Cheias no Nepal podem gerar mais de US$ 1 bilhão em perdas seguradas e pressionar resseguradoras globais

Treze projetos hidrelétricos foram atingidos e milhares de seguros de viagem podem ser acionados. A baixa penetração de seguros no Nepal, porém, limita o impacto sobre as seguradoras locais e deve transferir parcela relevante das perdas para as resseguradoras internacionais

Com agências internacionais

As enchentes repentinas que atingiram o Nepal após o colapso de uma geleira e uma enorme avalanche de gelo, rochas e lama poderão provocar mais de US$ 1 bilhão em perdas seguradas, cerca de € 860 milhões, com uma parcela significativa da conta recaindo sobre o mercado internacional de resseguros.

A estimativa, divulgada pela InsuranceAsia News, surge enquanto ainda estão sendo avaliados os prejuízos provocados pelo desastre de 26 de agosto.

A consultoria e agência de classificação de risco AM Best avalia, no entanto, que o impacto agregado sobre o mercado segurador nepalês deverá ser limitado em relação à dimensão das perdas econômicas, devido à baixa penetração dos seguros no país.

Segundo a agência, a exposição segurada está concentrada principalmente em ativos de geração hidrelétrica, projetos de engenharia e construção ligados à infraestrutura e propriedades comerciais localizadas ao longo do corredor atingido pelas enchentes.

É justamente nos grandes riscos empresariais que os sinistros podem ganhar maior relevância. O mercado nepalês depende fortemente da capacidade das resseguradoras internacionais para absorver riscos catastróficos. Por isso, a AM Best prevê que uma parcela substancial das perdas seguradas seja transferida ao mercado internacional.

A análise da InsuranceAsia News indica, portanto, que o desastre poderá produzir um impacto proporcionalmente maior nos balanços das resseguradoras globais do que nas próprias seguradoras do Nepal.

Hidrelétricas concentram grande parte da exposição

O setor hidrelétrico é uma das principais preocupações para o mercado segurador. As enchentes danificaram 13 projetos hidrelétricos, que representam cerca de 748 MW de capacidade instalada, provocando também forte reação negativa nas ações de seguradoras e empresas de energia negociadas na Bolsa do Nepal.

O índice das seguradoras chegou a cair 3,9% após o desastre, refletindo as expectativas de indenizações elevadas. Os danos, porém, não se restringem às usinas. A Aon estimou que somente os prejuízos iniciais em estradas e pontes chegam a aproximadamente 15 bilhões de rupias nepalesas, equivalentes a US$ 157 milhões, enquanto as perdas materiais totais continuam sendo calculadas. Segundo a corretora, o custo econômico total das enchentes deverá alcançar várias centenas de milhões de dólares.

A dimensão da reconstrução poderá ser muito superior à parcela efetivamente coberta por seguros. O ministro das Finanças do Nepal estimou entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões as necessidades de reconstrução, montante equivalente a aproximadamente 10% da economia do país. A estimativa inclui estradas, pontes, infraestrutura energética, edifícios e outras estruturas destruídas pelas enchentes e pelos deslizamentos.

Seguros de viagem também entram na conta

Além dos grandes riscos industriais e de infraestrutura, as seguradoras de viagem enfrentam outra frente de exposição. Centenas de turistas e peregrinos estrangeiros estavam na região quando ocorreu a catástrofe, e muitos continuam desaparecidos. A destruição de estradas e da passagem de fronteira entre Nepal e Tibete dificulta as operações de busca, assistência e eventual repatriação.

A AM Best prevê aumento dos sinistros relacionados aos seguros de viagem, principalmente por cancelamento ou interrupção das viagens. O evento também poderá testar os limites de cobertura de algumas apólices, especialmente em relação às despesas de busca e salvamento, evacuação e assistência em situações nas quais não existe uma emergência médica convencional.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre seguros, previdência, educação financeira, longevidade e saúde para o blog Sonho Seguro, do qual e fundadora, e para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do SindSeg-SP, entrevistadora em eventos e podcasts, bem como palestrante sobre temas diversos que envolvem o setor de seguros. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 17 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS