Novo governo anima conjuntura do setor de seguros, que já sinaliza queda na rentabilidade

alexandre camilloOtimismo com mudanças. Esse é o tom da Carta da Conjuntura produzida pelo consultor Francisco Galiza e divulga hoje e pelo Sincor-SP. A aprovação do processo de impeachment traz a equipe que compõe a análise a esperança com o novo governo. “Mesmo que interino, começamos a ter esperanças de melhoras. A situação ainda está complicada, a economia brasileira teve retração de 4% no ano passado e está prevista a queda de mais 4%, os números do setor de seguros, claro, ainda não foram revertidos para o crescimento, entretanto nossos executivos já estão muito mais confiantes”, comenta Alexandre Camillo, presidente do Sindicato dos Corretores de Seguros de São Paulo (Sincor-SP), no estudo. Para ele, este já é um tempo de mudanças na economia. “Com as mudanças políticas ocorridas em maio, uma janela de oportunidade se abre para a economia brasileira e, em especial, para o mercado de seguros. Com certo sacrifício, a expectativa é que a sociedade poderá voltar a crescer de forma sustentada, superando os números desfavoráveis obtidos nos últimos dois anos”, afirma.

Em economia, avalia Galiza, alguns índices respondem mais rápido à retomada do crescimento, como o dólar e a bolsa de valores, outras são mais demorados. Uma frase comum no setor de seguros diz que este é o último a entrar na crise e também o último a sair, por um aspecto de inércia, as pessoas e empresas demoram um pouco para se desfazer de bens e seus seguros, e depois também para se reestruturar. Alguns indicadores econômicos já tiveram melhora, sinalizando e antecipando uma possível diminuição no grau de incerteza da economia, além da possibilidade da existência de reformas positivas no curto prazo, como o comportamento do dólar comercial e as taxas de inflação. A expectativa é de que a partir do segundo semestre de 2016 haja também melhora em outros indicadores econômicos.

Com os dados do mercado segurador até março, os produtos típicos de segmento (automóvel, pessoas, residencial, empresarial, etc), mas ainda sem considerar as operações de saúde suplementar, tiveram uma variação acumulada de mais 3%, um número positivo, mas ainda abaixo das taxas de inflação para o mesmo período. Um ponto favorável, segundo Galiza, é que alguns indicadores econômicos já tiveram melhora, sinalizando e antecipando uma possível diminuição no grau de incerteza da economia, além da possibilidade da existência de reformas positivas no curto prazo. Por exemplo, o comportamento do dólar comercial e as taxas de inflação pertencem a esse grupo.

Agora, a expectativa dos agentes econômicos é que, a partir do segundo semestre de 2016, haja também melhora em outros indicadores econômicos (ou, pelo menos, diminuição nas perdas registradas e acumuladas nos últimos tempos). Todos esses fatores podem ter influência direta no segmento de seguros.

Na análise dos números, o estudo traz alguns destaques no número de corretores. Ao final de abril, o total de corretores de seguros no Estado de SP era de 38,8 mil, sendo 63% corretores pessoas físicas e 37% corretoras pessoas jurídicas. Em 12 meses, tivemos uma variação total de 6% nesse número. Dois motivos explicam esse movimento crescente. Primeiro, o interesse profissional maior da sociedade por tal segmento, o de distribuição de seguros. Segundo, por razões fiscais (a possibilidade de tributação pelo simples), muitos corretores pessoas físicas se tornaram também empresas. Observar que, por isso, nesses últimos 12 meses, a variação do montante das corretoras pessoas jurídicas (7%) é um pouco maior do que a das corretoras pessoas físicas (5%). Desse total de corretores existentes no Estado, 80% se especializam em todos os ramos; e 20% em vida, previdência ou saúde. Outra característica importante é que, na Cidade de São Paulo, estão localizadas 48% das corretoras existentes em todo o Estado.

Em análise dos dados macroeconômicos, o consultor afirma que não há nenhuma novidade em dizer que, em 2015 e nesse início de 2016, os números econômicos do País continuaram ruins. Os indicadores são diversos. Entretanto, um aspecto importante registrado nesse último mês foi a existência de novos fatos políticos, estimulando diversos agentes econômicos internos e externos. Em consequência disso, houve um cenário mais favorável em alguns números, como o comportamento do dólar comercial, que teve queda expressiva em março e abril. A inflação projetada para 2016 seguiu a mesma trajetória.
Agora, a expectativa dos agentes econômicos é que, a partir do segundo semestre de 2016, haja também melhora em outros indicadores (ou, pelo menos, diminuição nas perdas registradas e acumuladas nos últimos tempos).

A análise do comportamento de algumas variáveis do setor de seguros mostra que até março de 2016, a característica principal é de uma taxa de crescimento relativamente baixa agora distribuída em praticamente todos os negócios. Nos ramos típicos de seguros (por exemplo, automóvel, pessoas, residencial, empresarial, etc), mas ainda sem considerar as operações de saúde suplementar, a variação acumulada é de mais 2%. Como comparação, em todo ano de 2015, esse mesmo número foi 5%, também positivo. Já nos produtos do tipo VGBL, a variação acumulada até agora é um pouco maior, de 4%.

Os valores de 2016 ainda não são suficientes para definir uma tendência definitiva para todo o exercício. De qualquer maneira, não podemos negar que os primeiros dados do ano não foram favoráveis. Ou seja, um valor bem abaixo da variação de inflação no mesmo período, que foi entre 8% e 10%. Em 2016, a variação acumulada total de receita foi de mais 2%. Separando esse número por tipo de produto, os seguros de pessoas e os seguros de ramos elementares tiveram também a mesma variação, de mais 2%. Até agora, a variação dos números está pequena. Em ambos os casos, houve perda para a inflação no período.

O consultor escolheu dois outros segmentos importantes ligados ao setor de seguros: os mercados de resseguro local e de capitalização. Nesse início de 2016, a evolução do segmento de capitalização continuou baixa. Por enquanto, temos uma variação positiva de 1%, quando comparamos ao mesmo período do ano anterior. Infelizmente, nos últimos anos, esse segmento sempre teve evoluções bastante expressivas. Ressalte-se que esse é um fenômeno análogo ao ocorrido em outros ativos populares da economia (caderneta de poupança, por exemplo, com mais saques do que depósitos).

Por outro lado, a evolução do resseguro, embora sofrendo influência da receita de seguros, tem sido bastante favorável nos últimos tempos, por fatores próprios ao seu mercado, como a desvalorização cambial de 2015. Em 2015, o seu crescimento foi de 31%. Em 2016, a evolução continua positiva, mas com menor intensidade.

Em termos de crescimento, a evolução da saúde suplementar tem sido relativamente uniforme, com um bom grau de correlação ao longo do tempo. Nos últimos anos, houve uma variação média de crescimento de 15% ao ano, com influência das taxas de inflação. Mas, em 2015, esse patamar ficou um ponto menor, mas ainda assim bem favorável.

O valor das reservas, ao final de 2014, foi de R$ 550 bilhões, com variação de 17% em relação ao ano anterior. Já em 2015, o valor foi de R$ 650 bilhões, uma variação de 18% em relação ao ano anterior. Em 2016, o patamar deve chegar próximo ao montante de R$ 750 bilhões.

O lucro líquido acumulado (seguradoras, resseguro local e capitalização) teve variação de 17% (R$ 17,3 bilhões para R$ 20,2 bilhões).Os números de 2013 a 2015 indicam que houve queda na rentabilidade acumulada das empresas (17% para 10%). Em seguradoras, a variação foi um pouco menos intensa, de 13% para 11%. Apesar dessa variação, podemos dizer que o lucro líquido ficou parcialmente satisfatório, sobretudo devido às circunstâncias em que vive a economia. Como houve diminuição no Patrimônio Líquido acumulado do setor, isso acabou proporcionando uma taxa de rentabilidade (Lucro Líquido/Patrimônio Líquido) até mais favorável, nos valores totais das companhias.

“Embora ainda sejam poucos, o que dificulta uma conclusão mais precisa, a rentabilidade média do setor em 2016, até agora, está em queda, em termos nominais. Mas, como já comentado, é necessário haver mais dados para que se caracterize uma tendência”, ressalta Galiza.

Previsões

O comportamento da economia tem influência direta no mercado de seguros. Assim, a hipótese é de que o segmento irá perder pela queda do PIB, mas, por outro lado, terá obtido ganhos (em termos nominais) pelo aumento da inflação. Isso proporcionou certa compensação em algumas variáveis.

Em 2015, o segmento de seguros (sem as operadoras de saúde) cresceu 5%, abaixo do valor de 2014, em relação ao ano de 2013, que foi de 10%. Em 2016, a projeção atual é de um crescimento de 7%. Quando consideramos também os produtos das operadoras de saúde, o valor em 2015 foi de 10%. Quando consideramos também os produtos do tipo VGBL, a variação atingiu em 2015 o número de 13%, mesmo valor de 2014, mas agora vivendo uma realidade inflacionária diferente (isto é, mais elevada). Em 2016, essa estimativa de variação deve cair. Na média, consideramos um valor de 10%. Em 2015, as reservas tiveram a mesma taxa de variação de anos anteriores. Ou seja, acima de 15% ao ano. Esse número é estimado também para 2016.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS