Moody’s vê risco a seguradoras em exame de DNA para consumidores

Fonte: Bloomberg

A explosão dos exames genéticos entre os consumidores representa um risco de crédito para as empresas de seguros de vida, afirmou a Moody’s Investor Service em novo relatório.

As empresas de seguros podem tirar proveito de exames de DNA capazes de prever a predisposição do segurado a doenças fatais, como câncer ou doenças genéticas raras. Mas como essas informações nem sempre são disponibilizadas para as empresas de seguros de vida, uma empresa pode ficar em desvantagem ao elaborar uma apólice de longo prazo, informou a Moody’s no relatório, nesta quinta-feira.

Uma pessoa pode, por exemplo, fazer um exame de DNA e posteriormente pedir um seguro de vida se o teste evidenciar risco de doenças fatais.

“Historicamente, as empresas que oferecem seguro de vida têm acesso às mesmas informações que os segurados, como o histórico familiar”, disse Michael Fruchter, diretor de crédito sênior da Moody’s. “Existe um risco quando o segurado tem informações que as seguradoras não têm.”

A queda dos custos desencadeou uma explosão na realização de exames de DNA por consumidores e empresas como a 23andMe ajudaram as receitas do setor a aumentarem para cerca de US$ 99 milhões em 2017, segundo uma estimativa do setor.

Nos EUA, alguns estados têm leis que impedem as seguradoras de considerarem informações genéticas nos processos de subscrição. Mas graças a uma brecha na Lei de Não Discriminação de Informações Genéticas, de 2008, na maioria dos estados elas conseguem solicitar essas informações dos segurados. Atualmente, a maioria das seguradoras não o faz, disse Fruchter.

“A maioria desses testes não é definitiva, mas futuramente pode ser necessário que as seguradoras tenham essa informação”, disse Fruchter. “Os órgãos reguladores precisarão trabalhar para equilibrar a privacidade e as necessidades de as empresas terem acesso a essas informações.”

As empresas de seguro de saúde elaboram coberturas para grupos levando em conta esses riscos de doenças ao fixarem os preços. Isso significa que essas empresas correm menos riscos, segundo a Moody’s.

O crescimento dos exames genéticos provavelmente continuará, considerando seu impacto essencial para as seguradoras. A longo prazo, porém, se possibilitarem tratamentos mais precoces e econômicos, como muitos esperam, os exames genéticos poderão representar uma boa notícia tanto para os consumidores quanto para as seguradoras.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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