Por Marcelo Picanço
Incentivar práticas de educação financeira e securitária é uma forma poderosa de inclusão. Em um país que amadurece rapidamente, compreender como planejar, consumir, se preparar para imprevistos e se proteger financeiramente deixa de ser um diferencial e se torna uma necessidade.
O mercado de seguros no Brasil é relevante e sólido. Conforme dados da CNSeg, em 2025, o setor segurador do país arrecadou R$ 764,5 bilhões, o que representa 6,4% do PIB no mesmo ano – considerando seguros, previdência aberta, capitalização e saúde suplementar. Ainda, segundo a Confederação Nacional de Seguradoras, esse setor cresceu 8,8% nos últimos cinco anos. Entretanto, ele pode ser bem mais inclusivo. Cerca de 30% da frota circulante tem seguro e somente 15% das residências brasileiras estão protegidas.
Crises agudas como a do coronavírus revelaram a importância da proteção contra imprevistos, e o seguro ocupou um espaço maior no “desejo de consumo” das famílias. Isso revela conscientização sobre riscos e a importância de proteção ao longo da vida.
Porém, sem educação financeira e securitária, o acesso a produtos não se traduz necessariamente em decisões melhores. E é nesse ponto que precisamos avançar. Houve uma melhoria na qualidade de vida e longevidade das pessoas, o que exige mais cuidados e proteção. Sociedades maduras tendem a se proteger mais. Isso reforça que precisamos acelerar a educação para que seja compatível com a velocidade de amadurecimento da população.
Essa importância ganha ainda mais relevância quando olhamos para a população das classes C, D e E. Atualmente, o número de apólices de Seguro de Vida abrange apenas 18% da população. Esse número é ainda menor nas classes sociais mais vulneráveis. Historicamente, o acesso a instrumentos de proteção sempre foi mais restrito a esses públicos, seja por barreiras de renda, de linguagem ou de compreensão dos serviços.
No Grupo Bmg, temos tratado esse tema como prioridade. Por meio do Instituto Marina e Flávio Guimarães, desenvolvemos o Bemi, um projeto de educação financeira voltado para o público 60+, com conteúdos simples e conectados à realidade das pessoas.
Ampliar o acesso à educação financeira e securitária é um caminho consistente para reduzir vulnerabilidades, evitar decisões inadequadas e fortalecer a autonomia das pessoas. Precisamos desmistificar o seguro. Mostrar que não é algo abstrato, inatingível ou complexo. E sim de reservar alguns recursos e atenção destinados à tranquilidade e à dignidade. No fim, estamos falando de qualidade de vida.
Essa é uma agenda que exige atuação conjunta do setor privado, do poder público e da sociedade. Porque a inclusão financeira, no seu sentido mais completo, também passa pela capacidade de se proteger.


















