Swiss Re projeta lucro líquido de US$ 4,5 bilhões em 2026 com estratégia focada em eficiência e mercados-chave

A Swiss Re anunciou metas mais ambiciosas para 2026, incluindo lucro líquido de US$ 4,5 bilhões, sustentado por uma estratégia revisada que busca fortalecer o core business por meio de execução disciplinada, proposições diferenciadas e presença ampliada nos mercados mais relevantes.

A companhia vem acelerando a integração de inteligência artificial em processos de subscrição, sinistros e gestão de dados para elevar produtividade e acurácia nas decisões. “Hoje somos uma Swiss Re mais forte — entregando resultados resilientes e aproveitando uma plataforma poderosa de dados e IA para decisões mais inteligentes, maior entendimento de riscos e geração de valor de longo prazo aos clientes”, afirmou o CEO Andreas Berger. “Ao olharmos para frente, seguimos direcionando esforços e recursos para nossos mercados centrais, em um cenário que permanece construtivo e sustentado por crescimento estrutural.”

A revisão da carteira de Vida & Saúde (L&H Re) foi praticamente concluída, com foco em carteiras de menor desempenho na Austrália, Israel e Coreia do Sul. O impacto estimado dessas atualizações é de cerca de US$ 250 milhões no lucro antes de impostos do quarto trimestre. Berger destacou: “A solidez do nosso portfólio nos dá a confiança necessária para elevar a meta de resultados dessa unidade de negócios em 2026, contribuindo diretamente para o novo objetivo do grupo.”

As metas operacionais das demais unidades foram mantidas ou reforçadas: o P&C Re segue com combined ratio abaixo de 85%, e a Corporate Solutions, abaixo de 91%. Já a L&H Re passa a projetar lucro de US$ 1,7 bilhão em 2026.

A Swiss Re reafirmou o alvo de retorno sobre o patrimônio (ROE) IFRS acima de 14% no médio prazo e crescimento anual de dividendos de 7% ou mais até 2027. A partir de 2026, pretende ainda iniciar um programa sustentável de recompra de ações de US$ 500 milhões por ano, condicionado ao alcance da meta de lucro do grupo em 2025, superior a US$ 4,4 bilhões.

Reunião com analistas

Após a Swiss Re anunciar uma meta de lucro líquido de US$ 4,5 bilhões para 2026 — número que deixou alguns analistas menos impressionados — o CEO do grupo, Andreas Berger, ressaltou a importância de crescer na hora certa e evitar a tentação do crescimento a qualquer custo.

Na manhã de hoje, a resseguradora global confirmou e elevou algumas metas para o próximo ano, incluindo o lucro líquido de US$ 4,5 bilhões. Embora superior aos US$ 4,4 bilhões projetados para 2025, o número ficou abaixo do que parte do mercado esperava.

Diante disso, durante o recente Management Dialogue com analistas, Berger enfatizou que o ambiente é desafiador, ainda que a perspectiva seja positiva, com foco na força e na resiliência da Swiss Re. As observações iniciais do executivo abordaram as “tentações” do cenário atual, principalmente a tentação de crescer rapidamente.

“Neste momento, todo mundo acha que precisamos crescer. Há tantas oportunidades, tanta demanda no mercado, então vamos lá e vamos crescer. No nosso setor, lamento dizer, isso é receita para desastre. Já vivi muitos ciclos… as características são sempre as mesmas. As pessoas entram nos mercados e crescem na hora errada, eu já vi esse filme… Então precisamos estar muito conscientes disso”, afirmou.

O CEO prosseguiu destacando que não está na Swiss Re para “espremer o limão”, mas sim “plantar uma árvore de limões”. “Não se trata de espremer o limão. Trata-se de estabilidade de longo prazo, resiliência, de entregar resultados ano após ano, com consistência. E você não alcança isso se ficar empolgado demais, se achar que existe uma oportunidade que precisamos perseguir a qualquer custo.

Mas, por outro lado, também não me intimido com o que dizem sobre os mercados e sobre o movimento das taxas. Isso é gestão de ciclo. É normal. Precisamos amadurecer e agir da forma certa em cada fase do ciclo. Esse é o nosso trabalho”, completou Berger.

O executivo repetiu diversas vezes que os US$ 4,5 bilhões constituem uma meta “boa e atrativa” no cenário atual, equivalente a um retorno sobre o patrimônio (ROE) de aproximadamente 20%.“É um resultado muito bom. Poderíamos fazer mais? Talvez. Mas, novamente: não quero espremer o limão. Precisamos ter munição para fortalecer ainda mais nossa posição no mercado”, disse.

Ele acrescentou ainda: “O que queremos dizer é que, ao longo do ciclo, buscamos gerar mais de 14% de ROE, porque podem existir fases do negócio que não vão entregar 20% — a história mostra isso. Então o que estamos tentando é gerenciar as expectativas e ter flexibilidade para realmente cumprir o que prometemos, de forma consistente. Portanto, US$ 4,5 bilhões é uma boa meta, especialmente quando se considera que os negócios de P&C estão sob pressão, e temos uma exposição relevante nesse segmento, que exige gestão ativa. Não estou sendo pessimista nem intimidado, mas precisamos administrar isso de forma muito cuidadosa.”

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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