O tema resseguro dá o tom do dia com a realização do 4. Encontro de Resseguros realizado nos dias 14 e 15 no Rio de Janeiro, com apoio da CNseg. O resseguro é alimentado pelo segmento de seguros, tornando necessário olhar para o que acontece com esse setor. Segundo estudo da resseguradora local Terra Brasis, o segmento de Seguros Gerais, apesar de manter a trajetória de crescimento de volume de prêmios, observou uma queda significativa em seu ritmo de crescimento. Em 2014, o mercado brasileiro gerou R$ 83,9 bilhões em prêmio de seguro, em comparação aos R$ 78,5 bilhões do mesmo período do ano anterior, representando uma taxa de crescimento anual de 6,9% frente a 18,6% de 2013.
A sinistralidade, obtida pela razão dos sinistros ocorridos sobre o prêmio ganho da Demonstração de Resultado de todas as seguradoras do mercado brasileiro, manteve-se basicamente estável em 2014, ficando em 49,0% em 2014 frente a 48,6% de 2013. No período, o índice de despesa comercial foi de 23,4% em 2014 frente a 23,0% do ano de 2013, comportamento estável no período. O índice de resultado de resseguro, obtido pela razão do resultado de resseguro sobre o prêmio ganho, apresentou estabilidade, encerrando 2014 em 2,0%, frente a 2,1% de 2013. O Combined Ratio, incluindo o índice de resultado de resseguro, encerrou 2014 em 89,5% frente a 86,9% de 2013, evidenciando uma piora na comparação anual. Em grande parte este aumento de deveu a correção, acima mencionada, do índice de despesa administrativa.
Dito isso, vamos ao mercado de resseguros no Brasil. Em 2014, o volume do mercado brasileiro de resseguros (bruto de comissão) foi de R$ 9,11 bi frente a R$ 8,26 bi de 2013, um crescimento anual de 10,3%. A equipe da Terra Brasis acredita que a queda acentuada do ritmo de crescimento ocorrido em dezembro de 2014 seja em parte decorrente de alteração no calendário de renovações de algumas seguradoras brasileiras, que prorrogaram o prazo para os primeiros meses de 2015, uma vez que temos notado um início de ano mais forte que o usual.
A proporção de resseguro cedido sobre prêmio de seguro sofreu uma pequena queda no último trimestre de 2014, terminando o ano em 10,9%. Entretanto, este índice ainda permanece acima do intervalo de 9% a 10% presente desde, pelo menos, a abertura do mercado em 2008. O volume de prêmio de cosseguro acumulado em 2014 foi de R$ 2,36 bi frente aos R$ 2,05 bi do mesmo período do ano anterior, um crescimento anual de 15,2%. Em 2014, o prêmio de cosseguro representou 2,8% do volume de prêmio do segmento de seguro gerais frente aos 2,6% de 2013.
Em 2014, o volume de resseguro (bruto de comissão) emitido por resseguradoras locais foi de R$ 6,49 bi, aumento de 16,1% em relação aos R$ 5,58 bi apresentados em 2013. O mercado local encerrou o ano de 2014 detendo 71,2% do volume de prêmio cedido por cedentes brasileiras, acima dos 67,7% registrados em 2013. Do total do volume de resseguro (bruto de comissão) emitido por resseguradoras locais, o IRB emitiu um volume de prêmio 5% maior que o apresentado em 2013, enquanto as demais resseguradoras locais apresentaram um crescimento de 28%, influenciado em grande parte pelo aumento do volume de operação das resseguradoras locais mais jovens, que possuem início de operação entre 2012 e 2013. No mesmo período, o volume de resseguro emitido por resseguradoras estrangeiras caiu 1%. Em 2014, o mercado local foi destino de 71% do volume de resseguro cedido pelo mercado brasileiro ante 68% de 2013, com uma retenção de 58% desse valor, representando R$ 3,8bi ante R$ 3,2bi do de 2013.
O IRB encerrou 2014 com uma participação de mercado de 33%, enquanto as outras resseguradoras locais encerraram o período detendo 38% do mercado e as estrangeiras 29%. O ano de 2014 foi de recuperação para as locais em relação ao ano anterior, apresentado uma melhora da sinistralidade, e com um Combined Ratio próximo de 100%, além de uma melhora da rentabilidade medida pelo ROE (return on equity). Em 2014, as resseguradoras locais apresentaram lucro de R$ 685 milhões, ante um lucro de R$ 271 milhões registrado em 2013. Neste período, o IRB lucrou R$ 602 milhões e as demais resseguradoras R$ 83 milhões.
Na análise da evolução do patrimônio líquido das resseguradoras Locais, o estudo da Terra Brasis nota que houve significativa mudança na relação de resseguro emitido e patrimônio líquido nos últimos 10 anos. De uma relação de cerca de 2 para 1 entre resseguro emitido e patrimônio líquido passamos a ter uma relação de cerca de 1 para 1. A mesma tendência foi observada no mercado internacional, onde as combinações de padrões mais rígidos de solvência e excesso de liquidez monetária também reduziram a relação de prêmio para patrimônio líquido.


















