ARTIGO: Um lugar no topo das organizações

por Túlio Fumis, Associate Partner na Page Executive

Dando sequência à série de assuntos abordados no estudo da Page Executive sobre as oito maiores preocupações dos executivos para 2018, compartilho com vocês o segundo artigo que fala sobre a participação das mulheres nos conselhos (“A Place at the Top Table”).

O tema “diversidade de gêneros e igualdade” vem tomando, nos últimos anos, uma importância cada vez mais relevante na agenda da sociedade e dos executivos. Não é surpresa, então, que faça parte da lista das maiores fontes de atenção por parte das organizações, incluindo dentro disto um olhar bastante apurado para o Conselho das empresas.

De acordo com um extenso relatório da Deloitte, publicado no ano passado, as mulheres respondem por 15% dos assentos nos conselhos, globalmente. Embora represente um avanço de 3% em comparação a 2015, ainda existe uma diferença gigantesca entre os gêneros. Noruega lidera com 42% das vagas de conselho preenchidas por mulheres mas notem que em nenhum país do mundo, ocorre um equilíbrio saudável de 50/50.

Metas ambiciosas tem sido determinadas para que as organizações cheguem a uma representação equilibrada nos conselhos. O Fórum de Mulheres de Nova York, por exemplo, tem uma meta mínima de 40% de mulheres nos conselhos de todas as empresas Fortune 1000 e S&P 500, em 2025. Independentemente se as metas são voluntárias ou impostas, achar maneiras de alcançar os objetivos e mensurar a evolução, é uma tarefa bem mais complexa.

Um dos aspectos principais nesta discussão é como que as mulheres podem chegar aos conselhos com legitimidade e não apenas devido à regras, cotas ou imposições. Sugestões de práticas de equilíbrio entre trabalho e família, mentoria, desenvolvimento de carreira específicos e criação de um ambiente organizacional onde a mulher se sinta valorizada são medidas que podem ajudar neste desafio, porém estas ações requerem medidas novas e inovadoras para adicionar mais diversidade ao grupo de talentos.

Executivas líderes dentro do PageGroup concordam que a melhoria da cultura de diversidade e inclusão nas empresas está diretamente relacionada com comportamentos apropriados da liderança no sentido de adotar um ambiente de justiça, transparência e segurança psicológica. Se os profissionais em meio de carreira estiverem seguros de que não serão punidos se cometerem um erro ou assumirem um risco calculado, poderão desafiar de maneira saudável o status quo e estarão se desenvolvendo cada vez mais para assumir posições futuras de maior responsabilidade e futuramente assumirem cadeiras em conselhos.

Trazendo este importante assunto para o setor de seguros, observamos que os desafios mencionados acima retratam de maneira precisa o que ocorre nas seguradoras, resseguradoras e corretoras. O número de mulheres em cadeiras de conselhos e posições de alta liderança, é ainda muito baixo na comparação, embora tenha crescido nos últimos anos.

Uma pesquisa da Escola Nacional de Seguros, feita no início de 2016, com empresas que representam de 80% a 90% do mercado nacional, somando 27 mil funcionários, mostrou que em 2012 a cada 10 executivos, 2 eram mulheres e em 2015 para cada 10 executivos, 3 são mulheres.

Cabe às empresas do setor refletirem sobre as estratégias a serem implementadas e os caminhos a serem traçados de modo que se tornem exemplos positivos para corporações de outros setores. Fica aqui o estímulo para que em breve possamos verificar mudanças significativas.

Em resumo:
· No atual mercado global, os benefícios de uma força de trabalho e de liderança diversas são mais marcantes do que nunca;
· A evolução da mídia social facilita para os colaboradores compartilharem suas histórias de práticas discriminatórias em ambientes de trabalho;
· Através de um trabalho de base, existe uma oportunidade enorme de mudanças radicais nos ambientes de conselhos;
· Para melhorar a diversidade em conselhos, as organizações precisam rever todos os aspectos relacionados às suas estratégias de diversidade e inclusão.

Atualmente liderando a área de serviços financeiros e seguros na Page Executive (PageGroup), compartilharei mensalmente com o blog dicas sobre tendências, carreira, CVs, entrevistas e outros assuntos relacionados a recrutamento e seleção, voltados para empresas e profissionais de seguros.

Até breve!

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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