ENCONSEG 2026 reúne corretores e seguradores para discutirem o futuro do mercado

por Jorge Clapp

A edição 2026 do ENCONSEG – Encontro de Corretores de Seguros do Estado do Rio de Janeiro – foi um grande sucesso. Realizado pelo Sincor-RJ, com o apoio do SindSeg RJ/ES, no Centro de Convenções do Prodigy Hotel Santos Dumont, no Rio de Janeiro, o evento reuniu Corretores de Seguros, seguradoras, lideranças e especialistas do mercado em uma tarde marcada por conteúdo estratégico, networking e fortalecimento da categoria.

“O ENCONSEG 2026 mostrou a importância da conexão entre os profissionais e entidades do setor. Tivemos casa cheia, grandes debates e um ambiente extremamente rico para networking e geração de conhecimento”, comemorou o presidente do Sincor-RJ, Ricardo Garrido, acrescentando que o resultado do encontro demonstra a força e a união do mercado de seguros no estado. “Foi um evento construído para fortalecer o mercado e valorizar o Corretor de Seguros”.

Com auditório lotado por uma plateia atenta a todos os debates, o ENCONSEG 2026 consolidou-se como o evento mais relevante do mercado de seguros do Rio de Janeiro, promovendo debates importantes sobre o presente e o futuro do setor. Logo na abertura, Ricardo Garrido e o presidente do SindSeg RJ/ES, Saint’Clair Pereira, destacaram que a programação foi organizada para permitir debates intensos e estratégicos e a ampla participação do público presente.

Garrido lembrou que o setor tem uma meta ousada: aumentar de 6% para 10% a participação do seguro no PIB Nacional, até 2030, o que significa praticamente dobrar de tamanho. “Mas, vamos trabalhar juntos para vencermos esse desafio”, conclamou.

Pereira, por sua vez, lamentou o fato de o mercado de seguros Rio de Janeiro ter apresentado, nos últimos anos, taxas de crescimento abaixo da média nacional.  “O market share do nosso mercado caiu de 11,8% para 9,3%. Precisamos trazer de volta o que perdemos, pois éramos o segundo mercado e, hoje, ocupamos apenas a quinta posição.”, frisou.

O primeiro painel abordou o tema “O Mercado de Seguros: Os Desafios da Intermediação e a Experiência do Consumidor”, reunindo nomes de destaque do mercado para discutir os desafios da relação entre Corretores, seguradoras e consumidores diante das transformações do setor.

O presidente da Fenacor, Armando Vergilio, por exemplo, enfatizou a importância de o corretor entender os desejos do novo consumidor. “Hoje, o consumidor já nasce com um celular na mão. Quer tudo rápido e transparente. Mas, na hora de um sinistro, não abre mão da empatia e do atendimento humano que só o Corretor pode oferecer”, salientou.

Já o presidente do Conselho Diretor da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), Roberto Santos, pontuou que o novo consumidor exige jornadas simples e respostas rápidas. “O consumidor não compara mais as companhias, mas as experiências oferecidas. Sem isso, não vamos chegar a lugar algum”, assinalou.

O presidente da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg) e da Bradesco Seguros, Ney Dias, também apontou a necessidade de o mercado buscar alternativas para crescer e atingir novos públicos. “Corretores e seguradoras devem trabalhar juntos para oferecer novas soluções, usando a tecnologia para reduzir custos e chegar ao consumidor”, frisou.

Representando a Federação Nacional de Previdência e Vida (FenaPrevi), a diretora da entidade, Beatriz Herranz disse “acreditar muito” no papel exercido pelo corretor para orientar o consumidor e esclarecer dúvidas relacionadas ao “segurês” usado há anos pelo mercado. “O setor conta com o Corretor para desmistificar as letrinhas nos contratos. O segurês nos afasta do cliente”, admitiu.

Por fim, o vice-presidente da Escola de Negócios e Seguros (ENS), Robert Bittar, disse que o mercado precisa ser criativo para encontrar soluções e crescer nos próximos anos.

AUTOMAÇÃO

O segundo painel – sobre o tema “O Desenvolvimento do Corretor de Seguros no Cenário da Automação”, promoveu reflexões sobre inovação, tecnologia, automação e adaptação do profissional de seguros ao novo cenário do mercado.

O mediador foi o Presidente do Conselho do Grupo Assure de Seguros, Henrique Brandão Junior, que conduziu o debate com leveza e bom humor, mas sem deixar de ser contundente ao apontar algumas questões relevantes como a necessidade de o corretor investir na constante qualificação e no conhecimento. “O corretor continuará sendo muito importante, mas precisa buscar o aprimoramento constante, aproveitando as oportunidades oferecidas por instituições como a ENS, Fenacor e os SINCORs de todo Brasil”, afirmou Junior, que foi eleito, há poucas semanas, Vice-Presidente de Relação com o Mercado, da Fenacor.

Por sua vez, o presidente do Sincor-SP, Boris Ber, defendeu a atuação diversificada do corretor, explorando oportunidades que surgem em diferentes carteiras. “O Corretor precisa estar sempre junto do segurado para oferecer múltiplos produtos e soluções de acordo com as necessidades do cliente”, recomendou Ber, acrescentando que é indispensável também ficar alerta às mudanças regulatórias, especialmente às novas exigências que obrigam o corretor a fornecer todas as informações ao segurado e detalhar cada proposta oferecida. “A IA pode ajudar bastante”, sugeriu.

Recomendação semelhante foi feita pelo vice-presidente Comercial e de Marketing da Porto Seguro, Luiz Arruda, para quem o corretor, por ser aquele que mais entende de risco e dos anseios do consumidor, deve oferecer não apenas um produto, mas a ampla proteção para as famílias. “É fundamental que o Corretor seja inovador todos os dias”, pontuou.

Nesse contexto, o CEO da MDS Brasil, Ariel Couto, foi ainda mais direto ao afirmar que “todos os corretores de seguros irão adotar a IA em algum momento da sua rotina profissional nos próximos anos”.

O debate contou ainda com a participação do fundador do CQCS, Gustavo Doria Filho, para quem o corretor de seguros é, e continuará sendo, “o amigo certo para as horas incertas” dos segurados. Contudo, ressaltou que é preciso acompanhar as mudanças trazidas pela tecnologia a todo o momento.

Segundo ele, embora a IA mude quase tudo, seja nas buscas, na interação com o cliente, na solução dos problemas ou na comunicação, há situações que a tecnologia jamais conseguirá mudar. “Não há como alterar a valorização do contato humano, nem a importância do papel exercido pelo corretor”, acentuou.

Além das plenárias principais, o ENCONSEG 2026 contou com “Salas de Negócios” simultâneas, proporcionando debates segmentados e aprofundados sobre as principais carteiras do mercado, com base nas seguintes questões: “O Futuro do Seguro Automóvel”; “Desafios da Comercialização de Planos de Saúde”; “Estratégia para gerar mais negócios e fidelizar clientes” (em Vida e Previdência); e “Oceano de oportunidades em ramos elementares”.

Os painéis reuniram executivos, especialistas e lideranças de importantes seguradoras e entidades do mercado, fortalecendo o propósito do evento de promover atualização profissional, troca de experiências e geração de negócios.

O evento também contou com espaços de networking, welcome coffee, encontros entre parceiros estratégicos e momentos de integração entre os participantes, reforçando o papel do Sincor-RJ como entidade atuante no desenvolvimento do mercado de seguros.

O ENCONSEG 2026 encerrou sua edição deixando uma marca de fortalecimento, atualização e união do setor, reafirmando a importância de eventos que conectam o mercado e valorizam o Corretor de Seguros.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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