Icatu: jovens mudam o mercado de seguro de vida ao priorizar proteção financeira em vida

Millennials e integrantes da Geração Z impulsionam a demanda por coberturas para doenças graves, invalidez e assistência, transformando o seguro de vida em uma ferramenta de planejamento financeiro, proteção de renda e bem-estar

Durante décadas, o seguro de vida esteve associado principalmente à proteção dos familiares em caso de morte do segurado. Esse conceito, porém, vem mudando rapidamente, impulsionado pelo comportamento das novas gerações. Millennials e integrantes da Geração Z passaram a enxergar o produto como uma ferramenta de proteção financeira em vida, voltada para enfrentar situações como doenças graves, acidentes, perda temporária da capacidade de trabalho e outras circunstâncias que possam comprometer a renda e a qualidade de vida.

Na Icatu Seguros, essa transformação aparece de forma clara nas estatísticas de contratação. Entre os Millennials, 81% optam pela cobertura de Invalidez Parcial por Acidente e 72% incluem Doenças Graves. Na Geração Z, os percentuais sobem para 88% e 81%, respectivamente. Para Luciana Bastos, diretora de Produtos de Vida da Icatu, a tendência reflete uma mudança estrutural na forma como os brasileiros mais jovens encaram o planejamento financeiro e amplia o papel do seguro como instrumento de proteção patrimonial, prevenção e bem-estar.

O que mudou no comportamento de Millennials e da Geração Z para que eles passassem a enxergar o produto como um instrumento de proteção em vida?

As novas gerações têm uma visão mais ampla sobre proteção financeira. Elas passaram a enxergar o seguro de vida não apenas como um instrumento sucessório, mas como uma solução capaz de oferecer apoio financeiro diante de situações que podem acontecer ao longo da vida, como doenças graves, acidentes ou afastamentos temporários do trabalho. Esse movimento acompanha um comportamento mais pragmático em relação ao planejamento financeiro e à busca por estabilidade diante de imprevistos. Na Icatu, observamos essa mudança de forma bastante clara. O crescimento das coberturas voltadas à utilização em vida mostra que o consumidor passou a associar o seguro cada vez mais ao cuidado, à continuidade da renda e à preservação da qualidade de vida, e não apenas à proteção dos beneficiários.

Os dados da Icatu mostram que coberturas como invalidez parcial por acidente e doenças graves lideram a preferência entre os clientes mais jovens. O que esses números revelam sobre as principais preocupações financeiras dessa geração? Há diferenças importantes em relação às gerações anteriores?

Os dados mostram uma mudança importante na percepção do seguro de vida entre os mais jovens. Entre os Millennials, as coberturas mais contratadas são Invalidez Parcial por Acidente (81%) e Doenças Graves (72%). Na Geração Z, esses percentuais chegam a 88% e 81%, respectivamente. Isso demonstra uma preocupação maior com a preservação da renda, da autonomia financeira e da capacidade de enfrentar imprevistos sem comprometer os projetos de vida. Em comparação com gerações anteriores, percebemos uma valorização maior das coberturas que podem ser utilizadas em vida. Os jovens tendem a buscar soluções mais aderentes às suas necessidades atuais, incorporando o seguro ao planejamento financeiro desde cedo.

A cobertura para doenças graves ganhou espaço rapidamente nos últimos anos, passando de uma cobertura complementar para uma das mais contratadas. Esse crescimento reflete uma maior consciência sobre os riscos de saúde ou também está relacionado ao aumento do custo do tratamento médico e à necessidade de preservar o patrimônio familiar?

Os dois fatores caminham juntos. Existe uma conscientização maior sobre os impactos que uma doença pode gerar, mas também uma preocupação crescente com as consequências financeiras de um tratamento prolongado ou de um afastamento das atividades profissionais. Em um cenário de custos crescentes com saúde, o consumidor busca mecanismos que tragam mais previsibilidade financeira para enfrentar esses momentos. Na Icatu, essa mudança fica evidente na evolução da cobertura de Doenças Graves, que passou para 62% dos seguros contratados em 2025, tornando-se a segunda cobertura mais presente na carteira. Isso reforça que o seguro de vida vem sendo percebido cada vez mais como um instrumento de proteção financeira em vida.

Um fenômeno cada vez mais presente é o da chamada “geração sanduíche”, formada por pessoas que sustentam filhos e também ajudam financeiramente os pais. Como essa nova configuração familiar tem influenciado o desenvolvimento de produtos e coberturas no seguro de vida?

As transformações nas estruturas familiares vêm ampliando o conceito de proteção financeira. Hoje, muitas pessoas acumulam responsabilidades com diferentes gerações da família, o que exige soluções mais flexíveis e capazes de atender realidades cada vez mais diversas. Na Icatu, buscamos acompanhar essa evolução por meio de um portfólio mais aderente às necessidades atuais. Um exemplo é a cobertura para morte dos pais, desenvolvida para atender esse novo contexto familiar, que acumula responsabilidades tanto com filhos quanto com pais idosos. Recentemente, também lançamos uma solução de seguro de vida com capital segurado de até R$ 150 milhões, ampliando as possibilidades de planejamento patrimonial e sucessório para clientes com demandas mais complexas, além de ampliar a idade de contratação para 80 anos. Os dois exemplos mostram como o mercado vem evoluindo para oferecer soluções cada vez mais personalizadas e aderentes às nossas demandas da sociedade.

Embora os jovens demonstrem maior preocupação com planejamento financeiro, o Brasil ainda possui baixa penetração do seguro de vida. Quais barreiras ainda impedem que esse interesse se transforme em contratação e qual é o papel dos corretores e da educação financeira nesse processo?

Embora o conhecimento em relação ao produto esteja evoluindo, a principal barreira ainda é a falta de conhecimento sobre o papel do seguro de vida. Uma pesquisa da Icatu sobre vida e finitude mostra que 67% dos brasileiros afirmam pensar na morte com alguma frequência e 43% já conversaram sobre o tema com a família, mas apenas 12% possuem seguro de vida. Isso evidencia que existe conscientização, mas ela ainda não se traduz em planejamento efetivo. Nesse cenário, educação financeira e orientação especializada são fundamentais. Os corretores desempenham um papel consultivo importante ao ajudar o consumidor a compreender como o seguro pode fazer parte de uma estratégia mais ampla de proteção patrimonial, preservação de renda e planejamento financeiro.

Olhando para os próximos anos, como a Icatu acredita que o seguro de vida continuará evoluindo? Há uma tendência de o produto incorporar ainda mais serviços de prevenção, bem-estar e assistência, reforçando seu papel como ferramenta de proteção financeira ao longo da vida?

Acreditamos que o conceito de proteção continuará se ampliando. O consumidor busca cada vez mais soluções que ofereçam valor ao longo da vida, combinando proteção financeira com serviços que proporcionem conveniência, prevenção e bem-estar. Na Icatu, esse movimento já pode ser observado por meio de assistências como telemedicina, assistência domiciliar, assistência saúde e seguro-viagem, que complementam a proteção financeira. A tendência é que o mercado continue evoluindo para oferecer produtos cada vez mais personalizados, integrando tecnologia, serviços e coberturas capazes de acompanhar as diferentes fases da vida do cliente.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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