BB Seguridade estima rentabilidade de 54% em 2015

labutoPense em uma empresa que apresentou retorno sobre o patrimônio líquido de 49% em 2014, em um país que deverá divulgar um Produto Interno Bruto (PIB) próximo de zero. E a projeção para 2015 é de que esse mesmo índice aumente para 54%, num cenário previsto por economistas com PIB em queda entre 5% e 2%. Essa empresa é a BB Seguridade, dona de um dos maiores IPO do mundo, que apresentou ontem os resultados de 2014 e as expectativas para 2015.

Não é à toa que BB Seguridade atrai as atenções do mercado. O grupo vem apresentando bons resultados e tem feito investimentos para conquitar uma base de clientes expressiva: 60 milhões de clientes do Banco do Brasil. Nesta quarta-feira o grupo se reúne com analistas e o Banco do Brasil divulga o balanço.

Visando atender melhor a demanda de analistas, segundo o grupo, a forma de divulgação de guidance foi alterado. Em vez de retorno sobre patrimônio, a BB Seguridade vai divulgar lucro líquido ajustado. Também mudou os dados de previdência, trocando volume de arrecadação para ativos sob administração. Quanto a BB Mapfre SHI ficou mantido o volume de prêmios de seguros de vida e rural. Saíram do foco de divulgação de metas para os analistas seguros a Mapfre BB SH2, que reúne seguros patrimoniais, e a Brasilcap.

Ontem à tarde, o presidente da BB Seguridade, Marcelo Labuto, se reuniu com jornalistas para comentar os dados divulgados pela manhã. O grupo obteve lucro liquido de R$ 3,5 bilhões em 2014, 40% acima do ano anterior. A expectativa para este ano é ter um ganho até 22% maior, considerando-se a projeção com intervalo entre R$ 3,6 bilhões e R$ 3,9 bilhões. Boa parte do resultado da BB Seguridade vem da corretora, com cerca de 40%. Outra boa notícia foi o Conselho de Administração aprovar o pagamento de R$ 1,57 bilhão em dividendos.

Questionado sobre como vai manter o crescimento em uma economia fragilizada por uma série de motivos, entre eles as denúncias de corrupção na Petrobras – que chega a preocupar o Banco Central que investiga se há risco sistêmico no mercado financeiro em razão do grande volume de crédito dado pelos bancos à estatal –, Labuto foi enfático: “Em 2014, a projeção de rentabilidade era 44% e chegamos a 49%. Isso mostra que estamos aproveitando a baixa penetração de seguro no Brasil com oferta qualificada”, diz.

O índice de penetração de seguros na base de clientes do banco é de 13,7%. “Esse número pode crescer muito e nosso desafio é implementar uma série de novidades para conquistar clientes com produtos acessíveis e disponíveis em diversos canais”, informa. O índice era 13% na época do IPO, em abril de 2013. “Quando recebo esse dado acho que estava errado, pois todas as empresas registraram níveis elevados de crescimento. Mas o banco exibe crescimento forte e por isso não conseguimos avançar muito nesse indicador”, diz.

Ele explica que as empresas que compõem o grupo BB Seguridade aprimoram os processos comerciais dia após dia. A plataforma CRM está bem avançada e permite que o consultor faça uma abordagem mais assertiva. O resultado, segundo ele, está visível no avanço de 24,3% das vendas da BB Seguridade, para R$ 54 bilhões em 2014.

“Não queremos crescer em um ano e no ano seguinte perder resultado. Queremos ter um resultado consistente, conquistado com o investimento em ter o produto certo para uma equipe treinada ofertar para o cliente no canal em que ele quer ser atendido”, comentou.Ele afirmou que mensalmente há um monitoramento sobre o desempenho de todos os segmentos e se preciso a estratégia traçada pode mudar de rumo visando o crescimento das vendas e do lucro. Para ele, o cenário atual no Brasil deverá levar a um movimento de consolidação em alguns ramos, como “affinities” e grandes riscos.

A holding com ações no topo das recomendações de analistas tem várias iniciativas para manter o crescimento das vendas na casa de dois dígitos em 2015. “Quando o cliente entra no banco, passa o cartão, o gerente de contas tem informações na tela sobre quais produtos esse cliente pode adquirir. Agora esse grande fluxo de pessoas que entra nas agências diariamente passará a ser abordado”, conta. Além disso, o grupo se prepara para os canais digitais. “Há um grande grupo de consumidores que prefere outros canais, como a internet ou celular, e estamos no caminho para ampliar o relacionamento da BB Seguridade com essa geração”.

Em 2014, a Brasilprev foi o grande destaque em crescimento, com arrecadação 34,7% maior, para R$ 31 bilhões. “O segmento enfrentou dificultadades no início do ano, mas conseguimos reverter e encerrar o ano um crescimento expressivo”. Na BB Mapfre SH1, que responde pelos segmentos de vida, rural e habitacional, os prêmios atingiram R$ 7,4 bilhões em 2014, avanço de 19%, abaixo do estimado para o ano, que previa intervalo entre 24% a 32%. Neste ano, o guidance é entre15% e 21%. O lucro avançou 31,3%, para R$ 1,3 bilhão. Na Mapfre BB SH2, que concentra seguro de carro e bens patrimoniais, as vendas aumentaram 13,5% em 2014, totalizando R$ 8,8 bilhões, dentro do interval previsto de 12% a 15%. A líder no segmento de capitalização, Brasilcap, encerrou 2014 com R$ 6,6 bilhões em vendas, crescimento de 6,7% sobre o ano anterior.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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