Microsseguros ganham força como poder de inclusão social

por Rodolfo Campos

“Como levar o seguro a quem mais precisa?”. Essa foi a questão que guiou o painel “Seguros como instrumento de proteção social”, realizado em 8 de outubro, em Brasília, durante o evento Pré-COP30 – A Casa do Seguro, promovido pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg).

O debate reuniu representantes da CNseg, Susep, do Sistema OCB e da Microinsurance Network, que defenderam o papel do seguro como ferramenta essencial de inclusão e resiliência social, sobretudo diante dos impactos crescentes das mudanças climáticas.

Moderador do painel, o diretor Técnico, de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, destacou que milhões de brasileiros vivem em situação de vulnerabilidade e poderiam ser beneficiados por mecanismos de proteção. “Boa parte da população está em situação de risco, não só por questões climáticas, mas também sociais e econômicas”, afirmou. Ele lembrou que a revisão do marco dos microsseguros, em 2021, impulsionou o setor, mas o alcance ainda é pequeno diante do potencial.

A diretora Técnica da Susep, Júlia Lins, defendeu que a ampliação da inclusão securitária exige mais do que conscientização do consumidor. “As pessoas querem seguro. Elas sabem da importância do instrumento de seguridade. A questão é: será que as seguradoras estão oferecendo uma BMW quando o consumidor só tem condições de pagar um Uno?”, provocou.

Júlia destacou que o órgão regulador tem atuado de forma proativa, com grupos de trabalho e análises sobre barreiras regulatórias. Ela enfatizou ainda o papel da tecnologia como aliada da inclusão: “A inteligência artificial pode ser usada não para excluir riscos, mas como instrumento de inclusão social”.

Representando o cooperativismo, a gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB, Clara Maffia, lembrou que 2025 é o Ano Internacional das Cooperativas, e reforçou o potencial das cooperativas de crédito e de seguros na promoção da inclusão financeira. “Quando olhamos para o Brasil, há mais de 470 municípios em que a cooperativa é a única instituição financeira presente”, destacou.


Para ela, o modelo cooperativista se diferencia pela proximidade e pelo olhar local: “A maior riqueza que a gente tem numa cooperativa não é o dinheiro ou os grãos, mas a confiança. E isso é essencial para chegar às populações mais vulneráveis”.

O gerente Regional para a América Latina e Caribe da da Microinsurance Network, Nicolás Morales, trouxe experiências internacionais e defendeu a importância das parcerias e da inovação. “Uma das boas práticas é articular esforços entre todos os atores: seguradoras, supervisores, canais de distribuição e programas de educação financeira”, afirmou.


Morales também questionou a visão de que os microsseguros não são sustentáveis: “Temos que mudar esse chip. É um negócio de médio a longo prazo. O potencial existe e há casos que cobrem milhões de pessoas”. Ele ainda ressaltou a necessidade de dar mais visibilidade ao seguro nas políticas públicas e de incorporar a educação securitária desde a infância.

Encerrando o painel, Alexandre Leal destacou a convergência das falas: “Tanto a Susep quanto a OCB e a Microinsurance Network mostraram que o futuro do seguro inclusivo passa por parcerias, inovação e educação. É assim que o setor poderá ampliar sua contribuição à proteção social e à resiliência climática do país”.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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