WIR Innovation quer acelerar uso de IA no mercado de seguros

Criada por Nicholas Weiser e José Carlos de Paula, empresa nasce com apoio da Avante Ventures e conexão com a Mahway para desenvolver soluções de inteligência artificial aplicadas à subscrição, distribuição e operação seguradora

O avanço da inteligência artificial começa a mudar uma das etapas mais complexas da operação das seguradoras: a subscrição de riscos. Após ganhar espaço em atendimento, marketing e automação de processos, a IA passa a ser aplicada na análise de propostas, organização de informações e apoio à tomada de decisão dos underwriters, com potencial para aumentar a produtividade e reduzir o tempo de resposta aos corretores.

É nesse contexto que surge a WIR Innovation, empresa criada pelos executivos Nicholas Weiser e José Carlos de Paula. A companhia integra a primeira vertical da Avante Ventures, holding brasileira de inteligência artificial associada à venture builder Mahway, do Vale do Silício, e desenvolve soluções para automatizar processos de subscrição, aumentar a eficiência operacional e apoiar a tomada de decisões nas seguradoras.

Embora a adoção de IA tenha acelerado nos últimos dois anos, boa parte das iniciativas das seguradoras ainda está concentrada em assistentes virtuais, produtividade individual e atendimento ao cliente. A avaliação dos fundadores da WIR é que a próxima etapa da transformação digital ocorrerá na automação dos processos centrais das operações, especialmente em ramos corporativos e de grandes riscos, onde ainda predominam análises manuais.

“A gente não quer vender tecnologia pela tecnologia. A ideia é partir da dor do mercado e resolver problemas reais de operação, eficiência e tomada de decisão”, afirma Weiser. Segundo ele, a experiência dos fundadores “dos dois lados do balcão” ajuda a entender tanto as necessidades das seguradoras quanto as dores dos corretores. Weiser tem trajetória ligada à corretagem e ao empreendedorismo no setor, enquanto De Paula acumula experiência em bancos, seguros e saúde, incluindo a consolidação do Grupo NotreDame Intermédica.

A primeira frente da WIR é uma camada de IA para subscrição, desenhada para operar em paralelo aos sistemas já utilizados pelas seguradoras. A solução não substitui o core da companhia, mas se conecta por APIs ou outras integrações para ler solicitações, interpretar documentos, organizar dados, aplicar regras de apetite de risco e entregar ao underwriter uma análise estruturada. A decisão final continua com o profissional.

O objetivo é reduzir o tempo gasto com atividades operacionais. De acordo com os executivos, conversas com seguradoras indicam que uma parcela significativa do trabalho do subscritor ainda está concentrada em tarefas burocráticas, como leitura de documentos, organização de informações e triagem de riscos. “Tem seguradora que recebe milhares de pedidos de cotação por ano e não consegue processar metade. Isso significa dinheiro deixado na mesa, corretor mal atendido e perda de oportunidade de crescimento”, diz De Paula.

A WIR já desenvolve aplicações para ramos como transportes, frotas, riscos de engenharia, garantia, vida em grupo e saúde corporativa. A empresa também avalia soluções para MDAs, assessorias e corretores, incluindo ferramentas para comparação de propostas, organização automática de informações, CRM e apoio comercial.

Outro pilar é o uso de analytics. A proposta é transformar a operação de subscrição em uma fonte de inteligência comercial e técnica, permitindo que seguradoras identifiquem quais corretores convertem mais, quais riscos são mais aderentes ao apetite da companhia, quais segmentos estão sendo recusados e onde há oportunidade de ajustar produtos, taxas ou estratégia de distribuição.

Para os fundadores, a IA não deve ser tratada apenas como automação. “O nome já diz: inteligência artificial. O ponto é agregar inteligência ao processo, e não simplesmente criar mais uma ferramenta para o usuário preencher”, afirma De Paula. A visão da empresa é que o underwriter não desaparece, mas passa a trabalhar com apoio de agentes inteligentes capazes de acelerar a análise e ampliar a capacidade produtiva.

A estrutura internacional da Avante e da Mahway é vista como diferencial. Segundo Weiser, o grupo reúne desenvolvedores e especialistas em IA em diferentes países, incluindo profissionais brasileiros que já atuam para empresas globais. A intenção é combinar conhecimento técnico de machine learning com domínio específico do mercado segurador brasileiro.

A companhia afirma já ter conversado com cerca de 25 seguradoras, além de operadoras, administradoras de benefícios e corretoras. A percepção dos fundadores é que, embora muitas empresas já tenham iniciativas de IA em andamento, poucas conseguem levar a tecnologia para processos centrais da operação, como subscrição, sinistros e distribuição corporativa.

“O mercado fala muito em IA, mas boa parte das iniciativas ainda está concentrada em copilotos, atendimento, RH ou marketing. A grande transformação vai acontecer quando a IA entrar nos processos que definem escala, margem e competitividade”, diz Weiser.

A ambição da WIR é participar dessa mudança desde o início. Para os fundadores, o setor de seguros vive uma nova onda tecnológica semelhante à digitalização dos anos 2000, mas com impacto potencialmente mais profundo. “A década mais disruptiva da história já começou. Os líderes do futuro serão aqueles que conseguirem unir IA, estratégia e execução para gerar valor real”, afirma Weiser.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS