Boletim Focus mantém tendências negativas diante de incertezas políticas e econômicas

A mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro para o crescimento do PIB neste ano caiu mais uma vez, de 3,22% para 3,18%

O atual cenário do Brasil dificulta as projeções econômicas, que neste momento se limitam a expressar o curto prazo, comenta Pedro Simões, do Comitê de Estudos de Mercado da CNseg, a Confederação Nacional das Seguradoras. A volatilidade é atribuída ao aumento das preocupações com a sustentabilidade fiscal, com o atraso no calendário de vacinação e ainda com o noticiário político diário, que teve, na aprovação do Orçamento na semana passada, mais um capítulo conturbado por ter elevado para um total de R$ 48,8 bilhões as emendas parlamentares de deputados e senadores neste ano.

“Os sinais de incerteza política anulam os resultados da ação mais incisiva do Banco Central nas últimas semanas. Em um prazo mais longo, as ações e comunicação consideradas mais “hawkish” (dura) do que o esperado devem trazer benefício, mas, no curto prazo, o cenário de incerteza inviabiliza resultados que poderiam ser positivos como uma menor pressão sobre o câmbio e uma diminuição da inclinação da curva de juros”, comentou. 

Com este cenário, argumenta Simões, o relatório Focus desta semana mostra que os especialistas consultados pelo Banco Central mantiveram, em suas projeções, as tendências predominantemente negativas observadas nas últimas semanas para a economia brasileira: um pouco mais de inflação com um pouco menos de crescimento. A mediana das projeções dos analistas do mercado financeiro para o crescimento do PIB neste ano caiu mais uma vez, de 3,22% para 3,18%. Já a mediana da projeção para o crescimento do PIB em 2022 foi reduzida de 2,39% para 2,34%.  

A projeção para o IPCA continuou a subir, nesta semana de 4,71% para 4,81%. Para o ano que vem, foi mantida em 3,51%. “É importante notar que as projeções para inflação este ano continuaram a subir mesmo com o aumento da Selic pelo Copom e com a sinalização de novos aumentos. Pode-se argumentar, com razão, que os efeitos da política monetária se dão com alguma defasagem e, portanto, não afetariam a inflação deste ano”, cita o economista da CNseg. 

Leia no portal da CNseg a íntegra do boletim Acompanhamento de Expectativas Econômicas semanal feito pela Superintendência de Estudos e Projetos (Suesp) da CNseg.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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