Munich Re mantém guidance anual e lucro dobra para €2 bilhões no 3º trimestre de 2025

Na América Latina, onde a Munich Re mantém posição relevante em resseguros catastróficos e agrícolas, o trimestre foi beneficiado pela ausência de grandes eventos de perda

A Munich Re registrou lucro líquido de €1,99 bilhão no terceiro trimestre de 2025, mais que o dobro dos €907 milhões obtidos um ano antes. No acumulado de janeiro a setembro, o resultado alcançou €5,17 bilhões, impulsionado por índices combinados excepcionalmente baixos nos segmentos de resseguros patrimoniais e de seguros corporativos globais (Global Specialty Insurance – GSI). A resseguradora alemã confirmou seu guidance anual de lucro líquido de €6 bilhões.

Segundo Christoph Jurecka, CFO da Munich Re, “os excelentes índices combinados em resseguros e no GSI, aliados ao bom desempenho operacional e à sólida contribuição da ERGO, compensaram o trimestre mais fraco em vida e saúde e as perdas cambiais. Nossa estratégia de diversificação está funcionando.”

A receita de seguros emitidos somou €14,6 bilhões no trimestre, frente a €15,5 bilhões no mesmo período de 2024, refletindo o efeito negativo das variações cambiais. O resultado técnico total subiu para €2,82 bilhões, e o resultado operacional atingiu €3,04 bilhões, quase o triplo do obtido um ano antes. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido (RoE) ficou em 24,2%, contra 11,5% no 3º tri de 2024.

Na América Latina, onde a Munich Re mantém posição relevante em resseguros catastróficos e agrícolas, o trimestre foi beneficiado pela ausência de grandes eventos de perda.

Resseguros e Global Specialty

O resultado do segmento de resseguros totalizou €1,69 bilhão, com forte contribuição da divisão de property & casualty, cujo lucro líquido saltou para €1,18 bilhão. O índice combinado caiu para 62,7%, reflexo da despesa com grandes sinistros muito abaixo da média histórica — apenas 2,9% da receita líquida de seguros, comparado a 27,8% no ano anterior.

O GSI, que reúne operações de seguros corporativos administradas pela unidade de resseguros, também apresentou melhora expressiva: lucro de €221 milhões e índice combinado de 82,8%, com sinistros relevantes limitados a €59 milhões.

Já o resseguro de vida e saúde teve desempenho mais fraco, com resultado técnico de €314 milhões, afetado por uma experiência de sinistros desfavorável, embora dentro das flutuações normais.

ERGO e investimentos

A seguradora ERGO, braço de seguros diretos do grupo, contribuiu com €304 milhões ao lucro consolidado do trimestre, beneficiada por resultados técnicos sólidos e efeitos não recorrentes positivos de cerca de €50 milhões. Destaque para a subsidiária internacional, cujo resultado saltou para €324 milhões, impulsionado pela performance em mercados de propriedade e saúde e pela aquisição da americana NEXT Insurance, cuja totalidade das ações foi assumida pela Munich Re em julho.

O resultado de investimentos atingiu €2,39 bilhões, sustentado por maiores ganhos na venda de ativos e valorização de ações. A taxa de retorno anualizada sobre o portfólio foi de 4,1%.

Guidance e perspectivas

A Munich Re manteve sua projeção de lucro líquido de €6 bilhões para 2025, apoiada por um ambiente de baixa sinistralidade em resseguros e forte diversificação. A companhia prevê receita de seguros de €61 bilhões no consolidado do grupo e melhorou sua estimativa de combined ratio para 74% em resseguros patrimoniais (antes 79%) e 87% em GSI (antes 90%).

Com índice de solvência de 293%, bem acima do intervalo-alvo de 175% a 220%, a empresa segue com alta capacidade de absorção de riscos e foco na disciplina técnica.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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