Liberty Seguros eleva lucro para R$ 83 milhões em 2014

Carlos MagnarelliInovar deixou de ser uma estratégia para ser uma missão da equipe Liberty Mutual nos 29 países onde atua. Praticar um preço justo é o caminho mais sustentável para conquistar clientes e corretores e por isso o tema entrou no DNA da equipe e os resultados já podem ser vistos no balanço financeiro de 2014 da subsidiária brasileira. O lucro líquido saiu de R$ 40,7 milhões em 2013 para R$ 83 milhões em 2014, com retorno sobre o capital de 10,9%. “É a primeira vez desde sua chegada no Brasil, em 1996, que a Liberty apresenta um índice combinado (que mede a eficiência operacional de uma seguradora) inferior a 100%”, disse Carlos Magnarelli, que deixou a vice-presidência financeira para assumir o cargo de CEO com a promoção da Pablo Barahona para COO América Latina e Ibéria da Liberty International.

O faturamento registrou avanço de 7,7%, para R$ 2,6 bilhões, mesmo considerando-se que a seguradora optou por sair de médios riscos, apostando suas fichas nas pequenas empresas. “Apesar de o mercado segurador registrar crescimento de 12%, estamos em linha com o desempenho do nosso portfolio de produtos, composto por seguro de automóveis, riscos patrimoniais e apólices de vida. Foi um ano competitivo e nosso foco foi crescer com rentabilidade. Apostamos na qualidade do serviço prestado que ofertamos e inovamos dia a dia para agradar e conquistar consumidores e corretores ”, comenta Magnarelli.

A Liberty foi a seguradora oficial da Copa 2014 e o patrocínio tem o carimbo de “sucesso” pelo retorno obtido com o reconhecimento da marca. Parte do bom desempenho de 2014 é creditada às ações ligadas ao evento esportivo. O grupo encerrou o ano passado com mais de 1,3 milhão de clientes em carteira, sendo 1 milhão em seguro de carro. “Somos a sexta maior seguradora em automóvel e a décima maior seguradora do Brasil em seguros gerais”, enumera o executivo.

Um dos produtos que pode alavancar as vendas do mercado é o Auto Consciente, que pode custar cerca de 50% mais barato do que o produto com cobertura compreensiva. O seguro cobre danos físicos e materiais a terceiros e ainda conta com serviços de assistência 24H, ressaltou. “Ele indeniza, por exemplo, um terceiro que precisou parar de trabalhar em função de um acidente de carro, cobertura que não está dentro do DPVAT. Com a divulgação do produto e investimento na maior consicentização da sociedade quanto a riscos causados por acidentes automobilísticos, a Liberty pretende chegar a que não podem ou não querem adquirir os produtos convencionais de seguro de carro.

O segmento frotas apresentou um crescimento relevante, de 18%. O bom desempenho, segundo Magnarelli, é creditado ao investimento em TI. “Implementamos um novo workflow, que nos ajudou a quadriplicar o número de cotações em 2014”. Em 2014, o grupo investiu cerca de R$ 14 milhões em TI para aprimorar desde a emissão até o pagamento de sinistros. A expectativa é investir o mesmo montante neste ano.

Um dos exemplos citados por Patrícia Chacon, diretora de marketing e estratégia, foi o pioneirismo em implantar a central de atendimento por meio do SkypeConnect aos corretores e em breve também será lançado para todos os clientes da companhia. “A idéia é reduzir o custo para nossos parceiros e, para nós, a satisfação do cliente é a métrica mais importante para medir nossos resultados ”, diz.

O grupo, que conta com 69 filiais e 13 mil corretores cadastrados, também destacou em seu balanço o apoio a comunidade com o projeto Sinal Livre de Mobilidade Urbana. Segundo Karina Louzada, superintendente de Comunicação e Marca Institucional da Liberty Seguros, o principal objetivo é a difusão de boas práticas para estimular o engajamento e a conscientização dos brasileiros para uma locomoção mais segura ancoradas nos pilares da mobilidade verde, fluidez e segurança no trânsito.

Os executivos ressaltaram a importância do investimento no desenvolvimento em pessoas e parceiros. “Claro que tudo isso só foi possível porque temos pessoas comprometidas”, ressalta Magnarelli. Uma das metodologias do ano passado com retorno destacado foi o “empoderamento” dos funcionários na base. “Em 2014, por exemplo, implementamos 340 melhorias sugeridas pelos nossos funcionários, sendo que nos anos anteriores apenas os gestores eram envolvidos nas estratégias”, conta.

A filosofia aplicada no Brasil vem da construção de centros de excelência, que contam com a participação de gestores do mundo todo. O grupo Liberty Mutual é dividido em quatros grandes blocos: seguros pessoais nos Estados Unidos, seguros de empresas nos Estados Unidos, riscos especiais para todo o mundo e, por fim, operações internacionais.

pablo barahona “A inovação faz parte do dia a dia do grupo, que desenvolveu três centros de excelência para apoiar as unidades nos países onde atua”, conta Pablo Barahona. O primeiro é focado no desenvolvimento de estratégias para apoiar todas as unidades do grupo. “Temos subsidiárias que estão prontas para crescer com rentabilidade e outras que precisam de apoio para desenvolver o mercado em que atuam, como China, Índia e Rússia, por exemplo, pois são mercados enormes e que requerem muitas estratégias diferentes”, explica.

Outro centro de excelência visa melhorar a capacidade de precificação, uma vez que as decisões de uma seguradora tem como base um banco de dados como ferramenta para aprimorar a oferta justa. O terceiro centro de excelência é voltado ao aprimoramento do processo de indenizações. “O sinistro é a alma do negócio de uma seguradora. Investir para atender de forma rápida e primorosa nossos clientes, corretor e consumidores, é um fator determinante do sucesso empresarial”, resume Barahona, que está feliz de poder contribuir com o crescimento das subsidiárias do grupo Liberty na América Latina e Ibéria.

A região responde por 79% do faturamento da Liberty International, que acumulou prêmios de US$ 4,3 bilhões no terceiro trimestre de 2014 (os dados finais de 2014 serão divulgados em breve). Dos US$ 3,4 bilhões da região AL e Ibéria, a Venezuela é o maior mercado na região sob a tutela de Barahona, com faturamento de US$ 1,1 bilhão, seguido por Brasil, Espanha, Colômbia, Portugal, Chile e Equador. “As companhias tem muita similaridade, em termos de portfolios, língua e canais de distribuição, e estão bem posicionadas, o que facilitará muito o meu dia a dia. O meu desafio é dar continuidade ao sucesso que todos tem tido ate agora”, brinca Barahona, feliz de manter sua base no Brasil. “Se você me perguntar onde quero estar daqui a 30 anos, vou te dizer: no Brasil. Apesar dos atuais desafios macroeconômicos, o país continua sendo o melhor para um grupo segurador estar”, finaliza o COO da América Latina e Ibéria da Liberty International.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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