ANS divulga números finais de 2017: R$ 179,3 bi em vendas

Agora sim os números da saúde suplementar consolidados e divulgados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). Em 2017, o total de receita de mensalidades chegou a R$ 179,3 bilhões e as despesas assistenciais totalizaram R$ 150,6 bilhões.  Em 2016, a receita dos planos de saúde foi de R$ 165,6 bilhões e as despesas assistenciais – soma que engloba gastos com exames, consultas, internações e outros atendimentos médico-hospitalares – contabilizaram R$ 137,2 bilhões.

Isso significa que a cada R$ 100 pagos, R$ 85 são destinados aos serviços de assistência médica.  A medicina suplementar privada atende 25% da população brasileira. Dois terços são planos coletivos empresariais, de acordo com dados de 2017. As informações foram passadas por Leandro de Fonseca, presidente substituto da ANS, no 2o. Encontro de Comunicação da Saúde Suplementar, realizado na manhã desta quarta-feira, em São Paulo. No ano passado, o tema do encontro foi debater a imagem do setor de saúde. Neste ano, a pauta é o reajuste dos planos individuais, que obedece a inflação médica, que supera em muito a inflação de preços medida pelo IPCA.

Para se ter uma ideia, nos últimos dez anos, os gastos médicos aumentaram 232%; a inflação no mesmo período foi de 71%, em média, de acordo com IPCA, ao mesmo tempo em que os planos foram reajustados pela Agência Nacional de Saúde (ANS) em 158%, obedecendo o índice Variação de Custos Médicos Hospitalares (VCMH), segundo dados divulgados pela Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde).

“O reajuste é um reflexo de variações de custos elevados. E essas variações são um reflexo de questões estruturais, que precisam ser trabalhadas para construirmos um setor de saúde sustentável”, disse Fonseca. Para o profissional, o desafio do setor não é o reajuste e sim o financiamento do serviço de saúde, seja ele público ou privado, diante do encarecimento desses serviços.

Ele citou grandes movimentos que ainda não sabe qual será o resultado. Se referia ao anúncio de três gigantes – Amazon, Berkshire (do mega investidor Warren Buffett) e JPMorgan –, que se juntaram para montar uma operadora de saúde para atender seus funcionários. Segundo o trio, o objetivo da parceria é buscar soluções tecnológicas para fornecer plano de saúde simplificado e transparente aos funcionários das companhias a um custo mais baixo. “Isso mostra que a saúde está ficando mais cara e exige debates”, comentou.

Ele ressalta que, em sua opinião, as discussões devem atravessar fronteiras. “A sociedade pode falar sobre como pode ser financiando o acesso a saúde, seja ela privada ou social. É um tema difícil, muitas vezes incompreendido. Mas é prioritário pensar numa forma de engajar a sociedade para construir uma política que cuide das pessoas, não desperdice recursos e oriente a população qual o melhor caminho para ter uma saúde melhor”, acrescenta.

Neste ano o SUS completa 30 anos e a Lei de Saúde 20 anos. Segundo ele, está mais do que na hora de incluir a sociedade neste debate, uma vez que esse não é um problema do Brasil e sim mundial. “É preciso rever o financiamento da saúde como tem sido feito com a previdência”.

VCMH – O fenômeno da inflação médica muito acima da inflação de preços não é uma jabuticaba. “É um fenômeno internacional. Não pode ser considerado uma anomalia, mas realmente é um fator a ser discutido e motivador de debates”, disse Luiz Augusto Carneiro, superintendente executivo do Instituto de Estudo de Saúde Suplementar (IESS).

Ele apresentou estudo que compara o índice entre diversos países. O indicador médio registrado pelo Brasil é de 3,4, segundo análises feitas pelas três maiores consultoras de benefícios: Marsh, Aon e Willis. Holanda tem indicador de 3,5, China de 3,9, Canadá de 4,7, Reino Unido de 2,9.

É uma discussão que deve envolver toda a sociedade, uma vez que a comparação da sociedade é sempre com o índice de preços”, defendeu Rafael Vinhas, gerente geral da Regulação da Estrutura de Produtos, da ANS. “O financiamento do setor tem de ser repensado. É fundamental ter essa discussão e avançar cada vez mais na transparência da divulgação do índice”. A importância do cálculo técnico, que tenho tranquilidade que a área tem para calcular, mas temos de estar embutidos na discussão que é a capacidade de pagamento da população”.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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