A Azos, insurtech referência em seguro de vida, leva a experiência brasileira em inovação no setor para o InsureTech Connect (ITC) Vegas, principal encontro global dedicado à tecnologia e à transformação da indústria de seguros, que acontece entre 29 de setembro e 1º de outubro, em Las Vegas, nos Estados Unidos. O evento tem a expectativa de reunir mais de 9 mil participantes, 500 palestrantes e 600 expositores em três dias de programação que aborda assuntos essenciais para o mercado securitário.
O CEO da Azos, Rafael Cló, participou do painel “The distribution evolution: Three founders, three continents, and the future of life insurance” (A evolução da distribuição: três fundadores, três empresas e o futuro do seguro de vida, em tradução livre), que reuniu fundadores de empresas de diferentes continentes para discutir as transformações pelas quais passa o seguro de vida. A conversa mediada por Fernando Ohata, Insurance Associate Partner da McKinsey, conta ainda com Johannes Becher, fundador e CEO da Embea, e Jamie Hale, CEO da Ladder Financial.
Após participar do painel, Cló destacou três tendências que, na sua avaliação, podem transformar o seguro de vida na próxima década. A primeira vem de fora da indústria de seguros: os avanços da medicina, associados à tecnologia, podem aumentar a longevidade e mudar o próprio risco coberto pelas seguradoras.
Entre os exemplos, o executivo citou a disseminação de medicamentos para perda de peso, como Ozempic e Mounjaro, e o uso da inteligência artificial na medicina para o desenvolvimento de tratamentos para doenças que hoje ainda não têm cura. “São dois ventos de cauda muito importantes para aumentar a longevidade das pessoas e, consequentemente, diminuir o preço do seguro de vida. Isso pode ser ótimo para aumentar a penetração do produto em países como o Brasil”, afirmou.
A relação entre maior longevidade e redução do preço do seguro, porém, é uma perspectiva apontada pelo executivo e dependerá de como os avanços médicos efetivamente se refletirão nos indicadores de mortalidade e nos modelos de precificação das seguradoras ao longo dos próximos anos.
A segunda transformação apontada por Cló acontece dentro das próprias companhias. O avanço da inteligência artificial tende, segundo ele, a permitir que as seguradoras aumentem suas operações sem ampliar as estruturas de custos na mesma proporção. Os ganhos de produtividade poderiam, assim, contribuir para produtos mais baratos e acessíveis.
“Tecnologia e inteligência artificial vão permitir que as empresas de seguros consigam escalar sem aumentar muito sua estrutura de custos. Isso também pode gerar produtos mais baratos para o cliente final e ajudar no aumento da penetração do seguro de vida no Brasil”, disse.
O terceiro movimento envolve a distribuição. Cló acredita que a IA dará aos corretores e às seguradoras maior capacidade de identificar as necessidades de cada consumidor e montar proteções mais personalizadas, em vez de oferecer pacotes padronizados.
“A inteligência artificial vai ajudar muito o corretor e as empresas de seguros a construírem soluções customizadas para o cliente, ajudando a identificar a cobertura que realmente faz sentido para aquela pessoa”, afirmou. Para o executivo, a combinação desses três movimentos — avanços na saúde, maior eficiência das seguradoras e personalização da proteção — fará com que “daqui a dez anos tenhamos uma indústria de seguros muito diferente”.
A participação acontece em um momento de expansão do segmento no Brasil. Segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o seguro de vida arrecadou R$23,46 bilhões em prêmios de janeiro a julho de 2026, com crescimento nominal de 9,49% e real de 4,92% sobre o mesmo período do ano anterior. A modalidade respondeu por quase metade (48,6%) da arrecadação de seguros de pessoas, que somou R$48,25 bilhões nos sete primeiros meses do ano.
Para Rafael Cló, os números mostram um mercado em expansão, mas que ainda convive com um espaço relevante para ampliar a proteção financeira das famílias. “O desafio também está no centro das discussões internacionais sobre o setor. O caminho é pensar juntos como tornar produtos de seguro mais acessíveis, compreensíveis e adequados às diferentes necessidades dos consumidores, incorporando novas tecnologias sem perder de vista a relação de confiança característica do mercado”, afirma o cofundador e CEO da Azos.
A evolução tecnológica também vem acompanhando esse movimento. Ferramentas de inteligência artificial, automação e análise de dados já começam a alterar diferentes etapas da jornada do seguro, desde a avaliação de risco até a contratação e o atendimento ao segurado.
Para se ter uma ideia, segundo estudo da CNseg em parceria com a EY, 80% das seguradoras brasileiras já utilizam alguma solução de IA, e os investimentos em tecnologia no setor devem chegar a R$2,6 bilhões até 2026.
Na Azos, por exemplo, os resultados já aparecem na operação. O Copiloto, assistente de IA desenvolvido para apoiar corretores durante a venda e esclarecer dúvidas sobre produtos, coberturas e processos, lançado neste ano, já soma mais de 5 mil interações e foi acessado por mais de 2,1 mil corretores desde o lançamento. Nas categorias em que a ferramenta já executa tarefas, os acionamentos aos gerentes comerciais caíram 46%, enquanto as demandas direcionadas à equipe de experiência do cliente (CX) recuaram 32%. A percepção dos usuários também é positiva: mais de 74% afirmam que ficariam “muito desapontados” caso o Copiloto deixasse de existir.
A insurtech brasileira atua desde 2021 com o objetivo de simplificar o acesso ao seguro de vida e utiliza tecnologia própria para reduzir etapas e tornar a contratação mais ágil. A partir de uma operação AI only, a companhia oferece coberturas de até R$5 milhões, sem necessidade de exames ou relatórios médicos no processo de subscrição, e pode emitir apólices em 30 segundos ou em até um dia útil.
A empresa já captou mais de R$350 milhões com alguns dos principais fundos de venture capital do mundo e conta atualmente com mais de 13 mil corretores parceiros e mais de R$140 bilhões em capital segurado. A operação combina tecnologia e atuação junto ao canal de corretores para simplificar diferentes etapas da jornada do seguro.
Para Cló, a evolução do setor depende justamente de aproximar o seguro da realidade financeira dos consumidores e de transformar uma jornada historicamente complexa em uma experiência mais simples. “Precisamos entender melhor as necessidades das pessoas, simplificar a experiência e construir produtos que façam sentido para diferentes momentos da vida. O Brasil tem desenvolvido soluções interessantes nesse caminho, e levar essa experiência para uma conversa global como a do ITC é uma oportunidade importante para trocar aprendizados e contribuir para a evolução do setor”, conclui.





















