Allianz Brasil projeta crescer acima do mercado e conquista a terceira posição no seguro auto em agosto

Com estratégia de aceleração lançada em 2023, seguradora amplia participação e aposta em inovação, tecnologia e novos nichos para manter ritmo de expansão

por Denise Bueno

Em novembro, Eduard Folch, CEO da Allianz, vai entregar o orçamento de 2026 para o comitê executivo da matriz, em Munique. E tem muitas notícias boas para contar aos acionistas alemães e colegas do mundo todo que se reunem para alinhar a estratégia do próximo ano. O plano 2023–2027 priorizou dobrar o tamanho da companhia, recuperar a participação de mercado no segmento de automóveis que tinha quando comprou a carteira da SulAmérica, em agosto de 2019, por R$ 3,18 bilhões, diversificar o mix de produtos e ampliar o canal de distribuição, que tem o corretor de seguros como principal parceiro.

“Estamos satisfeitos com os resultados obtidos pelo plano de aceleração desenhado em 2023 e que entrou em ação em 2024. As metas atingidas estão dentro das estimativas traçadas no plano de quatro anos. Nosso faturamento está perto do previsto e ainda temos mais um ano para cumprir e, estamos prospectamos crescer acima da projeção de um dígito do mercado em 2026”, afirmou o CEO a jornalistas durante um almoço realizado na sede da filial brasileira da maior seguradora da Alemanha e uma das maiores do mundo.

Em agosto, a Allianz assumiu a terceira posição no seguro auto. “Já somos a terceira maior do mercado em seguro auto. Temos hoje 13% de participação e a meta é chegar a 14%, o que deve acontecer ainda no primeiro semestre do próximo ano.” Segundo dados da Susep organizados pela consultoria Siscorp, a Allianz é a terceira considerando-se o prêmio emitido líquido, com R$ 5,508 bilhões, desbancando a Tokio Marine por pouco (R$ 5,464 bilhões). No top temos Porto (R$ 10,6 bilhões) e HDI (R$ 6,9 bilhões). No prêmio retido, descontando o resseguro, a Tokio Marine mantém a terceira posição, com R$ 5,464 bilhões, e a Allianz figura na quinta, com R$ 4,302 bilhões.

A conquista, segundo Folch, veio da inovação em produtos e serviços com base na escuta ativa dos corretores de seguros e dos clientes. Somente neste ano, o plano de ação do comitê executivo voltado para colocar em prática as sugestões de melhorias realizou 169 entregas e 52 projetos foram implementados para tornar o seguro um item indispensável na vida das pessoas, facilitando assim a venda pelos corretores.

O Brasil tem um potencial enorme para atrair investimentos estrangeiros para o setor de seguros, que passa por uma revolução tanto em termos de inovações como de regulamentações baixadas pela Suseo, que visam tornar o seguro mais inclusivo. “Podem vir comprar seguro, porque a nova lei harmoniza o entendimento.” A afirmação do superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, sintetizou o espírito do painel O novo microssistema de seguros privados no Brasil, realizado durante o 8º Seminário Jurídico de Seguros, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) em parceria com a Revista Justiça & Cidadania, no dia 9 de outubro, em Brasília.

“Quando olhamos o mundo, é difícil encontrar um país com um crescimento de 7%, como está previsto para 2025 pela CNseg. Na Allianz esperamos crescer acima do mercado neste e no próximo ano. O seguro automóvel ainda tem baixa penetração, com menos de 30% da frota segurada, e temos muitas ações para reduzir a lacuna de proteção no Brasil”, disse Folch.

E os resultados são comemorados. no primeiro semestre de 2025, a companhia registrou R$ 5,4 bilhões em receitas no Brasil, alta de 23% em comparação ao mesmo período do último ano, frente a um crescimento de apenas 8% do mercado. O lucro líquido ficou praticamente estável, com R$ 154 milhões, dando a ela a décima sexta colocação neste quesito no ranking da Siscorp no primeiro semestre do ano.

Folch atribui o bom desempenho à melhor jornada digital proporcionada a corretores e clientes, resultado de investimentos expressivos em inovação e tecnologia, com preços acessíveis a todos os bolsos. “Também entramos em novos segmentos, como carros com mais de 10 anos de uso, e temos ampliado nossa presença geográfica por meio de filiais próprias e parcerias com assessorias e cooperativas. Somente com corretores de seguros, que são nosso principal canal, temos atraído cerca de 300 profissionais por mês e nos tornando mais presentes na carteira dos corretores que já atuam conosco”, acrescenta.

Outros segmentos também seguem em expansão. O executivo destaca o avanço nos seguros agrícola, de condomínio e de transporte. Apenas no seguro rural, o crescimento foi de 91% em 2024, tornando a empresa a segunda maior do país, atrás apenas do Banco do Brasil. Em vida, a Alllianz ainda engatinha num mercado dominado por bancos e seguradoras especialistas em vida, como Prudential, MetLife, MAG Seguros e Icatu.

Recentemente contratou Caio Souza como novo diretor de vida da companhia para avançar. “Temos redesenhado produtos na carteia empresarial, que tem um comportamento mais nervoso em razão da acirrada concorrência, e prevemos lançamentos no vida individual”, citou. Souza passagens por XP Inc, Banco Modal, SulAmérica, Liberty Seguros e Unibanco AIG Seguros, além da AGF Seguros (hoje Allianz Seguros).

“Um dos grandes impulsionadores do crescimento, além de produtos e inovações, é o treinamento oferecido aos corretores. Todos os cursos que abrimos lotam rapidamente. A demanda é enorme por parte dos corretores, que querem ampliar suas áreas de atuação levando aos clientes produtos diferenciados, com técnica e preços adaptáveis aos orçamentos dos brasileiros.”

O espanhol Eduard Folch ingressou no Grupo Allianz em 2011 como Head of Motor Retail na Allianz Espanha e assumiu como CEO do Brasil em 2018. Desde então, recebeu a missão de dar à filial brasileira o tamanho que ela deve ter como uma das maiores do mundo. Após quase oito anos no país, está mais brasileiro do que nunca. Ele e a família gostam de viver no Brasil e valorizam a convivência com brasileiros, uma escolha rara entre expatriados. “Temos apreço pela cultura e pelo brasileiro. Queremos realmente contribuir para que o seguro e o Brasil cresçam e assumam a posição de destaque que o país deve ter no mundo.” Missão dada e, até o momento, missão cumprida.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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