Lojacorr Seguros reinveste 80% dos resultados para financiar crescimento

Com mais de 2,3 mil corretores parceiros, rede quer transformar sua infraestrutura tecnológica em uma ferramenta para impulsionar vendas

A Rede Lojacorr chega aos 30 anos com uma mudança importante em sua estratégia de negócios. Depois de construir uma estrutura de tecnologia, serviços e suporte para corretores de seguros, a empresa quer dar um novo passo: utilizar a experiência acumulada, os dados de sua operação e a inteligência artificial para ajudar os parceiros a vender mais, ampliar suas carteiras e fortalecer o relacionamento com os clientes. A estratégia inclui a criação de uma vertical especializada em saúde, o desenvolvimento de ferramentas comerciais e a expansão orgânica no mercado brasileiro.

O momento da empresa e os planos para as próximas décadas foram apresentados durante coletiva de imprensa realizada na 8ª Convenção Nacional da Rede Lojacorr, em Curitiba, que reúne mais de 1.200 participantes no Expo Trade. Com mais de 2.300 parceiros em todo o país, a companhia acredita que ainda existe um amplo mercado a conquistar e, por isso, não considera prioritária uma expansão internacional ou a entrada de investidores.

Diogo Arndt, presidente do Conselho de Administração da Lojacorr, explicou que a transformação pretendida vai além de oferecer sistemas e serviços aos corretores. “A Lojacorr construiu esses primeiros 30 anos com a visão de ser a infraestrutura de tecnologia e serviços para que os corretores pudessem atuar melhor. Nosso desafio futuro é, além de sermos uma plataforma de tecnologia e serviços, ajudar o corretor a impulsionar cada vez mais suas vendas”, afirmou.

Segundo ele, o volume de informações reunidas ao longo de três décadas, combinado com novas tecnologias, permitirá que os profissionais tenham acesso mais rápido a oportunidades comerciais e conheçam melhor o perfil dos consumidores. A intenção é transformar dados em inteligência de negócios, oferecendo informações que possam ser utilizadas no dia a dia das corretoras.

Crescimento com recursos próprios

Uma das características destacadas pelos executivos é a capacidade de financiar a expansão com recursos próprios, em um momento em que diferentes empresas de distribuição de seguros buscam fundos de investimento e parceiros financeiros para acelerar seus negócios.

Ludmilla Concon, diretora financeira da Lojacorr, informou que mais de 80% dos resultados da companhia são destinados a investimentos. Segundo ela, a empresa mantém uma posição financeira sólida e já estruturou projetos estratégicos para os próximos anos. “Temos uma visão de longo prazo, um caixa muito forte e projetos estratégicos bem estruturados. Sabemos onde estamos e aonde queremos chegar”, afirmou.

Arndt acrescentou que a companhia mantém uma estrutura de governança preparada para uma eventual entrada de investidores, mas não vê necessidade de captar recursos neste momento. Na avaliação dos acionistas, o capital externo poderia representar um custo desnecessário diante da capacidade atual de financiar o crescimento. “Existe uma máxima de que a empresa deve estar sempre pronta para receber um investidor, com governança, estrutura, solidez e estratégia, mas que seja tão boa que não precise dele”, resumiu.

A expansão internacional também não está nos planos imediatos. A possibilidade de entrar em outros países da América Latina já foi analisada, mas a conclusão foi de que as diferenças regulatórias, tecnológicas e comerciais exigiriam investimentos e esforços que poderiam ser direcionados ao próprio mercado brasileiro.

Dirceu Tiegs, CEO da Rede Lojacorr, destacou que a empresa continua crescendo acima do mercado e encontra oportunidades mesmo em regiões onde já possui operações consolidadas. Curitiba, cidade de origem da companhia e sede de sua maior unidade, ganhou uma segunda estrutura para atender à demanda local.

Saúde ganha vertical própria e deve movimentar R$ 170 milhões em prêmios

Uma das novidades anunciadas durante a coletiva é a criação de uma vertical especializada em seguros e planos de saúde. Embora a Lojacorr já tenha uma carteira relevante nesse segmento, a operação ainda não contava com um projeto estruturado para desenvolver todo o seu potencial. A previsão apresentada pelos executivos é de aproximadamente R$ 170 milhões em prêmios emitidos na carteira de saúde em 2026. A companhia também revelou que está entre os 20 principais parceiros comerciais da Bradsaúde.

Para ampliar sua atuação, a Lojacorr contratou Valquíria Oliveira, executiva com experiência em diferentes modelos de distribuição e produtos de saúde, para liderar a nova vertical. O projeto pretende aproveitar uma base de mais de 50 mil clientes pessoas jurídicas, principalmente pequenas e médias empresas, que já mantêm relacionamento com corretores da rede. Parte desses profissionais não possui especialização em saúde, o que abre espaço para um modelo de atuação conjunta entre corretores generalistas, especialistas e a estrutura de suporte da Lojacorr.

A proposta é oferecer assistência técnica e comercial durante o processo de venda, permitindo que corretores que hoje concentram suas atividades em outros ramos também possam atender à demanda por saúde. Para Tiegs, o crescimento do segmento e sua relevância no orçamento das famílias e empresas justificam o investimento. A avaliação é que a saúde se tornou uma das principais necessidades de proteção dos consumidores e oferece oportunidades para ampliar a atuação dos corretores.

Tecnologia exige mudança cultural

A modernização das corretoras é outro eixo da estratégia. Apesar dos investimentos realizados pela Lojacorr, os executivos reconhecem que ainda existe resistência à utilização de ferramentas digitais, especialmente sistemas de gestão do relacionamento com clientes, conhecidos como CRM.

Segundo Arndt, a dificuldade não está apenas na disponibilidade da tecnologia, mas na necessidade de modificar hábitos de trabalho consolidados ao longo de décadas. “É uma mudança de cultura. A digitalização que tivemos foi, muitas vezes, apenas tirar o papel e colocar no digital. Mas utilizar ferramentas de relacionamento comercial ainda não é uma cultura consolidada no Brasil”, observou.

A companhia começou a desenvolver essa frente em 2024, avançou em 2025 e intensificou os programas de utilização das ferramentas em 2026. A expectativa é chegar ao final de 2027 com um grupo mais expressivo de corretores utilizando os sistemas de forma recorrente. Entre os recursos disponíveis está a possibilidade de registrar uma oportunidade comercial diretamente pelo celular e direcioná-la a um colaborador da corretora para acompanhamento posterior.

A empresa acredita que os resultados obtidos pelos primeiros usuários serão importantes para estimular a adesão dos demais. Um dos exemplos apresentados durante a convenção foi o de um corretor que ampliou sua carteira de aproximadamente 20 apólices de vida para 500 em 11 meses. A estratégia não é simplesmente disponibilizar aplicativos. A Lojacorr pretende acompanhar os parceiros na implementação das ferramentas, oferecendo treinamento, orientação comercial e apoio na análise de oportunidades.

Luiz Longobardi, diretor comercial e de marketing, ressaltou que o objetivo é permitir que o corretor dedique mais tempo à prospecção e ao relacionamento com clientes, enquanto a plataforma assume parte das atividades operacionais e administrativas. Outra prioridade é simplificar a jornada de contratação e utilização dos seguros. Na avaliação dos executivos, as plataformas de distribuição possuem uma posição privilegiada para identificar as necessidades dos consumidores, já que conseguem reunir produtos de diferentes seguradoras em um único ambiente. O desafio é tornar essa experiência mais integrada, reduzindo etapas, eliminando processos repetitivos e melhorando a comunicação entre os sistemas das companhias e das corretoras.

A Lojacorr também defende uma mudança na forma como o mercado prepara seus profissionais para vender. Em vez de treinamentos concentrados exclusivamente nas características técnicas dos produtos, a proposta é desenvolver uma abordagem que explique como cada cobertura atende às necessidades concretas dos consumidores.

O entendimento é que a tecnologia deve ampliar a capacidade consultiva do corretor, e não substituir sua atuação. Os executivos também destacaram que o relacionamento humano continua sendo um diferencial competitivo da distribuição de seguros. Mesmo com o avanço dos canais digitais, a confiança construída entre corretor e cliente permanece relevante, especialmente na contratação de produtos que exigem orientação especializada.

Diversidade e renovação da liderança

A preparação para os próximos 30 anos também passa pela renovação da gestão e pela incorporação de profissionais com experiências fora do mercado segurador. A Lojacorr vem ampliando a participação feminina em diferentes níveis da organização. Segundo os executivos, as mulheres já são maioria em posições gerenciais e de coordenação. A companhia conta com aproximadamente 170 colaboradores na sede e outros 135 nas unidades, totalizando cerca de 300 profissionais.

Na estrutura de governança, Isadora Campos integra o Conselho de Administração e coordena o Comitê de Estratégia de Pessoas. Com experiência no varejo e passagem pelo GPA, a executiva foi convidada justamente pela possibilidade de acrescentar perspectivas diferentes das tradicionais no setor de seguros. “Quando convidei a Isadora, ela disse que não entendia nada de seguros. Eu respondi que era justamente por isso que estava convidando”, contou Arndt.

O Comitê de Auditoria e Riscos é coordenado por Jaqueline Leone, executiva com experiência no HSBC. Ludmilla Concon, por sua vez, chegou à Lojacorr após atuar em tecnologia e consultoria, incluindo uma trajetória como sócia da Deloitte. Para a empresa, reunir profissionais com diferentes formações contribui para questionar práticas estabelecidas, aperfeiçoar processos e ampliar a capacidade de inovação.

Sucessão e novas gerações

A continuidade das corretoras também entrou na discussão. Historicamente, a ausência de sucessores familiares foi considerada um dos desafios da profissão, mas os executivos afirmam observar um movimento de aproximação das novas gerações. Filhos, sobrinhos e outros familiares que inicialmente seguiram carreiras em diferentes áreas têm demonstrado interesse em assumir os negócios de seguros.

Na avaliação de Arndt, a transformação tecnológica e a nova forma de apresentar a profissão ajudam a atrair esses profissionais. A combinação de empreendedorismo, propósito, ferramentas digitais e oportunidades de crescimento torna a atividade mais interessante para quem está iniciando a carreira.

A Lojacorr também apoia processos de sucessão dentro das próprias corretoras, inclusive quando não existe um herdeiro familiar interessado. Nesses casos, colaboradores de confiança ou outros profissionais da rede podem assumir a operação, preservando a carteira e a continuidade do atendimento aos clientes.

Ao avaliar os 30 anos da companhia, Arndt destacou a importância da sucessão também na própria liderança da Lojacorr. Ele lembrou que o pai, fundador da empresa, sempre abriu espaço para novas gerações e que a mesma filosofia orientou sua decisão de deixar a gestão executiva para assumir uma posição mais estratégica no Conselho de Administração.

A transição permitiu a chegada de profissionais com competências complementares e deu ao executivo mais tempo para pensar no futuro da organização. “Quando fizemos a transição, eu disse que antes enxergava a empresa como se estivesse dirigindo um carro a 150 quilômetros por hora. Agora consigo olhar a paisagem com mais nitidez”, comparou. Para o presidente do Conselho, a capacidade de se renovar, incorporar novos conhecimentos e questionar continuamente os próprios resultados será determinante para a próxima etapa da companhia.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS