Setor de seguros projeta crescimento de 5,7% em 2026 e arrecadação de R$ 808 bilhões

Revisão das estimativas reflete cenário macroeconômico desafiador, com avanço mais moderado em alguns segmentos e destaque para saúde, automóvel e habitacional

O setor segurador brasileiro deve manter trajetória de crescimento em 2026, ainda que em ritmo moderado, com expansão nominal de 5,7% na arrecadação, que poderá atingir R$ 808 bilhões no ano. A revisão das projeções foi apresentada nesta quarta-feira, dia 15 de abril, pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), durante coletiva de imprensa conduzida pelo presidente Dyogo Oliveira. 


O desempenho esperado ocorre em um ambiente macroeconômico que combina inflação próxima de 3,9%, crescimento do PIB em torno de 1,8% e taxa básica de juros acima de 12% ao ano, fatores que seguem condicionando o ritmo de expansão do setor. 


Segundo a CNseg, o mercado segurador continuará desempenhando papel relevante na economia brasileira, com participação estimada em cerca de 5,8% do PIB, mantendo a relevância do setor na economia brasileira. 

“Monitoramos com atenção a instabilidade no Oriente Médio, pois a crise impacta diretamente os preços do petróleo e a inflação. Essas pressões acabam influenciando a trajetória da Selic e o crescimento do PIB. Como o setor de seguros é um reflexo direto da saúde da economia, qualquer redução na atividade econômica ou na renda das famílias acaba resultando em uma menor demanda por proteção”, afirmou o presidente da CNseg.


Desempenho por segmentos

Com desempenho positivo em linhas como automóveis, patrimonial e riscos financeiros, o ramo de danos e responsabilidades deve crescer 7,4% em 2026, ainda que menos que a projeção anterior, de 8,5%.


O seguro automóvel, por exemplo, deve avançar 7,1%, impulsionado pelo aumento na venda de veículos, especialmente híbridos e elétricos, além de programas de incentivo à renovação da frota. 


No segmento habitacional, a expectativa é de crescimento de 12,8%, apoiado na expansão do crédito imobiliário, no déficit habitacional ainda elevado e no avanço de programas habitacionais públicos. 


Já os seguros de pessoas (excluindo previdência) devem registrar alta de 7,4%, contra uma previsão anterior de 8,6%. Os destaques são os produtos de vida (+11,7%) e viagem (+12,2%), mesmo em um contexto de maior endividamento das famílias. 


Por outro lado, a previdência aberta ainda deve apresentar retração (-4,4%), refletindo os impactos recentes de mudanças tributárias, especialmente a incidência de IOF sobre planos VGBL, que reduziu significativamente a captação do segmento. 


Os segmentos de seguro rural e de riscos de engenharia também devem apresentar retração, refletindo desafios específicos desses mercados.


No caso do seguro rural, a projeção é de queda de 3,9% em 2026, após um desempenho já negativo no ano anterior, em um contexto marcado por maior percepção de risco climático e restrições orçamentárias. A subvenção ao prêmio, instrumento essencial para viabilizar a contratação, segue limitada, com previsão de cerca de R$ 1 bilhão no orçamento, o que tende a restringir a expansão da base segurada e a demanda por cobertura no campo.


Saúde segue como motor de crescimento

O segmento de saúde suplementar deve continuar como um dos principais vetores de expansão do setor, com crescimento projetado de 9% na arrecadação em 2026.


A expectativa é de leve aumento da base de beneficiários e estabilização da sinistralidade em torno de 80%, ainda sob pressão dos custos médico-hospitalares, que seguem avançando acima da inflação. 


Perspectivas

Apesar de um ambiente econômico ainda desafiador, a CNseg avalia que o setor mantém fundamentos sólidos, sustentados pela diversificação de produtos, aumento da conscientização sobre proteção financeira e expansão do crédito em áreas como habitação e consumo.


A entidade também destaca que fatores regulatórios, avanços tecnológicos e mudanças no perfil de consumo devem seguir influenciando a dinâmica do mercado ao longo do ano.

Denise Bueno
Denise Buenohttp://www.sonhoseguro.com.br/
Denise Bueno sempre atuou na área de jornalismo econômico. Desde agosto de 2008 atua como jornalista freelancer, escrevendo matérias sobre finanças para cadernos especiais produzidos pelo jornal Valor Econômico, bem como para revistas como Época, Veja, Você S/A, Valor Financeiro, Valor 1000, Fiesp, ACSP, Revista de Seguros (CNSeg) entre outras publicações. É colunista do InfoMoney e do SindSeg-SP. Foi articulista da Revista Apólice. Escreveu artigos diariamente sobre seguros, resseguros, previdência e capitalização entre 1992 até agosto de 2008 para o jornal econômico Gazeta Mercantil. Recebeu, por 12 vezes, o prêmio de melhor jornalista de seguro em concursos diversos do setor e da grande mídia.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Ouça nosso podcast

ARTIGOS RELACIONADOS