crescimento de 42%.

Para a vertical de seguros, a companhia estima que o prêmio ganho crescerá entre 3% e 7%, que a sinistralidade ficará na faixa de 50,5% a 54,5% e que o índice de G&A será de 10% a 10,6%. No seguro automóvel, Kakinoff avalia que, apesar de a penetração ainda ser inferior à observada em outros mercados internacionais, trata-se de um dos ramos mais consolidados no Brasil, com forte tradição. Ainda assim, apenas cerca de 20% da frota nacional conta com cobertura. O executivo destaca que o segmento se beneficia da customização de produtos e da integração com outras soluções, embora o ritmo de crescimento permaneça condicionado à venda de veículos novos.

A Porto Saúde apresentou crescimento de 23% na receita, para R$ 2,3 bilhões, influenciada pelo aumento de 23% no número de beneficiários de seguro saúde e de 19% em odontologia. Em saúde, a Porto projeta aumento de 14% a 22% no prêmio ganho, sinistralidade de 72% a 77% e índice de G&A de 4,7% a 5,7%. Kakinoff observa que o mercado permaneceu por anos praticamente estacionado em torno de 50 milhões de segurados. Nos períodos mais difíceis, esse número chegou a recuar para 49 milhões ou avançar marginalmente para 51 milhões. Mais recentemente, no entanto, o total do setor de saúde suplementar atingiu cerca de 52 milhões de beneficiários, sinalizando uma retomada apoiada no lançamento de produtos mais customizados e com preços mais acessíveis. Nesse contexto, ele cita iniciativas como o Porto Bairro, voltado à inserção de pequenas e médias empresas no mercado de saúde suplementar, com foco na utilização da rede local de hospitais e clínicas. A proposta permite mensalidades abaixo de R$ 200 por vida, ampliando o acesso e a capilaridade da oferta.

No braço de serviços, a Porto Serviço encerrou o período com receita de R$ 663 milhões, alta de 3%, com destaque para a forte evolução dos produtos digitais, que avançaram 38% no quarto trimestre de 2025 e 73% no acumulado do ano, enquanto o resultado trimestral alcançou R$ 84 milhões, crescimento de 42%. Segundo o executivo, a companhia construiu uma operação de serviços com ampla cobertura geográfica e elevados níveis de NPS, voltada principalmente ao mercado endereçável de serviços residenciais, ainda marcado pela predominância da economia informal.

Kakinoff afirma que a estrutura já está preparada para atender tanto a demanda de seguros residenciais quanto vendas avulsas, por meio de varejistas, montadoras e outros canais parceiros. Atualmente, a Porto conta com mais de 60 parceiros ativos, base que cresce mês a mês e tem potencial para dobrar. O executivo ressalta que, apesar de ser um negócio desafiador, que exige energia e disciplina operacional para ganhar escala, os resultados vêm da própria operação integrada ao ecossistema da companhia, sem depender de iniciativas fora do grupo Porto.

O Porto Bank registrou crescimento de 31% na receita trimestral, para R$ 2,1 bilhões, puxado pelo avanço do consórcio, cartões, financiamentos, empréstimos e capitalização. O lucro líquido do banco somou R$ 219 milhões, alta de 35%. Na Porto Saúde, a receita cresceu 23%, alcançando R$ 2,3 bilhões, com aumento do número de beneficiários em saúde e odontologia. O lucro foi de R$ 170 milhões, avanço de 22%, com índice combinado de 89%. O Porto Bank deve registrar receita total entre R$ 7,5 bilhões e R$ 7,9 bilhões em 2026, com índice de eficiência de 27% a 31% e perdas de crédito estimadas entre R$ 2,7 bilhões e R$ 3,1 bilhões.

Além dos resultados financeiros, a companhia celebrou em 2025 a inclusão no IBrX 50, após completar um ano no Ibovespa, reforçando sua presença entre as empresas mais líquidas da B3. A Porto também manteve reconhecimento em rankings de marca e gestão de pessoas, além de elevados índices de satisfação dos clientes.

“Esses números são reflexo da qualidade das soluções e do atendimento oferecidos aos nossos mais de 18 milhões de clientes. Em 2025, celebramos nossos 80 anos com a certeza de que a essência que nos trouxe até aqui é o que vai nos levar adiante”, finalizou o CEO do Grupo Porto.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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