CONSEGURO: CNseg revisa crescimento do setor para 2019 e 2020

Num cenário otimista, o setor deve crescer entre 10,6% e num pessimista, 8%, em 2019. Já para 2020, o fôlego é menor. O intervalo cai para 1% no cenário pessimista e 8,2% no otimista

O mercado de seguros revisou as projeções para o crescimento de 2019 e de 2020. Segundo informou Marcio Coriolano, presidente da Confederação das Seguradoras (CNseg), o setor deve crescer entre 8% e 10,6% neste ano em comparação a 2018, quando movimentou receitas de R$ 444 bilhões. Os dados não consideram o seguro obrigatório DPVAT e saúde. Já para 2020, o fôlego é menor. O intervalo cai para 1% no cenário pessimista e 8,2% no otimista.

Em qualquer cenário otimista, Coriolano afirma que o setor depende do crescimento econômico. “Precisamos de um segundo semestre gordinho para conseguirmos cumprir as atuais previsões otimistas”, comentou ele durante entrevista coletiva realizada durante a nona edição da Conseguro 2019, que acontece em Brasília nos dias 4 e 5 de setembro.

Vários são os seguros que podem gerar um “semestre gordinho” para o setor. Segundo Antonio Trindade, presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o que pode trazer um segundo semestre mais gordo para os R$ 70 bilhões de receitas anuais dentro da FenSeg, é o incremento da carteira de seguro de auto, que representa R$ 35 bilhões, e foi a única linha que não cresceu no semestre. Pelo contrário. Decresceu 0,7%.  

Trindade citou as duas normas divulgadas pela Susep. Uma traz mais segurança jurídica para as seguradoras colocarem na prateleira seguros com preços mais acessíveis para automóveis, diante do acordo do consumidor em pagar menos para ter um seguro que vai usar peças não originais. A outra permite a venda de seguros por períodos inferiores a um ano, chegando a ter pode ser contrato por horas. “Essas novas normas tendem a dar um impulso ao crescimento do setor à medida que essas regras estimulam produtos com maior inclusão social, aliada a um aumento de renda da população”, comenta.

Nos outros ramos, cita Trindade, já se vê uma retomada do seguro transporte interno, o que significa que mais mercadorias estão sendo transportadas pelo pais, e uma demanda aquecida por seguros financeiros, como cibernéticos e de responsabilidade civil para administradores. “Também tivemos notícias que de agosto se financiou mais carros do que outros meses do ano, o que sinaliza um segundo semestre melhor”, acrescentou.

Em previdência, o segundo semestre do ano geralmente é o mais “gordo”, uma vez que as pessoas que fazem planejamento tributário de acordo com a declaração de imposto de renda e têm o hábito de depósitos mais parrudos, inclusive porque é a época do ano em que há pagamento de bônus e décimo terceiro. Quanto a maior procura por previdência diante da discussão sobre a reforma da Previdência, o presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (FenaPrevi), Jorge Nasser, disse que ainda não há uma corrida no segmento, mas que já há uma caminhada.

Para ele, o maior desafio em previdência é a educação financeira da população. “Percebemos um equívoco grande em boa parte das pessoas que fazem uso da portabilidade. É preciso ter mais consciência sobre as aplicações, tipos de fundos e longo prazo”, alertou. Ele também defendeu a reforma paramétrica, com mudança no tempo de contribuição, redução do benefício e aumento da contribuição, e acredita que o próximo desafio será avançar no tema capitalização.

Segundo dados apresentados por Coriolano, o setor de seguros movimentou R$ 125,4 bilhões no primeiro semestre deste ano, alta de 8,4%, sem considerar  DPVAT e saúde suplementar. “Na minha visão, isso mostra resiliência do setor de seguros ao ciclo econômico, que conta com previsões para o ano que podem ficar abaixo de 1%”.

Leia mais : Mercado segurador avança 8,4%, o maior crescimento desde 2015

Em capitalização, a projeção estimada para 2019 é de 12%, segundo informou Marcelo Farinha, presidente da Federação Nacional das Empresas de Capitalização (FenaCap). No primeiro semestre, o segmento registrou arrecadação de R$ 11,5 bilhões, 11,5% acima do mesmo período do ano anterior.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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