Ciência de dados e IA ampliam acesso ao seguro de vida no Brasil, afirma gerente da Samplemed

“Cada vida importa, e o olhar crítico do profissional continua indispensável. O papel da IA é complementar, fornecendo análises e sínteses que tornam a decisão mais assertiva e precisa”, diz Rafael Moraes, responsável pela área de dados

A Samplemed, que celebra 35 anos de atuação e presença em cinco países, consolidou-se como referência em soluções tecnológicas para subscrição de riscos em seguros de vida e saúde. Com cerca de um milhão de processamentos por ano, a companhia aposta em ciência de dados e inteligência artificial para apoiar seguradoras na seleção de riscos, ampliar o acesso ao seguro de vida e fortalecer a sustentabilidade das carteiras.

Em entrevista ao Sonho Seguro, Rafael Moraes, gerente de dados da empresa, detalha como a evolução da área de ciência de dados, criada em 2020, tem permitido inovar em produtos, democratizar o seguro de vida e criar ferramentas que equilibram automação e análise humana. Ele também fala sobre os cuidados com a LGPD, o impacto dos estudos de experiência na precificação e a forma como a inteligência artificial está transformando a função do subscritor.

Nos últimos anos a Samplemed estruturou um departamento de ciência de dados robusto. Como essa evolução mudou a forma de subscrever seguros de vida e quais ganhos concretos trouxe para seguradoras e clientes?

A criação em abril de 2020 da área de ciência de dados na Samplemed ocorre concomitantemente à entrada em vigor da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Isso influenciou profundamente nossos processos e escolhas no uso de dados para subscrição. Passamos a oferecer modelos preditivos capazes de quantificar riscos antes desconhecidos em seguros massificados e de menor capital segurado, nos quais exames médicos ou entrevistas poderiam inviabilizar a contratação. Criamos produtos de dados adaptados ao apetite de risco das seguradoras, melhorando indicadores operacionais e financeiros e estimulando a inovação.

Os modelos de machine learning têm permitido avaliar riscos de maneira mais ágil e em seguros de menor capital segurado. De que forma esses modelos ajudam a ampliar o acesso ao seguro de vida no Brasil?

A ampliação do acesso ao seguro de vida é um desafio de todo o setor. Os modelos preditivos, por serem acessíveis e altamente precisos, viabilizam a avaliação de riscos personalizados conforme a realidade da seguradora e as informações disponíveis no momento da proposta. Isso permite precificar de forma adequada e tornar os produtos acessíveis a uma parcela maior da população, ajudando as companhias a manter carteiras saudáveis e cumprir sua função social.

Com a implementação do Data Warehouse em conformidade com a LGPD, quais são os principais desafios e oportunidades na utilização de dados anonimizados para gerar insights confiáveis sem comprometer a privacidade dos proponentes?

Trabalhamos com informações extremamente sensíveis, como dados financeiros e de saúde. Por isso, todo o processo de subscrição passa pela anonimização irreversível dos dados. Usamos apenas perfis estatísticos para a criação de produtos, enquanto informações pessoais são descartadas já na etapa de extração e transformação. Assim, conseguimos garantir compliance regulatório no Brasil e no exterior, preservando a privacidade e focando na inovação.

A Samplemed já utiliza IA, inclusive reconhecimento de imagem e LLMs como a VIDA. Como essas tecnologias vão transformar o papel do subscritor humano e o equilíbrio entre automação e análise especializada?

A inteligência artificial é uma aliada, não uma substituta. Os modelos generativos têm capacidade de síntese e análise que ajudam a propor soluções complexas, mas o olhar crítico do subscritor humano é indispensável. Cada vida importa, e a decisão final precisa ser multifacetada. Nossa proposta é que a IA complemente a análise, aumentando assertividade e precisão sem eliminar o fator humano.

Os estudos de experiência que medem impacto da subscrição em mortalidade e persistência são apontados como “solução ouro”. Quais aprendizados esses estudos têm trazido para a precificação e a sustentabilidade das carteiras de seguro de vida?

Métricas tradicionais como sinistralidade e índice combinado não permitem identificar o impacto de fatores individuais, como estilo de vida ou condições clínicas. Por isso desenvolvemos os estudos de experiência, baseados na metodologia da Society of Actuaries (SOA). Eles quantificam o impacto de variáveis como profissão, saúde ou geografia na mortalidade, invalidez e persistência das apólices. Essas análises oferecem base científica para ajustes de preços e reservas, apoiando a sustentabilidade das carteiras de seguro de vida.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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