Seguro de Vida Universal ganha marco regulatório e abre caminho para modernização do mercado

Embora a resolução tenha vigência imediata, a comercialização do produto ainda depende de dois marcos complementares

Após quase uma década de espera, o mercado segurador brasileiro recebeu com entusiasmo a publicação da Resolução CNSP nº 484/2025, que regulamenta o Seguro de Vida Universal (VU). O novo normativo, divulgado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep) no Diário Oficial da União de 4 de novembro, tem vigência imediata e substitui a antiga Resolução nº 344/2016, modernizando o arcabouço regulatório do produto.

A medida, que estava prevista no Plano de Regulação 2023/2024, foi aprovada após amplo processo de debate, incluindo duas consultas públicas. Segundo a Susep, o novo texto busca ampliar a flexibilidade operacional, adequar regras ao Marco Legal do Contrato de Seguros (Lei Complementar nº 15.040/2024) e tornar o produto mais compreensível para o consumidor.

“A revisão da regulamentação do seguro de Vida Universal reforça o compromisso contínuo da Susep em ampliar o acesso ao seguro para um número cada vez maior de pessoas, no âmbito da Política Nacional de Acesso ao Seguro”, afirmou o superintendente Alessandro Octaviani.

A diretora de Organização de Mercado e Regulação de Conduta da autarquia, Jessica Bastos, destacou que o novo texto não apenas aperfeiçoa aspectos técnicos, mas também busca “tornar o produto mais compreensível ao consumidor, já que o seguro de vida universal ainda não é amplamente conhecido no Brasil”.

Flexibilidade e proteção em um só produto

O Seguro de Vida Universal é considerado uma inovação importante na estrutura de proteção financeira, combinando cobertura por morte com flexibilidade de contribuição e possibilidade de acumulação de reservas ao longo do tempo. Ao contrário de planos de previdência, o produto não tem caráter previdenciário nem de investimento, o que abre espaço para um tratamento tributário específico.

De acordo com Dennys Rosini, membro da Comissão de Produtos de Risco da Fenaprevi (Federação Nacional de Previdência Privada e Vida), a resolução representa “um avanço regulatório significativo, capaz de modernizar a oferta de produtos e ampliar o acesso da população à proteção financeira”.

“O Seguro de Vida Universal viabiliza a manutenção da proteção contratada independentemente do momento de vida do segurado, seja em períodos de estabilidade ou de aperto financeiro. É um produto que favorece a saúde financeira e o planejamento de longo prazo”, explicou Rosini.

Estudos da EY (Ernst & Young) de 2023 estimam que o produto pode beneficiar entre 8 e 12 milhões de segurados, alcançando cerca de 24 milhões de pessoas. O impacto econômico esperado é expressivo: entre R$ 11 bilhões e R$ 16 bilhões em prêmios no início da operação e um crescimento anual de 7% nos cinco anos seguintes, com potencial de atingir R$ 21 bilhões em prêmios.

Próximos passos

Embora a resolução tenha vigência imediata, a comercialização do produto ainda depende de dois marcos complementares, como a publicação de uma Circular da Susep detalhando os requisitos operacionais; e a definição do tratamento tributário que garanta segurança jurídica para seguradoras e consumidores.

Superadas essas etapas, o mercado acredita que o Seguro de Vida Universal poderá transformar a forma como os brasileiros contratam proteção, ao oferecer uma solução completa e adaptável à vida moderna. “O setor aguarda confiante a concretização dessa agenda regulatória, pois o produto tem tudo para ser um divisor de águas na proteção financeira do país”, conclui Dennys Rosini.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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