Educação financeira ganha espaço no setor de seguros e mobiliza mercado durante a Semana ENEF

Susep lidera debate sobre proteção, planejamento e inclusão financeira em um cenário de baixa penetração de seguros, avanço das apostas online e aumento do endividamento das famílias

A educação financeira vem ganhando protagonismo no mercado financeiro e segurador brasileiro diante do aumento do endividamento da população, da expansão das apostas online, do avanço da digitalização dos serviços financeiros e da maior exigência dos consumidores por transparência e confiança nas relações digitais. Em um país ainda marcado pela baixa penetração dos seguros e pela reduzida cultura de proteção financeira, o tema passou a ocupar espaço estratégico na agenda de reguladores, seguradoras, bancos, corretoras e entidades do setor.

A Semana Nacional de Educação Financeira (Semana ENEF), realizada neste mês, reforçou esse movimento ao reunir órgãos públicos, instituições financeiras e empresas privadas em torno de iniciativas voltadas à conscientização da população sobre planejamento financeiro, proteção patrimonial, previdenciária e gestão de riscos.

A Superintendência de Seguros Privados (Susep), que atualmente preside o Fórum Brasileiro de Educação Financeira (FBEF), teve papel de destaque nas discussões. O superintendente da autarquia, Alessandro Octaviani, vem defendendo a integração entre educação financeira, democratização do crédito e ampliação do acesso aos instrumentos de proteção securitária.

“Planejar hoje pode garantir um futuro mais longo, tranquilo e próspero. A Educação Financeira é a ponte entre seus sonhos e a vida que você quer viver ao longo de toda a sua jornada”, afirmou Octaviani durante as atividades da Semana ENEF.

A Susep também participou, no último dia 21 de maio, do V Congresso de Regulação e Concorrência no Mercado Financeiro, em Brasília. No painel sobre Open Finance e Pix Garantia, Octaviani destacou a importância da interoperabilidade e da eliminação de barreiras de entrada para ampliar o acesso da população ao crédito e aos produtos financeiros e securitários.

Segundo ele, uma das agendas estratégicas é garantir plena eficácia à Resolução CNSP-CMN nº 12/2024, que autoriza o uso de recursos de previdência privada aberta e títulos de capitalização como garantia em operações de crédito. A medida é vista pelo mercado como um instrumento capaz de ampliar o acesso ao financiamento e, ao mesmo tempo, estimular a cultura de planejamento de longo prazo.

O avanço dessa agenda ocorre em um contexto considerado desafiador para o país. Dados recentes mostram crescimento do endividamento e da inadimplência das famílias brasileiras, enquanto plataformas de apostas online avançam sobre uma parcela da população sem conhecimento adequado sobre riscos financeiros. Paralelamente, o mercado segurador ainda convive com índices historicamente baixos de penetração em diversas modalidades, como seguro de vida, residencial e rural.

Nesse cenário, entidades do setor passaram a reforçar o discurso de que educação financeira e proteção precisam caminhar juntas. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) também vem defendendo o fortalecimento da educação securitária como ferramenta de inclusão financeira e ampliação da resiliência econômica da população. Em diferentes fóruns e eventos recentes, a entidade tem ressaltado a necessidade de aproximar os consumidores do conceito de proteção financeira e do planejamento de longo prazo, especialmente diante do envelhecimento populacional, das mudanças climáticas e do aumento da exposição a riscos patrimoniais e pessoais.

O movimento também alcança corretoras e distribuidoras de seguros. A RM7 Seguros participou da Semana ENEF em Brasília com ações voltadas à conscientização sobre o papel do seguro no planejamento financeiro das famílias e empresas. Um dos principais desafios é desmistificar conceitos financeiros e securitários, traduzindo termos técnicos em linguagem acessível para ampliar a compreensão da população sobre a importância da proteção patrimonial e pessoal.

“A educação financeira precisa deixar de ser um tema restrito aos especialistas e chegar de forma prática à vida das pessoas. Quando mostramos que o seguro protege a renda, o patrimônio, os sonhos e até a continuidade de um negócio, ajudamos o consumidor a compreender que proteção também é planejamento financeiro”, afirma a CEO Roseane Mota.

A executiva destaca que a população ainda associa o seguro apenas a situações extremas, sem perceber o impacto que a ausência de proteção pode gerar no orçamento familiar. “O seguro não deve ser visto como custo, mas como investimento em estabilidade e tranquilidade. Muitas famílias entram em dificuldade financeira justamente porque não estavam preparadas para lidar com imprevistos”, afirma.

A corretora destacou modalidades consideradas essenciais para a estabilidade financeira das famílias, como seguro de vida, residencial, saúde e viagem, reforçando que o seguro deve ser entendido como instrumento de preservação de patrimônio, renda e continuidade financeira em momentos de crise.

“A inclusão financeira passa também pela inclusão securitária. Nosso papel é mostrar que existem soluções acessíveis para diferentes perfis de renda e necessidades. Quanto mais informação e consciência financeira a população tiver, maior será sua capacidade de tomar decisões responsáveis e sustentáveis”, afirma Roseane.

Outro ponto enfatizado pela corretora foi a necessidade de ampliar o alcance da educação financeira para diferentes públicos, incluindo jovens, empreendedores e famílias de menor renda. A avaliação é que a proteção adequada pode contribuir para a sustentabilidade financeira dos negócios e para a redução da vulnerabilidade econômica das famílias diante de imprevistos.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

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