A tão aguardada decisão do governo sobre a privatização do IRB Brasil Re, em pauta desde 1996, começou a sair do papel nesta sexta-feira. O Diário Oficial da União de hoje traz a autorização para a retomada da venda da parte do Tesouro no capital do IRB, no qual detém 50% capital e a totalidade das ações ordinárias. Os 50% restantes, formado pelas ações preferenciais, estão diluídos entre várias seguradoras do mercado, sendo Bradesco e Itaú Unibanco as principais, com quase 35%.
A publicação prevê a abertura do capital do IRB-Brasil Re no prazo de 5 anos a contar da desestatização, segundo o Conselho Nacional de Desestatização (CND). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que já vinha fazendo estudos para apurar o valor do IRB para que o Banco do Brasil comprasse a parte do Tesouro, vai comandar o processo. Pela medida publicada hoje, o banco realizará licitação para selecionar e contratar serviços de avaliação econômico-financeira e patrimonial, de assessoria jurídica e de auditoria do processo de desestatização.
Há dez anos havia muitos interessados em comprar o IRB. As maiores resseguradoras do mundo, como Munich Re, Swiss Re e Mapfre Re chegaram a fazer minuciosa. No entanto, o tempo foi passando, o mercado se abriu, o conhecimento dos negócios foi sendo adquirido pelas empresas que se instalaram aqui — em três anos de abertura mais de 90 resseguradoras foram autorizadas pela Susep para operar no mercado local– e a falta de técnicos começou a ser equacionada com o treinamento de profissionais no Brasil e no exterior.
Nesses três anos de abertura, o IRB tentou resolver seus problemas de passivos, mas ainda tem quase 500 funcionários, que tornam o alto custo administrativo um pedágio elevado para um possível investidor acostumado a ver apenas um dígito na coluna de despesas administrativas. Mas nunca se sabe quais as vantagens que o governo poderá oferecer para atrair interessados. Afinal, o IRB é hoje o maior ressegurador da América Latina. Este será um episódio interessante de acompanhar. Uma frase interessante de envolvidos no processo é que há tantos pepinos e abacaxis envolvendo o tema que no final vai acabar tudo em rural.

















